Uma brincadeira tradicional e capaz de aproximar diferentes gerações pode se transformar em um acidente grave quando realizada perto da rede elétrica. Com a chegada do período seco e a presença de ventos, a Equatorial Goiás reforçou as orientações para quem pretende soltar pipa em Goiânia.
Entre os locais indicados pela concessionária como opções estão o Centro Cultural Oscar Niemeyer, a Praça do Remo, no Setor Santa Genoveva, áreas abertas na região do Jardim Curitiba e espaços nas proximidades do Polo Industrial de Aparecida de Goiânia.
A indicação de uma área, contudo, não significa que qualquer ponto desses locais seja automaticamente seguro. Antes de soltar a pipa, é necessário verificar a presença de postes, redes de energia, árvores, avenidas, ciclistas, motociclistas e outras pessoas.
O espaço também pode receber eventos ou apresentar condições diferentes dependendo do dia. Pais e responsáveis devem avaliar o local e manter a supervisão das crianças durante toda a brincadeira.
A orientação é escolher campos de futebol, praças e terrenos amplos que estejam distantes da fiação e de moradias. Aeroportos e aeroclubes também devem ser evitados.
Direção do vento precisa ser observada
A executiva de Segurança do Trabalho da Equatorial Goiás, Suzane Caires, explica que não basta estar em um campo aberto. É preciso observar para onde o vento poderá carregar a pipa.
“Em sua cidade, procure áreas sem rede próxima, como campos de futebol ou campos abertos maiores que 500 metros, e tome cuidado com a direção do vento, para que a pipa não seja levada para os fios”, orienta.
A referência a áreas abertas com pelo menos 500 metros integra a Lei Distrital nº 7.469/2024, aplicada no Distrito Federal. Em Goiânia, a legislação municipal estabelece a proibição de materiais cortantes e prevê a disponibilização de locais públicos adequados para a prática.
Mais de mil ocorrências em Goiás
A preocupação é sustentada pelo número de atendimentos registrados pela concessionária. Em 2025, foram contabilizadas 1.002 ocorrências causadas pelo contato de pipas com a rede elétrica em Goiás.
A Região Metropolitana de Goiânia concentrou 510 casos, representando 51,31% de todas as ocorrências do estado. Goiânia liderou o ranking regional, com 231 registros.
Aparecida de Goiânia aparece em seguida, com 190 casos. Senador Canedo teve 43 ocorrências, Trindade registrou 35 e Goianira contabilizou 11.
No Entorno do Distrito Federal foram 172 registros. Novo Gama apresentou 56 casos; Valparaíso de Goiás, 55; Águas Lindas de Goiás, 27; Planaltina, 24; e Formosa, dez.
Quando uma pipa atinge a fiação, pode provocar interrupção do fornecimento, curto-circuito, choque e incêndio. Uma única ocorrência também pode afetar diversos imóveis atendidos pelo mesmo trecho da rede.
Cerol pode gerar multa de R$ 10 mil
O uso de cerol, linha chilena ou qualquer outro material cortante é proibido em Goiânia. A regra está na Lei Municipal nº 8.832, que passou por alterações desde a publicação, em 2009.
A proibição alcança a produção, comercialização, armazenamento, transporte, distribuição e utilização desses produtos. A norma considera cerol qualquer mistura de cola com vidro, ferro ou outro material aderido à linha com finalidade cortante.
Os estabelecimentos flagrados vendendo o material recebem uma advertência na primeira ocorrência e prazo de dez dias para regularização. Na segunda, a multa é de R$ 10 mil, com correção monetária. Uma terceira ocorrência pode resultar na cassação do Alvará de Localização e Funcionamento.
A linha chilena é especialmente perigosa por reunir materiais de alta capacidade cortante. Algumas composições também possuem elementos condutores, como limalha de ferro, ampliando o risco quando ocorre contato com a rede elétrica.
O que fazer se a pipa atingir os fios?
Se a pipa ficar presa ou encostar na fiação, a pessoa deve soltar a linha imediatamente, afastar-se e impedir que outros se aproximem. Não se deve tentar recuperar o objeto, mesmo que pareça estar apenas apoiado sobre um cabo.
“As pipas não devem ser utilizadas próximas à rede elétrica. Caso alguma se entrelace nos fios, não tente retirar de nenhuma forma”, reforça o gerente do Centro de Operações Integradas da Equatorial Goiás, Vinicyus Lima.
O uso de cabos, varas ou objetos metálicos para alcançar a pipa pode provocar choque fatal. Também é proibido subir em postes, muros ou árvores próximas da rede.
Se houver queda de energia, choque, curto-circuito ou princípio de incêndio, a concessionária deve ser acionada. Uma equipe será encaminhada para retirar o objeto e, quando necessário, restabelecer o fornecimento.
Canais de atendimento
Os consumidores podem comunicar ocorrências à Equatorial Goiás pelos seguintes canais, disponíveis 24 horas:
- WhatsApp da assistente virtual Clara: (62) 3243-2020;
- Agência Virtual: Equatorial Energia;
- Aplicativo Equatorial Energia, para Android e iOS;
- Central de Atendimento: 0800 062 0196.
Em situações com vítima, fogo ou risco imediato à população, também devem ser acionados o Corpo de Bombeiros, pelo telefone 193, e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, pelo 192.
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