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Governo Lula acelera negociação com UE para tentar reverter veto à carne brasileira

Restrição sanitária entra em vigor em setembro e pode atingir bilhões em exportações ao bloco europeu


Avatar Por Redação Tribuna do Planalto em 07/06/2026 - 14:57

Governo do Brasil corre contra o tempo para dialogar com UE e evitar restrição a comercialização da carne bovina e produtos de origem animal (Foto: Divulgação)

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou as negociações com a União Europeia para tentar reverter, antes de setembro, o veto sanitário a carnes e produtos de origem animal do Brasil. A restrição entra em vigor no dia 3 e ameaça um mercado estimado em cerca de R$ 9 bilhões por ano.

A ofensiva ocorre em duas frentes. No campo diplomático, o chanceler Mauro Vieira tratou do tema com o comissário europeu de Comércio, Maros Sefcovic, em Paris, à margem de reuniões da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Na área técnica, a missão brasileira em Bruxelas abriu um canal direto com autoridades sanitárias do bloco, com apoio do adido agrícola do Ministério da Agricultura.

O impasse gira em torno da rastreabilidade. A União Europeia retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal por considerar que o país ainda não apresentou garantias suficientes sobre o controle do uso de antimicrobianos na cadeia produtiva.

A avaliação preliminar no governo brasileiro é que o país tem condições de fornecer os dados exigidos pelos europeus. O problema é o tamanho da operação. Com uma pecuária de larga escala, o Brasil terá de demonstrar origem, controle sanitário e conformidade ao longo da cadeia para atender ao padrão cobrado pelo bloco.

No curto prazo, técnicos também analisam o ritmo das exportações brasileiras para o mercado europeu. A dúvida é se o país conseguirá esgotar, antes de setembro, a cota de carne bovina que entra na União Europeia com tarifa reduzida ou zerada.

Se esse volume for utilizado antes da entrada em vigor da restrição, o impacto econômico em 2026 pode ser menor. Fora da cota, as tarifas europeias já reduzem a competitividade da carne brasileira, o que limita parte do dano imediato. O governo ainda avalia se o ritmo atual dos embarques sustenta esse cenário.

A decisão europeia foi recebida com irritação em Brasília. Em nota conjunta, o Itamaraty e os ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços afirmaram ter recebido a medida “com surpresa” e prometeram adotar “todas as medidas necessárias” para recolocar o Brasil na lista de países autorizados.

O governo também sustenta que as exportações seguem normalmente até setembro e que não há impacto imediato sobre o fluxo comercial. A meta é chegar ao prazo com o impasse encaminhado ou revertido.

A União Europeia é um dos mercados de maior valor para proteínas brasileiras. Segundo dados atribuídos ao Ministério da Agricultura, em 2025 o bloco comprou 368,1 mil toneladas de carnes brasileiras, em negócios que somaram US$ 1,8 bilhão, o equivalente a aproximadamente R$ 9,3 bilhões na cotação atual.

A exigência europeia não significa, por si só, que a carne brasileira esteja contaminada por medicamentos. O ponto central é regulatório: Bruxelas cobra comprovação documental de que os produtos exportados ao bloco cumprem integralmente as regras sobre uso de antimicrobianos.

Para o Brasil, o caso tem peso econômico e político. A restrição foi formalizada em meio à implementação do acordo Mercosul-União Europeia, justamente quando o governo tenta apresentar o pacto como oportunidade de ampliação de mercados.

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