A suspensão judicial do projeto conhecido como “Times Square paulistana” colocou em destaque uma das empresas envolvidas na polêmica, e que é de Goiânia. O assunto se tornou uma das principais discussões urbanísticas do país por conta da poluição visual que pode causar na maior cidade brasileira. A empresa goiana em questão é a LedWave, especializada em tecnologia de painéis de LED e publicidade digital, é uma das responsáveis pela implantação do empreendimento que previa a instalação de grandes telas luminosas no cruzamento das avenidas Ipiranga e São João, um dos cartões-postais do centro de São Paulo.
A iniciativa, oficialmente denominada Boulevard São João, teve seus efeitos suspensos por decisão liminar da juíza Celina Kiyomi Toyoshima, da 4ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo. A magistrada determinou a paralisação imediata de qualquer obra, instalação ou intervenção relacionada ao projeto até que sejam analisados documentos e estudos complementares apresentados pela Prefeitura de São Paulo e pelos demais envolvidos.
O projeto ganhou notoriedade nacional ao ser apelidado de “Times Square paulistana”, em referência à famosa região de Nova York conhecida pelos enormes painéis publicitários digitais. A proposta previa investimentos de R$ 48,6 milhões por parte das empresas concessionárias e vinha sendo apresentada como uma estratégia para impulsionar a revitalização do centro histórico da capital paulista.
Entre os parceiros da iniciativa está a LedWave, empresa sediada em Goiânia que, nos últimos anos, expandiu sua atuação para diversas cidades brasileiras. A companhia já participou da instalação de estruturas semelhantes em municípios como Brasília e Porto Alegre, consolidando-se no segmento de mídia digital urbana.
A outra empresa envolvida é a Fábrica de Bares, grupo paulistano responsável por estabelecimentos tradicionais da capital paulista, como o Bar Brahma, Riviera e Blue Note. Juntas, as empresas defendem que o projeto foi aprovado pelos órgãos competentes da administração municipal e que poderia contribuir para a valorização cultural e econômica da região central.
A decisão judicial, no entanto, atendeu a uma ação popular movida pelo ex-ministro e ex-secretário da Cultura Andrea Matarazzo e outros autores, que questionam possíveis impactos urbanísticos e patrimoniais da iniciativa. Na decisão, a magistrada destacou a dimensão do empreendimento e o potencial impacto para a população como justificativas para a suspensão temporária.
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, criticou publicamente a medida e afirmou que o município irá recorrer da decisão. Segundo ele, a paralisação pode gerar prejuízos financeiros aos empresários envolvidos e interrompe um projeto que passou por análise técnica e discussão pública.
Além da exploração publicitária dos painéis, o Boulevard São João previa contrapartidas voltadas à preservação do patrimônio histórico. Entre elas estão a restauração da fachada da Igreja da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, a recuperação da estátua da Mãe Preta e a manutenção do Relógio de Níchile, importantes marcos do centro paulistano.
Enquanto a disputa segue na Justiça, a participação da empresa goiana no projeto evidencia a presença de Goiás em um empreendimento que mobiliza debates sobre desenvolvimento urbano, preservação histórica e ocupação dos espaços públicos em uma das maiores cidades da América Latina.














