A chegada da primavera de 2025, conhecida como a estação das flores, nesta segunda-feira (22) às 15h19 (horário de Brasília), trará mudanças significativas nas condições climáticas em grande parte do Brasil. Em Goiás, a nova estação vai começar com sol e pancadas de chuvas. O avanço de uma frente fria pela Região Sudeste do Brasil criará condições favoráveis à formação de áreas de instabilidade significativas. Com isso, poderão ocorrer chuvas localmente fortes, com acumulados que podem ultrapassar 30 milímetros, rajadas de ventos, que podem atingir mais de 60 quilômetros por hora, raios e até risco de queda de granizo, em áreas de maior instabilidade.
A previsão é do Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas (Cimehgo) da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), que coloca Goiás em alerta para a ocorrência de tempestades, em 71 dos 246 municípios do estado. Ao mesmo tempo, o Cimehgo informa o risco elevado para queimadas. Na Região Norte de Goiás, completam-se hoje 139 dias sem chuvas. Na Região Leste, são 137 dias. Nas demais, choveu recentemente, há apenas dois dias.
O prognóstico do Cimehgo para a semana indica sol e pancadas de chuvas de segunda a quinta-feira (25). Em Goiânia, a previsão é de sol com pancdas de chuvas, com mínima de 19 graus e máxima de 33 graus e umidade relativa do ar variando entre 30% e 85%. O nascer do sol será às 6h06 e o pôr do sol, às 18h12.
Frente fria
De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), até quarta-feira (24) uma intensa frente fria avançará sobre as regiões Sul, Sudeste e partes do Centro-Oeste e Norte, provocando temporais, antecedidos de fortes ventos. Em seguida, uma massa de ar frio e seco causará acentuado declínio das temperaturas, com previsão de geada no Sul e queda de temperatura na Região Norte.

Inicialmente, os temporais devem atingir áreas do Rio Grande do Sul. Em seguida, com o avanço da frente fria, as áreas de instabilidade se espalharão por toda a Região Sul e também chegarão a partes de Mato Grosso do Sul, podendo atingir o extremo sul e sudoeste de São Paulo.
O Inmet informa ainda que “no dia 22, primeiro dia da primavera, a frente fria deverá chegar ao Sudeste, avançando também pelos estados do Centro-Oeste, onde provocará temporais e poderá chegar ao sudoeste da Amazônia”.
A onda de frio chegará com força no Rio Grande do Sul, com declínios de temperatura. Com o deslocamento da massa de ar frio ao longo da semana, a queda da temperatura ocorrerá também nas demais áreas do Centro-Sul e até do Norte do país, onde o fenômeno é conhecido como friagem.
La Niña
Relatório da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA, a sigla em inglês) – agência científica e reguladora americana de previsão do tempo – avaliou que o fenômeno La Niña pode influenciar o regime de chuvas, durante a primavera no Hemisfério Sul, devido ao aumento da umidade vinda da Amazônia e da formação de sistemas meteorológicos.
A meteorologista do Inmet Danielle Ferreira explica que, em anos do La Niña, observa-se a redução das chuvas na Região Sul, tanto na quantidade, quanto na frequência, havendo possibilidade de alguns períodos longos sem precipitações.
No entanto, não é somente no Sul brasileiro que o La Niña tem forte impacto. Todo esse movimento que caracteriza o fenômeno nasce no Oceano Pacífico Equatorial e reverbera, de formas distintas, em diversas locais.
“As frentes frias passam mais rapidamente sobre a parte leste da Região Sul e acabam levando mais chuvas para o Sudeste, podendo chegar a até parte do litoral nordestino. Esse comportamento típico nem sempre ocorre, pois é necessário considerar também outros fatores como a temperatura do Oceano Atlântico (tropical e sudeste da América do Sul), que também pode atenuar ou intensificar os impactos do fenômeno”, esclareceu a meteorologista.
Formação
Tanto o La Niña quanto o El Niño se formam no Oceano Pacífico Equatorial, o que reforça a tese de que os oceanos exercem grande influência sobre o clima em diversas partes do planeta.
Danielle explica a diferença entre esses dois fenômenos climáticos: o El Niño é o aquecimento anômalo das águas do Pacífico Equatorial, enquanto o La Niña, caracteriza-se pelo resfriamento anômalo dessas águas. “Por isso, a importância do monitoramento de suas condições”, avaliou.
Estação das Flores
A primavera é chamada de estação das flores porque o aumento da temperatura e da umidade do ar após o inverno favorece o desabrochar de inúmeras espécies de plantas, que voltam a brotar, crescer e encher as paisagens de cor e vida com suas flores. O fenômeno torna a estação visualmente mais vibrante e colorida, tanto em jardins e parques quanto em campos.
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