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Goiás inicia estratégia inovadora Wolbachia para conter mosquito da dengue em Valparaíso e Luziânia

Método utiliza mosquitos Aedes aegypti com bactéria que impede a transmissão de dengue, zika e chikungunya; Estado já registra mais de 72 mil casos da doença em 2025


Redação Tribuna do Planalto Por Redação Tribuna do Planalto em 14/07/2025 - 08:20

Foto: Wolbito Legenda: Soltura dos mosquitos com Wolbachia está prevista para o segundo semestre do ano, em Valparaíso de Goiás e Luziânia

O Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES-GO), anunciou a adoção do Método Wolbachia como estratégia complementar no combate ao mosquito da dengue, Aedes aegypti. A ação será iniciada no segundo semestre deste ano nos municípios de Valparaíso de Goiás e Luziânia, no Entorno do Distrito Federal.

A tecnologia consiste na liberação de mosquitos chamados Wolbitos, infectados com a bactéria natural Wolbachia, que impede o desenvolvimento dos vírus da dengue, zika e chikungunya dentro do mosquito. Ao se reproduzirem, esses mosquitos transmitem a bactéria para as próximas gerações, o que reduz gradualmente a transmissão das doenças na região.

A iniciativa é conduzida pela Fiocruz, em parceria com o Ministério da Saúde, e operacionalizada pela Wolbito do Brasil, empresa que administra a maior biofábrica de Wolbachia do mundo.

Situação da dengue em Goiás

Segundo a SES, até julho de 2025, Goiás já notificou 123.218 casos de dengue, dos quais 72.331 foram confirmados. O Estado contabiliza ainda 53 mortes confirmadas e outras 79 em investigação. Apesar da redução de 69% nos registros em relação ao mesmo período de 2024, autoridades reforçam que o combate ao mosquito transmissor deve continuar.

“Mesmo com a nova estratégia, é essencial manter os cuidados tradicionais, como a eliminação de criadouros. Não há diferença visual entre o mosquito comum e o com Wolbachia”, alerta Flúvia Amorim, subsecretária de Vigilância em Saúde da SES.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o uso do Método Wolbachia, que já foi implantado com sucesso em diversas cidades brasileiras e em 14 países. Em Niterói (RJ), por exemplo, os dados preliminares apontam uma redução de até 70% nos casos de dengue após a liberação dos Wolbitos.

De acordo com Gabriel Sylvestre, gerente de implementação da Wolbito do Brasil, os resultados mais expressivos costumam ser observados em até dois anos após o início da estratégia. “Na prática, porém, já se nota impacto positivo na estação de dengue seguinte à liberação dos mosquitos”, explica.

O método é considerado seguro, natural, sustentável e não envolve modificação genética. A Wolbachia está presente naturalmente em cerca de 60% dos insetos do planeta, e foi identificada como bloqueadora dos vírus transmitidos pelo Aedes aegypti em 2008.

 

Redação Tribuna do Planalto

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