A sucessão estadual em Goiás ganhou um novo capítulo com o posicionamento público da advogada Ana Paula Rezende (MDB), que rejeitou de forma categórica qualquer possibilidade de diálogo ou composição política com o ex-governador Marconi Perillo (PSDB). A filha de Iris Rezende classificou uma eventual aproximação como “uma traição ao legado” do pai, encerrando especulações sobre uma aproximação fomentada pelo tucano nas últimas semanas.
No mesmo movimento, Ana Paula Rezende confirmou o interesse em disputar uma vaga no Senado Federal pelo MDB, em composição com o vice-governador e pré-candidato ao governo Daniel Vilela (MDB). A articulação começou em conversa reservada no início do mês e é vista como um reforço à base governista, sobretudo em Goiânia, onde Ana Paula tem ampliado sua atuação política, com atenção especial à região Noroeste, tradicional reduto eleitoral construído por Iris Rezende ao longo de décadas.
No último sábado (20), em evento em homenagem ao aniversário de 92 anos de Iris, no residencial Jardins do Cerrado, Ana Paula confirmou a pré-candidatura com um discurso emocionado de defesa do legado do pai e levar adiante uma política voltada ao diálogo e com preocupação social como prioridade.
A recusa explícita ao ex-governador tucano tem caráter que extrapola o calendário eleitoral. Ao fechar qualquer canal de diálogo com Marconi, Ana Paula se coloca como referência na preservação do chamado “irismo”, reafirmando uma divisão política histórica em Goiás e sinalizando que não haverá flexibilização de princípios nem alianças incompatíveis com essa trajetória.
Para Marconi, o gesto aprofunda um quadro de isolamento político em que o ex-governador se colocou. Com elevada rejeição e dificuldades de articulação, o tucano vê se fechar uma porta relevante. Já Ana Paula delimita seu caminho político: a disputa ao Senado ao lado de Daniel Vilela, mirando o futuro e mantendo distância de personagens associados a um passado que, segundo ela, não a representa.
Histórico de disputas
A tentativa frustrada do ex-governador Marconi Perillo de se aproximar do chamado ‘irismo’ já era vista com espanto pelos principais atores políticos em Goiás. Marconi e Iris foram adversários durante mais de duas décadas, desde a vitória do tucano sobre o emedebista na histórica eleição de 1998, que tirou o MDB do poder após 16 anos.
Marconi e Iris voltariam a se opor nas eleições de 2010 e 2014, com novas vitórias eleitorais do tucano. Iris manteve-se relevante na política em Goiás e construiu sucessivas eleições em Goiânia, sendo eleito prefeito em 2024, 2008 e 2016, sempre derrotando candidatos apoiados por Marconi.
Em diversas ocasiões, Iris acusou Marconi de tentar destruir sua imagem de homem público. O emedebista gostava de apresentar documento emitido pelo Ministério Público de Goiás onde teve seu patrimônio investigado durante seis anos – sem que nada fosse encontrado. A ação teria começado por iniciativa de Marconi após um debate eleitoral.















