A menos de cinco meses do início oficial da campanha eleitoral, Goiás permanece como um dos três estados brasileiros em que o Partido dos Trabalhadores (PT) ainda não definiu quem será seu candidato ao governo estadual. Ao lado de Minas Gerais e Tocantins, o estado integra a lista de pendências da direção nacional petista, situação que tem provocado inquietação entre filiados e lideranças locais.
Nos últimos dias, um novo nome ganhou força nos bastidores da legenda. Após reunião com o presidente nacional do PT, Edinho Silva, o empresário e produtor rural Flávio Faedo confirmou que foi convidado para disputar o Palácio das Esmeraldas e admitiu que avalia a possibilidade.
Faedo, que atua no setor agropecuário em Rio Verde, passou a ser visto pela cúpula petista como uma alternativa para reduzir a resistência histórica enfrentada pelo partido junto ao agronegócio goiano, um dos segmentos mais influentes da economia estadual e tradicionalmente distante da esquerda.
Embora ainda não tenha tomado uma decisão definitiva, o empresário afirmou que o interesse pela candidatura cresceu após as conversas com dirigentes partidários. Segundo ele, a definição deverá ocorrer nas próximas semanas. Um dos fatores que ainda pesam na decisão é o impacto que uma disputa majoritária teria sobre seus negócios e sobre a família.
A movimentação ocorre após a deputada federal Adriana Accorsi, considerada o nome petista com melhor desempenho nas pesquisas internas, descartar a candidatura ao governo por motivos pessoais. Segundo informações divulgadas pela Folha de S.Paulo, a parlamentar teria indicado Faedo como alternativa para representar o partido na disputa estadual.
A construção dessa alternativa já foi detalhada pelo jornalista Domingos Ketelbey, e publicada aqui no Tribuna do Planalto. Segundo o colunista, a aproximação entre Faedo e a direção petista ganhou força nos últimos meses diante da avaliação de que os nomes tradicionais da legenda não conseguiram ampliar a competitividade do partido para 2026.
A mudança de estratégia expôs divergências internas. Também de acordo com informações publicadas por Ketelbey, o jornalista Cláudio Curado, que até então mantinha pré-candidatura ao governo, retirou seu nome da disputa interna e passou a defender que Adriana Accorsi assumisse a candidatura petista. Em carta enviada a militantes, Curado afirmou que o partido perdeu tempo na definição da chapa e argumentou que seria difícil tornar competitivos nomes ainda pouco conhecidos do eleitorado em um prazo reduzido.
Enquanto o debate interno continua, o PT já consolidou uma frente de apoio composta por partidos do campo progressista, incluindo PCdoB, PV, PSOL, Rede, PSB e PDT. O objetivo é garantir um palanque para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Goiás, estado onde o petista obteve cerca de 40% dos votos válidos no segundo turno da eleição presidencial de 2022.
Nos bastidores, a expectativa é de que a direção nacional acelere a definição da candidatura nas próximas semanas para evitar o prolongamento das incertezas e permitir o início da construção eleitoral para a disputa de 2026.














