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O Goiás de hoje é o Vila de ontem

O sonho de Paulo Rogério Pinheiro é ser o Hailé Pinheiro dos tempos atuais. Não é e não será


Herivelto Nunes Por Herivelto Nunes em 24/09/2026 - 08:21

Tadeu, contra o Atlético, compketa 405 jogos com a camisa do Goiás
Tadeu, contra o Atlético, compketa 405 jogos com a camisa do Goiás

A comparação pode não agradar o torcedor esmeraldino, mas é a pura verdade. No passado, o Vila vivia endividado, atrasava salários, não pagava nem o consumo de água e energia elétrica junto às concessionárias, seu departamento jurídico vivia entupido de ações judiciais de ex-jogadores e fornecedores. Em campo, sempre foi o maior freguês do Goiás, que ainda hoje mantém uma vantgagem enorme de vitórias sobre o Vila Nova, vantagem essa conquistada na fase pobre do colorado. O Vila era desorganizado. Um ditado dizia que, “se o Vila se organizasse, acabaria”. Uma mentira, pois o Vila se organizou e não acabou, pelo contrário, cresceu muito.

O Goiás fez o caminho contrário. De clube respeitado nacionalmente por sua organização, pagamentos em dia, melhor estrutura e conquistas em campo, o Goiás e se tornou uma agremiação desorganizada, com salários atrasados, mal administrada, que deixou a Série A para se tornar um time de série B, sem capacidade para retornar à elite do futebol brasileiro. É um time sem poder de investimento, que garimpa jogadores em times pequenos e desconhecidos, que chegam como poromessas e são contratados sem a necessidade de fazer investimentos, porque a situação do clube esmeraldino não permite contratações que exigem o desembolso de qualqauer valor.

O “tiro de misericórdia” poderá ser endereçado ao Goiás ainda esse ano, caso o Vila conquiste o acesso à série A, o que está muito próximo de acontecer. O Vila vai participar do banquete do futebol brasileiro, onde o alviverde sempre esteve. A diferença é que o Vila sempre foi pobfre, nunca soube o que é a riqueza no futebol. Está maravilhado com a liderança da série B, os elogios da imprensa nacional, e aproximação da realização do grande sonho de subir para a série A. Já o Goiás, que foi rico, hoje é pobre. Essa situação é revoltante. Quem já foi pobre, se adapta facilmente com a riqueza. Quem foi rico um dia, sofre muito e não aceita a pobreza.

Mas o Goiás pode voltar a ser grande. Para isso, precisa fazer mudanças profundas em sua gestão. Paulo Rogério Pinheiro e Aroldo Guidão, junto com os demais membros da atual gestão precisam deixar o Goiás. Eles já demonstraram que não são capazes de dirigir a agremiação esmeraldina. O sonho de Paulo Rogério Pinheiro é ser o Hailé Pinheiro dos tempos atuais. Não é e não será. Hailé era muito mais competente, construiu o Goiás e o tornou grande. Hailé Pinheiro nunca escondeu que não queria Paulo Rogério Pinheiro na presidência do Goiás. Nas empresas de Hailé, Paulo Rogério sempre foi mais problema do que solução.

CT Vila do Tigre, exemplo do crescimento do colorado
CT Vila do Tigre, exemplo do crescimento do colorado

Para não ver o Vila se distanciar e ser em breve o maior clube do Estado de Goiás, a oposição esmeraldina precisa aparecer, se manifestar, exigir mudanças no estatuto que permita a participação de chapas de oposição nas próximas eleições. Hailé Pinheiro montou um grupo de conselheiros aptos ao voto, que nunca permitiu a aproximação de opositores. Paulo Rogério mantém esse sistema, com a diferença de que Hailé era competente para montar os quadros diretivos do Goiás. Mandava, muitas vezes, sem ter cargo. Mas estava sempre por perto. Ocupou por várias vezes o cargo de presidente executivo, outras vezes como presidente do Conselho Deliberativo, outras vezes de longe, mas tudo sob seu controle. Paulo Rogério tenta imitá-lo. Foi presidente executivo e fracassou, agora é presidente do Conselho Deliberativo e o Goiás desce a ladeira, com destino incerto. Em resumo, Paulo Rogério nunca vai ser o Hailé Pinheiro dos tempos atuais, como sonha. O Goiás precisa ser renovado, outros nomes precisam aparecer para tirar o clube da Serrinha dessa triste realidade.

CURTAS

* O goleiro Tadeu se iguala ao zagueiro Ernando em números de jogos realizados com a camisa titular do Goiás. No clássico contra o Atlético, no próximo sábado, Tadeu completa 405 jogos defendendo o alviverde da Serrinha.

Marrony deve voltar no clássico de sábado contra o Goiás
Marrony deve voltar no clássico de sábado contra o Goiás

* O atacante Marrony, que ficou fora dos últimos jogos do Atlético por motivo de contusão, voltou aos treinamentos e pode aparecer no time titular na partida de sábado contra o Goiás.

* Marrony sentiu dores no púbis enquanto fazia aquecimento antes do jogo contra o Ceará, e desfalcou o Dragão em três partidas, contra o próprio Ceará, Criciúma e na derrota para o São Bernardo na última rodada.

* Enquanto Marrony se recupera, o volante Leandro Vilela sente dores musculares e deve desfalcar o Dragão no clássico contra o Goiás. O zagueiro Adriano Martins também é dúvida.

* No Goiás, Anselmo Ramom passa pela transição física e pode ser relacionado para enfrentar o Atlético Goianiense no sábado. O centroavante não entra em campo há mais de um mês e está em fase final de recuperação de uma lesão muscular.

* O Atlético é o clube que Anselmo Ramon mais enfrentou. Foram 18 jogos e 10 gols marcados, três na atual temporada. Para o clássico, o técnico Mozart Santos poderá contar cosm o volante Filipe Machado, que cumpriu suspensão automática, mas terá a ausência de Lucas Rodrigues, servindo a seleção brasileira Sub-20.

 

Herivelto Nunes

Herivelto Nunes é Jornalista, com Pós Graduação em Gestão de Pessoas, Liderança e Coaching

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