Os médicos que atuam no Hospital e Maternidade Municipal Célia Câmara, em Goiânia, anunciaram greve de 48 horas nos atendimentos da unidade a partir das 7h de segunda-feira (9) até as 7h de quarta-feira (11). A decisão foi tomada em assembleia realizada pelo Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás (Simego) na noite desta terça-feira (3), devido à atraso nas remunerações pela nova organização social que administra o hospital.
Segundo o sindicato, a paralisação foi motivada pelo não atendimento das reivindicações apresentadas aos gestores da unidade, sendo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e a Sociedade Beneficente São José, responsável pela gestão, e empresas terceirizadas. Entre os pontos cobrados estão o pagamento imediato das remunerações em atraso e a garantia de recursos humanos e materiais adequados para o atendimento à população.
De acordo com o Simego, os atendimentos eletivos serão suspensos durante o período da paralisação. Os serviços classificados como urgência e emergência serão mantidos, conforme determina a legislação. O sindicato afirma ainda que os atendimentos somente serão retomados integralmente após o cumprimento das reivindicações apresentadas pelos médicos que atuam na unidade.
Vereadores cobram ação
O assunto também foi levado à tribuna da Câmara Municipal de Goiânia nesta quarta-feira (4), com denúncia do vereador Coronel Urzêda (PL), que mencionou atraso no pagamento de trabalhadores da maternidade e afirmou que profissionais teriam recebido o salário referente a dezembro apenas neste mês de março, enquanto o pagamento de janeiro ainda estaria pendente.
“Os médicos e os servidores ali só receberam o mês de dezembro agora em março porque ameaçaram greve. E nós estamos em março e o mês de janeiro ainda não foi pago”, afirmou o parlamentar, ao cobrar esclarecimentos da Secretaria Municipal de Saúde e da organização social responsável pela gestão da unidade.
Durante o debate, o vereador Pedro Azulão Jr. (MDB) informou que entrou em contato com o secretário municipal de Saúde, Luiz Pellizzer, e disse ter sido informado de que há um atraso pontual. “Realmente tem um atraso lá de cinco dias. Eles estão na mesa resolvendo essa demanda e acredito que essa semana já será resolvida”, afirmou.
Resposta
Em nota enviada à Tribuna do Planalto, a Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia afirmou que os pagamentos às organizações sociais responsáveis pela gestão das maternidades municipais foram realizados dentro do prazo acordado e que não há valores em aberto com as instituições.
“A Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia informa que os pagamentos às organizações sociais gestoras das maternidades municipais foram realizados rigorosamente dentro do prazo acordado e que não possui valores em aberto com as instituições. A pasta monitora a disponibilidade e qualidade da assistência oferecida nas três maternidades”, diz o posicionamento.
Procurada pela reportagem, a Sociedade Beneficente São José, organização social responsável pela administração do Hospital e Maternidade Célia Câmara, afirmou em nota que mantém diálogo com a categoria e atua para assegurar assistência médica.
Nota – Maternidade Célia Câmara
A Maternidade Célia Câmara informa que tem conhecimento da deliberação de paralisação anunciada pelo Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás (SIMEGO) e mantém diálogo aberto com os profissionais e suas entidades representativas.
A unidade segue funcionando e organizada para garantir a assistência às gestantes, puérperas e recém-nascidos atendidos pelo SUS, com manutenção dos atendimentos e prioridade absoluta à segurança da população.
A Maternidade reafirma seu compromisso com a transparência, o diálogo institucional e a busca de soluções responsáveis para a situação.
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