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Receita Federal começa a notificar grandes devedores e dá 30 dias para regularização

Nova lei mira empresas com dívidas milionárias e repetidas para combater concorrência desleal


Avatar Por Redação Tribuna do Planalto em 29/04/2026 - 15:30

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(Imagem: Reprodução)

A Receita Federal do Brasil começou a enviar as primeiras notificações para contribuintes que podem ser enquadrados como “devedores contumazes” — ou seja, empresas que acumulam dívidas altas, frequentes e sem justificativa com o Fisco.

A medida segue regras da Lei Complementar nº 225/2026 e tem como foco principal combater a inadimplência estratégica, quando empresas deixam de pagar impostos de forma recorrente para ganhar vantagem no mercado.

Quem pode ser considerado devedor contumaz?

De forma simples, entram nessa categoria empresas que:

  • Devem mais de R$ 15 milhões em impostos
  • Têm dívida maior do que o próprio patrimônio declarado
  • Estão inadimplentes de forma repetida (por vários meses seguidos ou alternados)
  • Não conseguem justificar a dívida com dificuldades financeiras reais

Ou seja, não é qualquer empresa endividada. O alvo são casos considerados estruturados e intencionais.

Segundo a Receita, os débitos desses contribuintes somam mais de R$ 25 bilhões, considerando valores na própria Receita e também na Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional.

O que acontece após a notificação?

A partir do momento em que são notificados, os contribuintes têm 30 dias para:

  • Pagar ou negociar a dívida
  • Ajustar informações sobre patrimônio
  • Apresentar defesa para tentar sair da lista

E se não fizer nada?

Se a situação não for regularizada, a empresa pode sofrer várias restrições, como:

  • Entrada no cadastro de inadimplentes do governo (Cadin)
  • Perda de benefícios fiscais
  • Proibição de fazer acordos com o governo
  • Em casos mais graves, até bloqueio do CNPJ

Qual é o objetivo da medida?

A Receita deixa claro: a ideia não é punir empresas que passam por dificuldades momentâneas, mas sim aquelas que deixam de pagar impostos de forma recorrente e estratégica.

Segundo o órgão, esse tipo de prática prejudica a arrecadação, afeta serviços públicos e cria concorrência desleal — já que empresas inadimplentes acabam tendo vantagem sobre quem paga tudo em dia.

Com a nova regra, o governo tenta equilibrar o jogo: incentivar quem paga corretamente e pressionar quem insiste em não cumprir as obrigações.

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