A participação de representantes de igrejas no processo de revisão do Plano Diretor de Anápolis marcou a reunião da Comissão Especial realizada na tarde desta terça-feira (10), na sala anexa ao Plenário Teotônio Vilela da Câmara Municipal. O encontro, porém, que reuniu vereadores, técnicos e lideranças religiosas que apresentaram sugestões relacionadas às regras de ocupação urbana do município, gera questionamentos sobre o por quê igrejas, principalmente evangélicas tem tanto interesse no assunto.
Entre os temas discutidos estavam normas de ocupação de terrenos, recuos obrigatórios nas construções, exigências de vagas de estacionamento e a aplicação da chamada outorga onerosa (instrumento urbanístico onde a prefeitura permite que construtores edifiquem acima do coeficiente de aproveitamento básico, mediante pagamento ou contrapartida). A reunião foi coordenada pelo presidente da comissão, vereador Wederson Lopes (UB), e contou também com a presença da presidente da Câmara, Andreia Rezende (Avante), além dos vereadores Rimet Jules (PT), Cleide Hilário (Republicanos), Reamilton do Autismo (Podemos), Elias do Nana (PSD), Alex Martins (PP) e Policial Federal Suender (PL).
Durante o debate, o presidente da Assembleia de Deus em Anápolis, pastor José Clarimundo César, criticou propostas que trabalham com setorização urbana — modelo que delimita áreas específicas para determinadas atividades, como hospitais, indústrias e templos religiosos. Segundo ele, as igrejas deveriam ter liberdade para se instalar em qualquer região da cidade. O pastor também apontou dificuldades para construção de templos em terrenos menores por causa das exigências de recuo.
Já o pastor Márcio Cândido, da Assembleia de Deus Madureira, defendeu que templos religiosos tenham tratamento diferenciado em relação a empreendimentos com fins lucrativos. Ele também sugeriu aumento do limite de construção das naves das igrejas e criticou o custo da outorga onerosa, pedindo que a cobrança fosse retirada.
Representando a Diocese de Anápolis, o advogado Leonardo Guiotti também apresentou ponderações sobre regras relacionadas à construção de templos católicos, como limite de altura de torres, área permeável e recuos.
A reunião também contou com a participação da OAB Anápolis, que encaminhou um documento com sugestões para a revisão do Plano Diretor.
Embora a participação de diferentes setores seja parte importante do processo de revisão da legislação urbana, a presença predominante de representantes de igrejas em discussões sobre regras estruturais da cidade chama atenção. O Plano Diretor é um instrumento que orienta o crescimento urbano e impacta diretamente toda a população, o que torna natural o questionamento sobre a necessidade de ampliar ainda mais o debate com outros segmentos da sociedade.
A proposta de revisão do Plano Diretor de Anápolis deve ser analisada e votada pelos vereadores até junho de 2026. Até lá, a expectativa é que novas reuniões e contribuições ajudem a consolidar as diretrizes que vão orientar o desenvolvimento urbano do município nos próximos anos.














