Uma pesquisa realizada pela Universidade Estadual de Goiás identificou a presença de superbactérias resistentes a antibióticos em rios e estações de tratamento de esgoto nas cidades de Anápolis e Goiânia. A descoberta chama a atenção para a circulação desses microrganismos no meio ambiente e seus possíveis impactos indiretos na saúde.
O estudo foi liderado por Igor Romeiro e detectou organismos multirresistentes, incluindo o Staphylococcus aureus, conhecido por sua capacidade de resistir a diferentes tipos de medicamentos utilizados em tratamentos convencionais. Esse tipo de bactéria está entre os principais desafios atuais da saúde global.
As coletas foram feitas em estações de tratamento de esgoto e em corpos hídricos como o Rio Extrema e o Rio Meia Ponte. De acordo com o pesquisador, não foi constatada contaminação na água destinada ao consumo humano. Ainda assim, existem outras formas de exposição que preocupam, como o contato de animais com a água, o uso dos rios para lazer e até a possível dispersão de bactérias pelo ar em áreas próximas às estações.
Outro ponto observado foi a presença de poluentes emergentes nos locais analisados, indicando um cenário mais amplo de pressão ambiental sobre esses ecossistemas. O trabalho recebeu reconhecimento nacional ao ser premiado como a melhor tese do país em Ciências Ambientais em 2025.
A partir dos resultados, uma parceria entre a Universidade Estadual de Goiás e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Goiás deve ampliar o monitoramento dos rios e apoiar a criação de políticas públicas para enfrentar o problema. A expectativa é que os dados contribuam para decisões mais eficazes na gestão ambiental e no controle da disseminação dessas bactérias.














