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PDT pede à Justiça Eleitoral para impedir PL de usar imagem e legado de Iris Rezende

Presidente estadual da sigla, Kowalsky Ribeiro afirma que iniciativa busca evitar associação entre trajetória do ex-governador e projeto político do PL; Coronel Urzêda critica ação e vê perseguição a Ana Paula Rezende


Lucas de Godoi Por Lucas de Godoi em 09/07/2026 - 10:21

Kowalsky Ribeiro, presidente estadual do PDT
Kowalsky Ribeiro, presidente estadual do PDT, afirma que ação busca impedir associação do legado político de Iris ao PL (Foto: Divulgação)

O PDT ingressou no Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) com uma ação para impedir o PL de utilizar a imagem, falas, vídeos e o legado político do ex-governador Iris Rezende Machado em propagandas partidárias e eleitorais. A iniciativa ocorre após Ana Paula Rezende, filha do ex-governador e de Dona Iris Araújo, se filiar ao PL e ser apresentada como pré-candidata a vice-governadora na chapa liderada pelo senador Wilder Morais.

Em entrevista à Tribuna do Planalto, o presidente estadual do PDT, Kowalsky Ribeiro, afirmou que a ação não busca impedir Ana Paula de mencionar a própria história familiar, mas evitar que o PL utilize a trajetória política de Iris Rezende para se apresentar ao eleitorado como herdeiro dos valores defendidos pelo ex-governador.

Segundo Kowalsky, há uma incompatibilidade política e histórica entre a trajetória de Iris Rezende, marcada pela participação no movimento das Diretas Já, pela defesa da redemocratização e pela atuação no campo trabalhista, e o projeto político representado atualmente pelo PL.

“O PDT se insurge contra o PL utilizar a imagem de Iris Rezende, utilizar a força de Iris Rezende com essa vinculação popular e trabalhista, levando o eleitor a acreditar que o PL é um partido democrático e que defende os ideais de Iris Rezende”, afirmou.

O dirigente sustenta que a utilização da imagem do ex-governador pode induzir parte do eleitorado a associar ao PL valores e posições políticas que, na avaliação do partido, não correspondem à atuação da legenda. Kowalsky classificou como um “erro histórico” a filiação de Ana Paula ao PL e disse que a iniciativa judicial tem caráter de orientação ao eleitorado identificado com Iris Rezende e com o campo democrático e trabalhista.

“Estou mostrando para o eleitorado da frente democrática que Iris Rezende, colocado pela Ana Paula dentro do PL, não é um caminho para nós, não é uma solução para nós”, declarou.

Questionado se a iniciativa poderia beneficiar candidaturas adversárias do PL no campo da direita, Kowalsky negou que o objetivo seja favorecer um nome específico na disputa pelo governo estadual. Segundo ele, a intenção é disputar politicamente o eleitorado que acompanhou Iris Rezende e evitar que esse grupo seja atraído pela candidatura de Wilder Morais e Ana Paula.

O dirigente também citou as relações políticas mantidas por Iris Rezende ao longo da carreira com partidos e lideranças de centro e centro-esquerda. Segundo Kowalsky, o ex-governador manteve diálogo com o PT e com o presidente Lula e construiu sua trajetória política em um campo distinto daquele ocupado atualmente pelo PL.

Na pauta 

Após a ação foi protocolada e distribuída no TRE-GO, Kowalsky diz ter conversado com o relator para apresentar o contexto histórico da trajetória de Iris Rezende e a tradição política do PDT. A expectativa da legenda é que a Justiça Eleitoral proíba os diretórios estadual e nacional do PL de utilizar imagens, vídeos, falas ou referências à trajetória política do ex-governador em peças de propaganda partidária e eleitoral.

Kowalsky citou como exemplo a utilização, em evento partidário, de uma fotografia de Iris Rezende durante o movimento das Diretas Já. Para ele, a associação entre a imagem histórica e o PL transmite ao eleitor uma mensagem política incompatível com a trajetória do ex-governador.

“Como se coloca uma foto de Iris Rezende defendendo as Diretas Já, a participação popular e o povo na rua em um partido que, na nossa avaliação, representa outro projeto político? É isso que estamos pedindo à Justiça Eleitoral, que não autorize o uso da imagem, da fala e de vídeos de Iris Rezende em propaganda partidária ou eleitoral vinculada ao PL”, afirmou.

Vereador critica ação e vê perseguição política

A iniciativa do PDT provocou reação na Câmara Municipal de Goiânia nesta quinta-feira (9), com discurso no plenário do vereador Coronel Urzêda (PL), que classificou como “vileza” a tentativa de impedir Ana Paula de associar sua atuação política à história dos pais.

“Vai associar a imagem a quem, então? Vai ter que mudar o nome?”, questionou.

O vereador afirmou que Ana Paula era bem recebida por diferentes grupos políticos antes de deixar o MDB e se filiar ao PL. Segundo Urzêda, as críticas começaram depois da mudança partidária e chegaram a afetar compromissos de parlamentares com o Instituto Iris Rezende Machado.

De acordo com o vereador, deputados estaduais e vereadores que haviam manifestado intenção de destinar emendas ao instituto teriam desistido após a filiação de Ana Paula ao PL. “Ela era perfeita até estar no MDB. Foi só ir para o PL, tomar uma posição diferente, que começaram a falar mal da Ana Paula e questionar a família dela. Isso é mesquinho”, declarou.

O vereador Anselmo Pereira (MDB) defendeu a iniciativa do instituto e disse que o ambiente político não pode ser contaminado. “Não pode misturar alho com bugalhos”, colocou. Markim Goyá também defendeu que Ana Paula possa usar o nome e história dos pais.

Urzêda também vinculou as críticas à movimentação eleitoral de Wilder Morais e Ana Paula Rezende. Segundo ele, adversários demonstram preocupação com o crescimento da pré-candidatura do PL e com o início de uma agenda de visitas a municípios goianos.

“Por que esse desespero? O Wilder não está em terceiro, segundo as pesquisas?”, questionou Urzêda, antes de anunciar que o grupo político iniciará uma série de visitas a 21 municípios do Estado.

Para o vereador, a tentativa de restringir o uso da imagem de Iris Rezende ultrapassa a disputa sobre propaganda eleitoral e representa uma reação política à decisão de Ana Paula de construir sua candidatura ao lado do PL.

A reportagem tenta contato com Ana Paula Rezende para repercutir a ação.

O TRE-GO ainda não analisou o mérito do pedido apresentado pelo PDT.

Leia mais:
Ana Paula Rezende publica carta aos iristas após saída do MDB: “Legado Iris é coletivo”

Lucas de Godoi

Jornalista formado pela PUC Goiás. Na Tribuna do Planalto, cobre administração pública e os principais desdobramentos do cenário político em Goiás.

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