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Embates entre base e oposição protagonizam semana na Câmara de Anápolis

Sessões marcadas por discursos acalorados expõem polarização entre vereadores e deixam em segundo plano debates práticos para o cidadão


Avatar Por Redação Tribuna do Planalto em 07/12/2025 - 12:00

O líder do prefeito na Câmara Municipal de Anápolis, vereador Jean Carlos (PL). (Imagem: Alyne Laís)

Embora os embates políticos no âmbito legislativo, como na Câmara de Deputados, assembleias legislativas ou câmaras municipais, sejam importantes e, acima de tudo, essenciais para as transformações da sociedade, às vezes, para não dizer quase sempre, os discursos se limitam a brigas entre lados partidários. E foi esse o tom na Câmara Municipal de Anápolis em todas as sessões desta semana: oposição e base em discussões que não pareceram render frutos para o principal interessado na melhora do município, o cidadão anapolino.

Pode-se dizer que, sempre que a oposição vinha com uma problemática, a base já estava pronta para rebater, sem se mostrar tão interessada na crítica, falando sobre o que de bom tem sido feito pelo Executivo atual no município. Na segunda-feira (1º), a Saúde ficou no centro da tensão. Na que foi a primeira sessão de dezembro, o debate sobre a saúde pública dividiu novamente os vereadores. Jakson Charles (PSB) defendeu o Sistema Único de Saúde e afirmou que falhas acontecem tanto na rede pública quanto na particular. Sua fala foi uma resposta direta ao vereador Domingos Paula (PDT), que momentos antes havia apresentado o áudio de um casal que perdeu um bebê durante a gestação, denunciando falha no atendimento médico.

Jakson classificou o caso como erro individual do profissional de saúde, não como reflexo da gestão municipal. “A UPA está aberta 24 horas por dia e problemas nós teremos sempre. O que não podemos é deixar de resolver”, pontuou.

Na outra ponta, o vereador José Fernandes (MDB) defendeu veementemente o Executivo, apresentando números que, segundo ele, demonstram avanços. Destacou o desempenho da UPA Alair Mafra, que já atingiu 80% da meta anual de atendimentos em apenas seis meses. Também mencionou melhorias na UPA Pediátrica, onde a resolutividade teria ultrapassado 90% após ampliação do atendimento.

O embate resumiu o tom da semana: oposição denunciando problemas estruturais e casos pontuais, enquanto a base rebatia com dados e defesas da atual gestão.

Na terça-feira (2), o clima voltou a ser de confronto. Rimet Jules (PT) criticou duramente o atraso nos repasses às comunidades terapêuticas conveniadas com o município. Segundo o parlamentar, algumas instituições acumulam até oito meses de atraso em pagamentos de R$ 6,5 mil mensais. Ele classificou como “indignante” que entidades responsáveis pela recuperação de dependentes químicos estejam sem recursos básicos.

Rimet também afirmou que o prefeito estaria usando as instituições como cenário para vídeos promocionais, enquanto elas enfrentam dificuldades para comprar alimentos. A fala acendeu reações.

Wederson Lopes (UB), da base, buscou amenizar — mas também politizou a resposta. Ele afirmou ter destinado 100% de suas emendas para o Fundo Municipal de Políticas sobre Drogas e fez duras críticas a portarias do Governo Federal que, segundo ele, fragilizam juridicamente as comunidades terapêuticas.

O debate se estendeu a outros temas. Domingos Paula (PDT) mencionou a falta de eventos natalinos nos bairros e distritos. Fez referência à gestão passada ao falar em “Natal sem coração”, reclamando que famílias carentes não conseguem arcar com deslocamento ao Centro para as festividades.

Rapidamente, Jean Carlos (PL), líder do governo, assumiu a tribuna para rebater. Acusou a gestão anterior de negligência na saúde e afirmou que a programação atual foi viabilizada por parcerias privadas. Também contestou o atraso no repasse às comunidades terapêuticas, dizendo que não havia oito meses de débito e culpando o estrangulamento financeiro da administração.

Na quarta-feira (3) também não faltou embates. Rimet Jules voltou à tribuna, agora para criticar a falta de valorização dos servidores municipais, alegando que mais de uma década sem concursos e a terceirização de serviços prejudicam o atendimento público. O vereador afirmou que a rotatividade dos profissionais terceirizados compromete a continuidade dos serviços, especialmente na saúde.

Rimet ainda cobrou o pagamento do retroativo da data-base, acusou o prefeito de tratar servidores de forma desigual e lembrou de promessas não cumpridas, como o concurso público e a reestruturação das carreiras.

Jean Carlos novamente foi à tribuna em nome da base. Disse que o concurso público não foi realizado porque o município não tem margem orçamentária para ampliar gastos com pessoal. Defendeu a postura “dinâmica” do prefeito e afirmou que a gestão busca equilíbrio fiscal antes de assumir novos compromissos permanentes.

Projeto aprovado: câmeras obrigatórias em bares e distribuidoras

Apesar da semana tensa, um projeto avançou de forma consensual. Em primeira votação, a Câmara aprovou o PL nº 142/2025, que obriga bares, distribuidoras, supermercados, postos de combustíveis e boates a instalarem câmeras de segurança. A proposta prevê monitoramento em pontos estratégicos, gravação mínima de 60 dias e boa qualidade de imagem.

O autor, Rimet Jules, afirmou que a medida atende a recomendações do Grupo de Investigação de Homicídios e que as imagens poderão auxiliar nas investigações. A CCJR retirou o prazo de 180 dias para adequação e a multa inicial, mas o texto principal foi aprovado por unanimidade.

Agora, se a proposta for aprovada em segunda votação e sancionada, será exigência para concessão e renovação de alvarás.

A série de embates entre base e oposição mostrou uma Câmara polarizada, com discursos que frequentemente ultrapassaram divergências ideológicas e adotaram tom eleitoral. Embora temas relevantes tenham sido debatidos — saúde, assistência social, políticas sobre drogas e valorização dos servidores —, o conteúdo muitas vezes se perdeu em trocas de acusações.

Vale lembrar que, neste mês de dezembro, os vereadores têm apenas seis sessões, ou seja, metade já aconteceu nesta semana em meio aos embates. Agora, faltam apenas mais três sessões para que, então, os parlamentares possam desfrutar do recesso e retornar apenas em 2026.

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