O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, manteve o tom crítico ao Supremo Tribunal Federal (STF) durante visita a Anápolis, nesta quinta-feira (23), mesmo após declarações recentes do ministro Gilmar Mendes que geraram repercussão nacional.
Pré-candidato à Presidência da República pelo Partido Novo, Zema cumpriu agenda no Distrito Agroindustrial de Anápolis (Daia), onde visitou a empresa Kingspan Isoeste e se reuniu com apoiadores e lideranças locais. A visita ocorreu a convite de Paulo Vitor Marques, que é pré-candidato a deputado estadual.
Durante entrevista à imprensa, Zema voltou a defender mudanças no funcionamento do Supremo Tribunal Federal, criticando especialmente decisões monocráticas. Segundo ele, há desequilíbrio quando um único ministro pode tomar decisões com grande impacto nacional. O ex-governador também propôs alterações nos critérios de indicação para a Corte, sugerindo idade mínima de 60 anos e mandatos mais curtos, como forma de promover renovação.
Zema ainda criticou o modelo atual de nomeações ao STF, mencionando a indicação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao advogado-geral da União, Jorge Messias. Para o pré-candidato, o processo precisa ser revisto para evitar vínculos políticos entre indicados e o governo federal.
As declarações ocorrem em meio à repercussão de falas recentes de Gilmar Mendes, que reconheceu erro ao associar, em entrevista, um exemplo envolvendo homossexualidade ao nome de Zema. O ministro se desculpou posteriormente nas redes sociais. A fala foi dada no contexto do inquérito das fake news, no qual Mendes solicitou a inclusão do ex-governador após a divulgação de um vídeo crítico ao STF.
Ao comentar o episódio, Zema reagiu às declarações do ministro e afirmou que não se sente atingido pelas críticas. Ele também voltou a atacar a Corte, afirmando que sua gestão em Minas Gerais foi marcada pela ausência de casos de corrupção, em contraste com o que considera problemas no Judiciário.
O caso envolvendo Zema foi encaminhado pelo ministro Alexandre de Moraes para análise da Procuradoria-Geral da República (PGR). Até o momento, o ex-governador afirma não ter sido oficialmente notificado sobre sua inclusão no inquérito.
A visita a Anápolis reforça a movimentação política de Zema em diferentes regiões do país, em meio à construção de sua pré-candidatura presidencial e ao acirramento do debate sobre o papel das instituições no cenário político nacional.














