Goiás registrou 369 casos de queimaduras em crianças de 1 a 4 anos entre janeiro e setembro de 2025, terceiro maior índice do Brasil, porque férias e calor ampliam riscos dentro de casa. No país, o total é de 3.613 internações. A maioria dos acidentes ocorre na cozinha, ambiente que concentra riscos relacionados ao preparo de alimentos e líquidos quentes.
As férias e as altas temperaturas costumam transformar a casa em espaço de brincadeiras improvisadas, como barracas de pano montadas na sala ou piqueniques no chão. Enquanto o ritmo dos adultos desacelera, aumentam os acidentes envolvendo crianças pequenas. Dados do DATASUS, compilados pela ONA – Organização Nacional de Acreditação, mostram que 3.613 crianças de 1 a 4 anos foram internadas por queimaduras no Brasil entre janeiro e setembro de 2025. O Nordeste lidera, com 1.109 casos, seguido por Sudeste (938), Sul (777), Centro-Oeste (527) e Norte (262). Entre janeiro e setembro de 2025, Goiás registrou 369 casos nessa faixa etária, ficando em terceiro lugar nas estatísticas.
Segundo a Sociedade Brasileira de Queimaduras, sete em cada dez acidentes acontecem dentro de casa. A faixa de 1 a 4 anos é a mais atingida pela combinação entre curiosidade, movimentos rápidos e pouca noção de perigo.
Risco em casa
A maior parte das ocorrências envolve líquidos quentes, como explica a pediatra e membro da ONA, Mariana F. Falavina Grigoletto. Situações comuns incluem cabos de panela virados para fora, xícaras quentes à beira da mesa e panelas recém-retiradas do fogo. A médica relata que muitos atendimentos repetem o mesmo cenário: crianças puxam cabos, tropeçam em panos, esbarram em copos, mexem em cafeteiras e tentam alcançar recipientes aquecidos.
Queimaduras por chama ou líquidos inflamáveis são menos frequentes, porém mais graves. Entre as químicas, a ingestão de soda cáustica é a principal causa. Pilhas e baterias ingeridas ou rompidas também representam ameaça pelo conteúdo corrosivo.
Choques elétricos aparecem entre os acidentes comuns na infância, devido a tomadas sem proteção, fios desencapados e extensões improvisadas. No verão, o sol também provoca queimaduras: vermelhidão, dor e calor local são mais frequentes entre 10h e 16h, período de maior radiação.
A pediatra alerta que não se deve usar gelo, clara de ovo, manteiga, pasta de dente, pomadas, óleo de cozinha ou receitas caseiras sobre a pele queimada, pois pioram a lesão e aumentam o risco de infecção. A orientação é resfriar a área com água corrente fria, nunca gelada, por 10 a 20 minutos. Antes do inchaço, recomenda retirar anéis, pulseiras e acessórios. Roupas grudadas não devem ser removidas. Bolhas não devem ser estouradas.
É necessário buscar atendimento de urgência em casos de bolhas, febre, dor intensa, pus, aumento de vermelhidão, queimaduras em rosto, mãos, pés e genitais, além de náuseas, sonolência ou desmaio.
A prevenção ainda é o cuidado mais eficaz. As recomendações incluem: evitar segurar a criança no colo enquanto cozinha, manter fósforos, isqueiros e álcool fora do alcance, virar cabos de panelas para dentro, priorizar bocas de trás do fogão, não permitir aproximação de forno, fogão, ferro de passar e chapinhas, retirar objetos quentes das bordas das mesas e evitar toalhas compridas.
Outras medidas são atenção ao micro-ondas, guardar produtos químicos em locais altos e trancados, tampar tomadas, descartar pilhas e baterias adequadamente, testar a temperatura da água do banho, aplicar protetor solar com reaplicação a cada duas horas e evitar exposição entre 10h e 16h, usando roupa leve, chapéu, óculos e acessórios de proteção.















