Com o início oficial da propaganda eleitoral neste domingo (16), a disputa entra em uma fase mais direta, na qual os candidatos passam a poder pedir votos de forma explícita, apresentar números de campanha e ampliar a presença nas ruas e nas redes sociais. O novo momento encerra uma etapa marcada pelas limitações da pré-campanha e tende a aumentar a diferenciação entre os concorrentes.
Até este sábado, pré-candidatos podiam participar de entrevistas, debates, encontros partidários, apresentar propostas e buscar apoio político, desde que não houvesse pedido explícito de voto. A partir de domingo, essa restrição deixa de existir nos meios autorizados pela legislação eleitoral, abrindo espaço para slogans, jingles, santinhos, adesivos e mensagens mais diretas de convencimento.
A mudança também deve atingir o conteúdo político das campanhas, que até agora estiveram concentradas na formação de alianças, definição das chapas e apresentação inicial dos projetos. Com o período eleitoral oficialmente aberto, cresce a tendência de comparação entre propostas, críticas aos adversários e disputa mais clara por temas e segmentos do eleitorado.
Em Goiás, essa virada coincide com os primeiros atos oficiais das candidaturas ao governo. Daniel Vilela (MDB), Marconi Perillo (PSDB) e Wilder Morais (PL) programaram agendas para domingo, enquanto Luis Cesar Bueno (PT) estará em São Paulo para participar do lançamento da campanha presidencial de Lula.
A legislação permite a realização de caminhadas, passeatas, carreatas e comícios, dentro das regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral. Carros de som e minitrios continuam submetidos a restrições e só podem ser utilizados nas situações previstas pela norma, como em carreatas, caminhadas, reuniões e comícios.
Os materiais impressos também passam a ganhar maior presença na campanha, com distribuição de santinhos e outras peças permitida até a véspera da eleição. O material precisa trazer as identificações exigidas pela legislação, incluindo os responsáveis pela contratação e pela confecção, além da tiragem. Outdoors permanecem proibidos.
Redes ganham peso
Com o pedido de voto liberado, a internet tende a concentrar uma parcela importante da primeira fase da campanha, especialmente antes da estreia do horário eleitoral no rádio e na televisão. Candidatos, partidos, federações e coligações poderão utilizar redes sociais, sites, blogs e aplicativos de mensagens, observadas as exigências de identificação previstas pela Justiça Eleitoral.
A propaganda paga na internet continua proibida como regra geral, mas a legislação admite o impulsionamento de conteúdos contratados pelos atores autorizados. Também permanecem vedados os disparos em massa sem consentimento dos destinatários, prática que pode resultar em responsabilização eleitoral.
O uso de inteligência artificial será outro ponto de atenção neste ano. Conteúdos sintéticos ou significativamente alterados por IA precisam ser identificados de forma clara, enquanto deepfakes e manipulações destinadas a desinformar o eleitor seguem proibidas.
Como o horário eleitoral gratuito começa somente em 28 de agosto, as campanhas terão quase duas semanas em que a disputa estará concentrada principalmente nas agendas de rua, nas redes sociais e na repercussão espontânea. Esse intervalo funcionará como o primeiro teste dos discursos que cada candidatura pretende levar adiante ao longo da eleição.









