A prestação de contas do 2º quadrimestre de 2025 do prefeito Sandro Mabel (UB), nesta quinta-feira (2), terminou em confronto com a Câmara Municipal. Após responder ao vereador Cabo Senna (PRTB) sobre a fala em que chamou parlamentares de “malandrinhos”, o prefeito anunciou que deixaria a sessão, alegando ter “uma série de compromissos”. Ele disse que a equipe técnica permaneceria no plenário para prestar esclarecimentos.
O gesto irritou vereadores de diferentes bancadas, que consideraram desrespeito à Casa e à função fiscalizadora do Legislativo. A reação foi ampliada pela ausência de compromissos oficiais na agenda publicada pela Prefeitura.
Como mostrou a Tribuna do Planalto na quarta-feira (1º), a agenda de Mabel não é atualizada de forma regular, em desacordo com normas de transparência previstas na legislação. A vereadora Aava Santiago (PSDB) mencionou a ausência de informação da agenda pública do prefeito no Portal da Transparência.
A Prefeitura de Goiânia foi procurada pela reportagem nesta quarta-feira (1º) e, de novo, nesta quinta-feira (2), mas não respondeu. O secretário da Fazenda, Valdivino de Oliveira, respondeu que “está em branco porque o prefeito não tem agenda interna nas quintas-feiras”.
Durante uma hora e meia, Mabel rememorou o discurso de calamidade financeira e apontou superávit primário de R$ 678 milhões, o melhor em pelo menos cinco anos.
A saída de Mabel
Antes de se retirar, o prefeito afirmou ter cumprido seu papel ao apresentar os dados fiscais e delegou aos auxiliares o detalhamento técnico. “Eu vejo que essa reunião já cumpriu seu papel, de expor os dados. A parte técnica dos dados, o secretário Valdivino pode expor. Eu não gostaria de continuar, estou agradecendo vocês, e nossa equipe técnica está aí para qualquer esclarecimento possível. Eu peço licença para me retirar porque tenho uma série de compromissos”, declarou.
A vereadora Aava Santiago (PSDB) pediu a suspensão da prestação de contas e criticou duramente a atitude do prefeito. “Não é razoável que a gente ouça uma apresentação de uma hora e meia e o prefeito tenha algum compromisso mais importante do que responder as dúvidas dos vereadores. Existem perguntas que são para o chefe, não para os secretários”, disse, lembrando ainda que servidores da Prefeitura aplaudiram o prefeito no momento da saída.
Lucas Vergílio (MDB) questionou a justificativa de Mabel e apontou contradição. “Minha questão de ordem é indagar ao prefeito qual é a agenda que ele tem agora que impossibilita sua permanência aqui na Câmara. Acredito que não deveria sequer ter marcado outro compromisso, porque esta é uma obrigação institucional”, afirmou.
Da tribuna, Coronel Urzêda (PL) considerou a saída “uma falta de respeito” e anunciou que vai propor mudança na lei para obrigar a presença do prefeito até o fim das prestações de contas. “Falou o que quis, tem que ouvir também. O secretário não é eleito pelo povo, o prefeito é. Nós vamos alterar a legislação para que a prestação seja feita pelo prefeito e obrigatoriamente ele permaneça no plenário”, declarou.
Ex-líder do prefeito, Igor Franco (MDB) disse que a saída é um ato de “covardia” e disse que algumas questões devem ser respondidas pelo Chefe do Executivo. “Cadê o senhor prefeito para responder? Não está aqui”, afirmou.

Agenda sob questionamento
Na véspera da prestação de contas, a Tribuna do Planalto mostrou que a agenda oficial de Sandro Mabel não registrava compromissos detalhados nos últimos meses, sendo preenchida quase sempre com anotações genéricas de “despachos internos” e “despachos externos”. No dia da sessão, não havia qualquer compromisso listado.
Após questionamento da reportagem, a página chegou a ser atualizada com registros vagos, mas a prática de ocultar informações contraria a Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527/2011), que obriga a divulgação de agendas de autoridades como dado de interesse público.
A fuga de Mabel tende a aprofundar o desgaste entre Executivo e Legislativo e expõe a fragilidade da comunicação institucional da Prefeitura.
Confusão
Durante a saída do prefeito, houve discussão entre o vereador Igor Franco (MDB) e o ex-vereador Bill Guerra (MDB). Bill afirmou que estava sendo ameaçado no plenário por causa de emendas impositivas, e deixou o espaço após intervenção do presidente da Mesa.















