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Participação de igrejas no debate do Plano Diretor de Anápolis levanta questionamentos

Lideranças religiosas apresentaram sugestões sobre regras urbanísticas durante reunião da comissão especial da Câmara


Por Carlos Nathan Sampaio em 11/03/2026 - 14:20

Participação de igrejas no debate do Plano Diretor de Anápolis levanta questionamentos
(Foto: Reprodução)

A participação de representantes de igrejas no processo de revisão do Plano Diretor de Anápolis marcou a reunião da Comissão Especial realizada na tarde desta terça-feira (10), na sala anexa ao Plenário Teotônio Vilela da Câmara Municipal. O encontro, porém, que reuniu vereadores, técnicos e lideranças religiosas que apresentaram sugestões relacionadas às regras de ocupação urbana do município, gera questionamentos sobre o por quê igrejas, principalmente evangélicas tem tanto interesse no assunto.

Entre os temas discutidos estavam normas de ocupação de terrenos, recuos obrigatórios nas construções, exigências de vagas de estacionamento e a aplicação da chamada outorga onerosa (instrumento urbanístico onde a prefeitura permite que construtores edifiquem acima do coeficiente de aproveitamento básico, mediante pagamento ou contrapartida). A reunião foi coordenada pelo presidente da comissão, vereador Wederson Lopes (UB), e contou também com a presença da presidente da Câmara, Andreia Rezende (Avante), além dos vereadores Rimet Jules (PT), Cleide Hilário (Republicanos), Reamilton do Autismo (Podemos), Elias do Nana (PSD), Alex Martins (PP) e Policial Federal Suender (PL).

Durante o debate, o presidente da Assembleia de Deus em Anápolis, pastor José Clarimundo César, criticou propostas que trabalham com setorização urbana — modelo que delimita áreas específicas para determinadas atividades, como hospitais, indústrias e templos religiosos. Segundo ele, as igrejas deveriam ter liberdade para se instalar em qualquer região da cidade. O pastor também apontou dificuldades para construção de templos em terrenos menores por causa das exigências de recuo.

Já o pastor Márcio Cândido, da Assembleia de Deus Madureira, defendeu que templos religiosos tenham tratamento diferenciado em relação a empreendimentos com fins lucrativos. Ele também sugeriu aumento do limite de construção das naves das igrejas e criticou o custo da outorga onerosa, pedindo que a cobrança fosse retirada.

Representando a Diocese de Anápolis, o advogado Leonardo Guiotti também apresentou ponderações sobre regras relacionadas à construção de templos católicos, como limite de altura de torres, área permeável e recuos.

A reunião também contou com a participação da OAB Anápolis, que encaminhou um documento com sugestões para a revisão do Plano Diretor.

Embora a participação de diferentes setores seja parte importante do processo de revisão da legislação urbana, a presença predominante de representantes de igrejas em discussões sobre regras estruturais da cidade chama atenção. O Plano Diretor é um instrumento que orienta o crescimento urbano e impacta diretamente toda a população, o que torna natural o questionamento sobre a necessidade de ampliar ainda mais o debate com outros segmentos da sociedade.

A proposta de revisão do Plano Diretor de Anápolis deve ser analisada e votada pelos vereadores até junho de 2026. Até lá, a expectativa é que novas reuniões e contribuições ajudem a consolidar as diretrizes que vão orientar o desenvolvimento urbano do município nos próximos anos.

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