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“Estava pronto para disputar o mandato de deputado federal e Caiado pediu para eu continuar na Assembleia”


Avatar Por Redação Tribuna do Planalto em 05/12/2022 - 09:20

Deputado estadual Bruno Peixoto (União Brasil). Foto: Divulgação
Com mais de 73 mil votos, o deputado estadual Bruno Peixoto foi reeleito para seu quarto e último mandato na Assembleia Legislativa, segundo afirmou nesta entrevista. Depois de passar os quatro últimos anos na liderança do governo, ele pretende disputar a Presidência da Casa e é considerado um forte candidato ao cargo. Bruno desistiu de concorrer a uma vaga de deputado federal a pedido do governador Ronaldo Caiado e, apesar de dizer que não espera contrapartida do governador, é provável que esse fato não seja ignorado por Caiado, que terá um peso importante na definição do novo presidente da Casa.

TRIBUNA DO PLANALTO – O senhor foi o deputado estadual mais bem votado nesta eleição. A que o senhor atribui esse resultado?

BRUNO PEIXOTO – Eu quero contar um pouco da minha história: eu fui vereador em nossa capital por dois mandatos; eleito o vereador mais votado da história em reeleição; eleito deputado estadual em 2010 e reeleito em 2014 e em 2018. Nós temos uma casa de apoio que foi iniciada juntamente com a minha mãe – que papai do céu a tenha – em 2011, com 100 camas. As pessoas vêm do interior e ficam em nossa casa gratuitamente; eu levo ao hospital e busco; levo para fazerem concurso e busco, ou seja, dou toda uma assistência para aquelas pessoas que vêm de cidades do interior e também de outros estados. Nós temos também um programa de castração solidária de cães e ainda o gabinete itinerante, que são trabalhos que realizo durante o mandato. É claro que durante o período eleitoral, encerramos essas atividades, até mesmo por conta da legislação. Cito ainda o fato de eu exercer a liderança de governo e a minha proximidade com o governador Ronaldo Caiado, porque eu fiz uma junção do meu trabalho parlamentar com as ações do governo. Atribuo a todo esse conjunto o resultado de deputado mais votado na história do estado de Goiás. O que nos deu essa votação foi a sintonia e a minha proximidade com o governador Ronaldo Caiado.

Não seria mais coerente o senhor disputar o mandato de deputado federal nesta eleição, haja vista que já havia exercido três mandatos de estadual?

Sim, eu estava pronto para disputar o mandato de deputado federal, mas o governador Ronaldo Caiado entendeu por bem que eu disputasse a eleição para a Assembleia. Foi em comum acordo com o governador Ronaldo Caiado. Para o próximo pleito, eu já trabalho com a possibilidade de disputar o mandato de deputado federal, já que eu não disputarei mais eleição para deputado estadual.

O senhor espera uma contrapartida do governador Ronaldo Caiado, já que abriu mão de uma candidatura a deputado federal a pedido dele? 

Como eu disse, eu estou à disposição de Ronaldo Caiado para exercer minha função onde onde ele entender que seja necessário e onde entender que eu possa contribuir mais para ajudar o povo goiano. Eu sou de trabalho, sou de junção e de convergência, e não de divergência. Se ele entender que é melhor que eu continue nesta ou naquela função, assim farei.

No passado, o senhor já havia manifestado interesse em disputar a eleição para prefeito de Goiânia. Ainda está no radar do senhor a Prefeitura de Goiânia? 

O meu objetivo agora é disputar o mandato de deputado federal. Esse é o nosso foco. Eu tive a oportunidade de ser coordenador-geral da campanha de Iris Rezende no último pleito que ele disputou e sei que a prefeitura vai além de ter um candidato com preparo, tem que ter uma conjuntura política que inclui ter partidos, chapa de candidatos a vereador, uma estrutura financeira. Vai além de ter um bom candidato.

Isso quer dizer o quê? 

Isso quer dizer que só se pode definir uma candidatura no ano eleitoral e se tiver unido todas essas condições, caso contrário não há possibilidade de êxito. Sendo assim, uma candidatura a deputado federal é mais real para mim. A candidatura a prefeito é possível, mas depende de uma série de fatores que têm de ser unidos. Então, o meu objetivo e o meu foco são uma disputa de mandato para deputado federal e não para a prefeitura.

Qual avaliação o senhor faz da administração do prefeito Rogério Cruz, que não foi eleito prefeito, considerando toda essa conjuntura que o senhor citou como necessária?

Eu tenho um pensamento diferente para a capital. Eu tenho um pensamento em que temos que dar maior fluidez ao trânsito, fazer a abertura da Marginal Botafogo, fazendo a ligação da Leste-Oeste; temos também de concluir que a Norte-Sul – não dá mais para ficar uma obra que não se conclui. Temos de terminar a Leste-Oeste pós-BR 153; temos de dar fluidez e terminar todas as marginais, a Marginal Cascavel, fazendo a ligação até o Jardim América, ultrapassando o Jardim América e chegando em Bela Vista; precisamos fazer a conclusão dessas vias. Precisamos incentivar o que entendemos como regionalização de bairros. O que vem a ser isso? Temos que ter nos bairros vida própria. De que maneira? Nós temos de ter bancos, colégios, ter creches, infraestrutura de lazer para que a população tenha, naquele bairro, naquela região, todas as condições necessárias e não tenha de se deslocar ao centro, seja para ir ao banco, seja para ir ao shopping. Temos de descentralizar e buscar que todas as regiões tenham toda a infraestrutura necessária de trabalho, de lazer e infraestrutura de negócio. Quando eu digo negócio é bancos, casas lotéricas, shoppings. Devemos investir na regionalização da nossa cidade com infraestrutura de pronto atendimento. Se precisar podar uma árvore, já temos de ter ali uma regional; se precisarmos tampar um buraco ou fazer reparos rápidos, a prefeitura tem de ser ágil, ela não pode ser morosa, não pode ser lenta e pesada; tem de ser leve. Eu sou muito favorável às regionais e eu espero que o prefeito de Goiânia analise toda essa estrutura que, na minha opinião, hoje está pesada, e que ele possa buscar a regionalização. Rogério Cruz é meu amigo, tenho conversado com ele e espero que ele siga esses conselhos até mesmo na área da saúde. Todas as regiões têm de ter todas as especialidades. Não dá para a pessoa sair de um canto da cidade buscando um Cais porque aquela especialidade está naquela determinada unidade de saúde. Nós temos de buscar as regionalizações, inclusive nas especialidades médicas.

O senhor não é candidato a prefeito, mas já tem um projeto para a cidade.

Eu conheço Goiânia, a cidade onde eu tive a maior votação e estou entre os dez mais votados; fui vereador por dois mandatos e o vereador mais votado. Eu conheço cada canto da capital. Fui o coordenador-geral da última eleição de Iris Rezende e, em razão disso, tenho ideias para nossa capital e espero que um dos candidatos a prefeito possa utilizar essas ideias, que eu tenho certeza de que vão melhorar a qualidade de vida do goianiense. Mas não pretendo disputar a prefeitura da capital. Meu foco é ser deputado federal.

Como líder do governo, o senhor foi um dos protagonistas na votação da chamada Taxa do Agro, que lhe rendeu desgastes com o setor do agronegócio e também com o presidente da Assembleia Legislativa, Lissauer Vieira. Por outro lado, fortaleceu seu nome na disputa pela Presidência da Casa em 2023. Que avaliação o senhor faz da votação desse projeto nesse momento e da repercussão que teve? 

Sobre a eleição para Presidência da Assembleia, nós temos excelentes nomes que estão concorrendo, Virmondes Cruvinel, que é um excelente nome; Renato de Castro, muito capacitado; temos Lincoln Tejota, que é meu amigo e muito capacitado também para presidir a Assembleia; e outros nomes que estão pleiteando também. Todos esses nomes têm capacidade. Em relação ao presidente Lissauer, eu nutro uma amizade para com ele e acredito que será superado esse atrito entre ele, o governador e a nossa base. É um atrito momentâneo e, com certeza, será superado no decorrer dos dias. Até mesmo porque nós temos várias matérias do governo que ainda serão apreciadas neste ano, inclusive o Orçamento.

O senhor tem um acordo com o Lincoln Tejota para a disputa da Presidência da Alego?

O Lincoln é meu amigo, e eu tenho certeza de que se eu viabilizar a minha candidatura, ele me apoia. Se ele viabilizar a candidatura dele, eu não tenho dificuldade nenhuma de apoiá-lo. Até mesmo porque nós dois temos uma amizade, eu tenho muito carinho por ele, gosto muito do Lincoln.

O senhor deixaria o mandato de deputado estadual para assumir uma pasta no governo Ronaldo Caiado? 

Eu estou à disposição do governador para exercer a função que ele entender que eu possa contribuir para melhorar a qualidade de vida da nossa gente do estado. Estou à disposição para ser presidente, estou à disposição para continuar na liderança, para assumir uma secretaria. Eu estou à disposição. Isso se chama credibilidade do governador para comigo e minha para com ele. Nós temos essa sintonia. Tanto é que eu estava pronto para disputar o mandato de deputado federal e ele pediu para eu continuar na Assembleia para ajudá-lo. Estou pronto para ajudá-lo onde ele entender que seja necessário. Até mesmo porque ele tem uma experiência de vida e uma experiência política bem superior à minha. Eu tenho de ouvi-lo.

Com relação a sua liderança na Assembleia, qual o balanço que o senhor faz? Quais foram os projetos em que a sua atuação foi fundamental para que o governo conseguisse avançar no Legislativo? 

Nós aprovamos várias matérias, matérias difíceis, entre as quais matérias relacionadas ao servidor público, à Previdência, ao teto de gastos, alterações para adesão ao Regime de Recuperação Fiscal, o que foi conseguido com êxito. Nós conseguimos superar tudo isso. Uma base unida e sólida, o presidente agindo e nos ajudando em todo momento que solicitei. Isso é bom frisar: tudo que solicitei ao presidente, ele nos atendeu. Foram quatro anos e sou o único líder na história da Assembleia que permaneceu contínuo por tanto tempo. E, claro, tivemos dificuldades, mas o ponto forte, na minha opinião, foi poder atender os anseios da sociedade. Nós conseguimos melhorar a qualidade de vida do goiano, seja na área da saúde, da segurança pública, da educação. E a Assembleia, de mãos dadas com o governo do estado, com Ronaldo Caiado, conseguiu transformar e melhorar a qualidade de vida do cidadão.

O senhor tem falado que o seu principal projeto para esse quarto mandato é sobre o combate à desigualdade. Como combater a desigualdade a partir da Alego? 

Todos os projetos que o governador enviar vou trabalhar diuturnamente para aprová-los. Seja na função de presidente, de líder ou membro de alguma comissão. Na função em que eu estiver vou ajudar o governador a aprovar todas as matérias. E nós vamos trabalhar muito, incentivando as empresas a irem para as regiões mais carentes, neste caso, o Nordeste do estado e algumas cidades do Norte. Vamos desenvolver em todos os aspectos, seja na busca de industrialização, de plantio, da agricultura familiar, na geração de emprego, nós vamos trabalhar para eliminar a desigualdade.

O senhor apresentou projeto que proíbe a reeleição do presidente da Assembleia. Por que o senhor é contra a recondução do presidente?

Eu acho que nós temos de dar oportunidades. Nós experimentamos um projeto de reeleição e, num primeiro momento, achamos que seria interessante, mas a alternância de poder dentro do parlamento, já que nós somos 41 deputados, se faz necessária, até mesmo em virtude das ideias. Mas esse é o meu pensamento e, claro, essa decisão é de 41.

Em 2019, em uma entrevista a um veículo de imprensa, o senhor declarou que o MDB, seu partido de origem, havia acabado. Qual a avaliação que o senhor faz do MDB hoje? 

O Daniel (Vilela) está muito maduro, tornou-se um grande líder, e entendeu que, às vezes, a união – que é o que ocorreu nas eleições de 2020 – fortalece e cresce o partido. Uma visão madura, de estadista e de quem quer crescer o partido. O nosso MDB tem vários quadros e esses estão cada dia mais aflorados. Eu fico muito feliz de ver o MDB consolidando, crescendo e mostrando resultados para a sociedade, resultados positivos.

Na opinião do senhor, qual será o principal projeto de Ronaldo Caiado para esse segundo mandato? 

Primeiro, continuar com a segurança pública forte; com a saúde regionalizada; com uma educação, cada dia, com índices melhores; com investimento em infraestrutura na construção de pontes, GOs e duplicações e acabar, de uma vez por todas, com a fome no nosso estado.

O senhor apoiou o presidente Jair Bolsonaro no segundo turno. Como vê essas manifestações que questionam o resultado das urnas? 

Apoiei e votei em Jair Bolsonaro. Agora, eu tenho de respeitar o resultado das urnas e torcer para que o Brasil melhore a cada dia. Essa é a minha opinião e o meu ponto de vista. Eu torço para o melhor do nosso país, independentemente se o candidato que vier a assumir foi ou não o que votei. Eu torço para o bem do país e respeito o resultado das urnas.

O União Brasil pode vir a apoiar o futuro governo Lula. Como vê essa situação?

Matérias que forem positivas para a população do nosso país, na minha opinião, o União Brasil tem de ser favorável; matérias que não forem positivas – e esse foi o entendimento da maioria do nosso partido – o União Brasil deve se posicionar contrário. Nós não podemos fazer uma oposição destrutiva, temos de ser a favor do país. Em matérias importantes para o país temos de ser favoráveis. E aquelas matérias que entendermos que não são positivas temos de debater e achar o melhor caminho. Assim nós fizemos no estado e construímos. Temos de seguir o mesmo exemplo no Brasil.

O senhor defende que o União Brasil não faça parte da base do governo?

Na minha opinião, a independência com responsabilidade é o melhor caminho. Não se declarar base, nesse primeiro momento, nem oposição. Eu acho que temos que ter um caminho de independência e responsabilidade.

Qual a expectativa do senhor em relação ao governo Lula, que reúne um grande número de partidos?

Na minha opinião, é totalmente positiva. Porque nós temos de ter essa responsabilidade com o país. Não dá pra ter essa diferença, essas brigas. Somos um só povo e temos de incentivar a união. Entendo que o presidente eleito está no caminho correto de pacificar o Brasil.

O senhor e 31 candidatos mudaram a declaração junto ao TRE este ano em relação a cor, declarando-se negros. Qual o benefício o senhor obteve com isso?

Eu não mudei não, declarei ser branco. Teve uma falha no início, quando eu mandei a ficha para o partido e o próprio partido colocou lá, se eu não me engano, pardo. O partido, não fui eu, colocou pardo. Na hora que eu fiquei sabendo, que eu vi, – isso foi lá no início, antes de registrar o Drap (Demonstrativo de Regularidade de Atos Partidários) – fizemos um ofício e nosso advogado protocolou no partido e no TRE e foi alterado para branco. Aconteceu num dia que o partido mandou e, no outro dia, eu já notifiquei o partido e o TRE.

 

 

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