Vinte pesquisadores e pesquisadoras goianos(as) embarcaram em uma travessia educativa e científica pelo coração do Brasil. Saíram da cidade de Goiás no último sábado (11) e percorreram mais de 1.700 quilômetros até Petrolina (PE), onde estão hospedados. O destino final é Juazeiro (BA), separada de Petrolina apenas por uma ponte sobre o Rio São Francisco, onde ocorre nesta semana o 13º Congresso Brasileiro de Agroecologia (CBA) e o 3º Festival Internacional de Cinema Agroecológico (FICAECO).
A viagem faz parte de uma iniciativa do Núcleo de Agroecologia e Educação do Campo (GWATÁ) da Universidade Estadual de Goiás (UEG), com apoio dos Programas de Pós-Graduação em Geografia (PPGEO) e em Estudos Culturais, Memória e Patrimônio (PROMEP). A ação também reúne integrantes da Magnífica Mundi, da Universidade Federal de Goiás (UFG), e do curso de Agronomia com ênfase em Agroecologia do Instituto Federal de Goiás (IFG).
Segundo o professor e pesquisador Murilo de Souza, coordenador da expedição, a jornada permitiu observar de perto as conexões e desafios entre os biomas.
“As semelhanças entre o Cerrado e a Caatinga não estão apenas na escassez hídrica, mas também nas resistências dos povos tradicionais que defendem esses territórios. A observação direta da paisagem e os diálogos nos mostram um contexto preocupante, marcado pela degradação das nascentes e morte de vários cursos d’água”, afirmou.
Durante os três dias de viagem, o grupo passou por cidades como Formosa (GO), Barreiras (BA), Monte Alegre do Piauí (PI), São Raimundo Nonato (PI) e Remanso (BA). Um dos pontos altos foi a visita ao Parque Nacional da Serra da Capivara, reconhecido pela importância tanto na conservação da Caatinga quanto na preservação da história da ocupação humana na região.
“Na região do MATOPIBA, principal fronteira agrícola do país, a contaminação da água e do solo por agrotóxicos é alarmante. Em alguns pontos, como Gilbués (PI), o processo de desertificação já compromete a sobrevivência local. Essa viagem nos fez repensar Goiás e o avanço das atividades predatórias nos biomas”, destacou Murilo.
Para Eduardo Alves de Oliveira, 30 anos, mestrando em Geografia pela UEG, a experiência despertou uma nova consciência sobre o papel da preservação ambiental.
“As Unidades de Conservação se mostram fundamentais na contenção das mudanças climáticas e na defesa da vida. Em cada território por onde passamos, vimos um grito de resistência e de esperança”, disse.
Destino final: Juazeiro e Petrolina, unidas pela arte e pela agroecologia
“Petrolina, Juazeiro, Juazeiro, Petrolina / Todas duas eu acho uma coisa linda…”
É nesse cenário cantado e simbólico que acontece o FICAECO, festival que transforma o Vale do São Francisco em ponto de encontro entre cinema, agroecologia e diversidade cultural. O evento, que segue até 18 de outubro, tem programação com mostras audiovisuais, rodas de conversa, oficinas, homenagens e apresentações artísticas.
Realizado em conjunto com o CBA, o festival é hoje um dos principais espaços de reflexão sobre sustentabilidade e cultura agroecológica no país — e se consolida como etapa preparatória rumo à COP 30, que será realizada em 2025, em Belém (PA).
“O FICAECO celebra o cinema como ferramenta de transformação e diálogo entre os povos. Ter um grupo de estudantes cruzando o Cerrado e a Caatinga para contribuir conosco é uma honra e mostra como a educação pode transformar realidades”, afirmou a cineasta Dagmar Talga, coordenadora do evento.













