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Prefeito veta projeto que obrigava uso de telas de proteção em roçagens da Comurg

Parecer da Procuradoria da Câmara já havia apontado vício de iniciativa no projeto que buscava impor obrigações à Comurg


Lucas de Godoi Por Lucas de Godoi em 19/09/2025 - 08:12

Prefeitura vetou integralmente a proposta que obrigava o uso de telas em serviços de roçagem (Foto: Divulgação)

O prefeito Sandro Mabel (UB) vetou integralmente o projeto de lei que obrigava a Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) a adotar telas de proteção durante serviços de capina, roçagem e poda de grama. A proposta, de autoria do vereador Henrique Alves (MDB), havia sido aprovada pela Câmara Municipal no início do mês, mas foi considerada inconstitucional e inviável pela gestão municipal.

O veto, formalizado no dia 18 de setembro, sustenta que a iniciativa apresenta “amplitude e imprecisão” em sua redação. Segundo parecer técnico da própria Comurg, a exigência indiscriminada do uso das telas poderia gerar custos desnecessários e entraves na execução de serviços, especialmente em áreas de baixo risco de acidentes.

A Companhia defendeu que a obrigatoriedade só faria sentido em situações em que fosse identificado risco efetivo de lançamento de detritos.

A Procuradoria-Geral do Município também se manifestou contrária ao texto. Para o órgão, a proposição invade competência privativa do Executivo ao impor obrigações administrativas diretas à Comurg, sociedade de economia mista vinculada ao município. O parecer destacou que cabe ao Executivo definir a forma de execução dos serviços públicos, preservando a autonomia contratual e o equilíbrio econômico-financeiro das concessões.

Outro argumento usado pela gestão foi a sobreposição normativa. A Agência de Regulação de Goiânia (AR) já possui a Resolução Normativa nº 004/2021, que obriga a adoção de medidas de proteção e sinalização nos serviços de roçagem, sob pena de sanções contratuais. Assim, segundo o Executivo, a lei aprovada pela Câmara seria redundante e de “eficácia duvidosa”.

Posição do Legislativo

Durante a tramitação do projeto, a própria Procuradoria Jurídica da Câmara havia emitido parecer apontando vício de iniciativa, por impor obrigações a um órgão da administração indireta. Ainda assim, a proposta foi aprovada pelos vereadores e enviada para sanção do prefeito.

Com o veto, caberá agora ao plenário da Câmara decidir se mantém ou derruba a decisão do Executivo. Para a derrubada, é necessário o voto da maioria absoluta dos parlamentares.

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