O combate às arboviroses, como dengue, zika e chikungunya, segue sendo um dos grandes desafios da saúde pública no Brasil. Transmitidas principalmente pelo mosquito Aedes aegypti, essas doenças afetam milhões de pessoas todos os anos, com impacto ainda maior sobre populações mais vulneráveis. Diante desse cenário, um projeto de pesquisa liderado pela professora Stephânia Fleury Taveira, da Universidade Federal de Goiás (UFG), vem chamando atenção ao propor uma solução inovadora, sustentável e alinhada às necessidades da sociedade: o desenvolvimento de repelentes a partir de compostos naturais extraídos da casca de frutas cítricas, aliados a tecnologias avançadas de formulação.
O projeto de pesquisa é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás e a principal inovação do projeto está em identificar e desenvolver novas moléculas e formulações tópicas utilizando substâncias de origem natural. A proposta é oferecer uma alternativa que complemente as estratégias tradicionais de controle do mosquito, contribuindo diretamente para a prevenção das arboviroses.
A proposta do estudo é desenvolver formulações tópicas mais seguras e eficazes, capazes de complementar as estratégias tradicionais de controle do vetor. O aproveitamento de resíduos agroindustriais também agrega valor ambiental ao projeto, ao transformar subprodutos descartados em matéria-prima para novos produtos. Segundo a coordenadora, o uso de compostos naturais pode representar uma alternativa aos repelentes sintéticos atualmente disponíveis no mercado, ampliando as opções de proteção para uso contínuo na pele.
Repelentes naturais contra arboviroses e nanotecnologia
A pesquisa também envolve o desenvolvimento de sistemas nanotecnológicos de baixo custo para melhorar a estabilidade e a eficácia de substâncias naturais com ação repelente, como o nootkatone. A aplicação da nanotecnologia busca aumentar a segurança e a eficiência das formulações.
Também estão em andamento a aquisição do insumo, a prospecção científica de espécies cítricas com potencial bioativo e a capacitação de estudantes de iniciação científica e pós-graduação.
Outra etapa prevista é a elaboração do projeto a ser submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa, necessária para futuros estudos de repelência em seres humanos. Ajustes em equipamentos laboratoriais essenciais também integram as ações em desenvolvimento.
Benefícios
A expectativa é que a pesquisa resulte em produtos inovadores, de baixo custo, seguros e eficazes, com potencial de produção em maior escala no futuro. Os resultados poderão ampliar as opções de proteção contra mosquitos transmissores de arboviroses.
A iniciativa também contribui para a redução da incidência dessas doenças, especialmente em regiões mais vulneráveis, além de fortalecer a formação de recursos humanos e o desenvolvimento científico em áreas estratégicas como saúde pública, sustentabilidade e inovação.
Apoio da Fapeg
O projeto recebe investimento de R$ 200 mil da Fapeg, por meio do edital nº 18/2025, lançado em parceria com a Secretaria Estadual da Saúde. O recurso viabiliza a compra de insumos, reagentes e solventes necessários às etapas experimentais.
Para a coordenadora, o apoio da Fundação é essencial para o avanço da pesquisa. “Sem esse financiamento, não seria possível manter o rigor científico exigido nem avançar no desenvolvimento de soluções inovadoras para a proteção da população”, afirma.
Além dos resultados científicos, o projeto contribui para a formação de estudantes de graduação e pós-graduação, fortalecendo a pesquisa em áreas estratégicas como nanotecnologia, sustentabilidade e saúde pública.

















