A situação dos profissionais credenciados da saúde de Aparecida de Goiânia continua sendo pauta de debate na Câmara Municipal nesta quarta-feira (17). Durante discurso na tribuna, o vereador Felipe Cortez (Mobiliza) chegou a fazer uma provocação aos colegas parlamentares ao sugerir que os 25 vereadores passassem a receber apenas R$ 1.200 por mês de salário, valor que, segundo ele, é pago a parte dos trabalhadores credenciados da área da saúde.
A declaração foi feita enquanto o vereador defendia mudanças nas regras que regem a contratação dos profissionais credenciados no município. Segundo Cortez, a comparação serviria para demonstrar a realidade enfrentada por esses trabalhadores.
“Eu queria aqui convidar os vereadores e desafiá-los para que nós, a partir de agora, possamos abrir mão do nosso salário e receber só R$ 1.200. Nós, os 25 vereadores. Para vocês verem qual a dor que os credenciados vivem recebendo R$ 1.200”, afirmou.
Antes da fala, o parlamentar relatou ter recebido diversas mensagens de enfermeiros credenciados após abordar o tema durante a sessão anterior. De acordo com ele, os profissionais apontaram dificuldades relacionadas às condições de trabalho e à ausência de benefícios trabalhistas.
Entre os relatos lidos em plenário, estavam reclamações sobre a obrigatoriedade de registro de ponto, jornadas consideradas exaustivas e a impossibilidade de apresentar atestado médico sem sofrer descontos financeiros. Segundo o vereador, trabalhadores também relataram não receber benefícios como vale-alimentação e vale-transporte.
Durante o pronunciamento, Felipe Cortez classificou a situação como um “regime de escravidão” e voltou a defender a revogação de uma lei municipal aprovada em 2020. Na avaliação dele, a legislação impede que os profissionais credenciados tenham acesso a direitos previstos para outras categorias da saúde, incluindo o pagamento do piso nacional da enfermagem.
O vereador afirmou que existem mais de 3,5 mil profissionais credenciados atuando no município e pediu apoio dos demais parlamentares para discutir mudanças na legislação. Segundo ele, a pauta deve ser tratada com prioridade para garantir melhores condições de trabalho aos profissionais que atuam na linha de frente do atendimento à população.












