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“Se for para ajudar Daniel, posso abrir mão do Senado”, afirma Gustavo Mendanha

Mas apenas para ser vice na chapa majoritária. O ex-prefeito de Aparecida de Goiânia, que já foi candidato a governador em 2022, não está disposto a se candidatar a deputado federal.


Avatar Por Redação Tribuna do Planalto em 08/09/2025 - 08:43

entrevista
Mas apenas para ser vice na chapa majoritária. O ex-prefeito de Aparecida de Goiânia não está disposto a se candidatar a deputado federal

TRIBUNA DO PLANALTO – Ao se filiar ao PSD, Gustavo Mendanha, o senhor se certificou de que poderia apoiar a candidatura de Ronaldo Caiado a presidente, independentemente da decisão nacional do partido de ter candidato próprio ou apoiar outro nome. Gilberto Kassab já se manifestou pela candidatura de Tarcísio de Freitas.

GUSTAVO MENDANHA – E vai apoiar o Tarcísio se ele for candidato, até porque, se o Tarcísio não for, o candidato é o Ratinho Junior.

Mesmo que isso faça parte do acordo, não configuraria para o eleitor uma traição ao partido ao qual o senhor acabou de se filiar?
Acredito que não, até porque tem outras figuras do partido que podem estar em outros projetos. Eu deixei muito claro, até pela minha relação com o governador Ronaldo Caiado, por ele representar os goianos e eu entender que ele está preparado e pronto; mais do que isso, tem a maior aprovação de todos os
governadores. Nesta eleição, a temática de segurança pública vai ser uma das principais discussões, porque o Brasil vive umproblema sériode segurança pública. Na eleição passada, foram a saúde e a retomada
econômica. Acredito no governador Ronaldo, pelo bom trabalho que faz aqui na área social e em tantas áreas, mas a segurança pública para mim vaidominar osdebates.

Caiado defende que os partidos lancem seus candidatos no primeiro turno e se unam no segundo. Acha essa uma boa estratégia ou ela tem riscos?

Em virtude das dificuldades que temos de composição, eu acho que é válido. Para que aquele que melhor desempenho tenha depois apoio de todos. Eu acho que, desde que haja uma grande aliança, independente de quem representar a direita, que todos os outros que foram derrotados possam apoiar esse candidato, acho
que é válido. E o governador Ronaldo está pensando realmente no Brasil. Tem candidato que representa vários estados dentro do mesmo espectro e acredito que aquele que for para o segundo turno terá o apoio de todos os candidatos e, claro, esperamos que seja o governador Ronaldo Caiado.

Considerando que Jair Bolsonaro está enfrentando um julgamento, qual deve ser o papel dele nesse processo de escolha de candidato e também na eleição, na sua opinião?

Acho que, com a experiência e toda bagagem que ele tem, é buscar escolher o nome que possa representar a direita, mas que tenha condição também, ganhando as eleições, de fazer um bom governo. Do ponto de vista eleitoral, acredito que, infelizmente, pela forma que estão fazendo, ele não vai poder fazer muita coisa, porque está proibido de fazer vídeos e interagir na internet. Não sei nem se a sua imagem poderá ser utilizada. Eu espero que esse julgamento possa ocorrer de uma forma que lhe permita fazer isso, mas infelizmente, o que temos notado é que esse julgamento já está definido pela não absolvição e deixá-lo realmente de uma forma que ele não possa participar das eleições do próximo ano.

Mas continuará decisivo na escolha do candidato da direita?

Ele é decisivo, principalmente dentro do PL. Como disse o governador Ronaldo Caiado, poderá ter outros candidatos, mas na hipótese de Bolsonaro ser candidato, ele não será. Tudo indica que o Bolsonaro não poderá ser candidato, pelo que temos visto, o julgamento de fato, caminha para a condenação. A escolha do presidente Bolsonaro vai representar o Partido Liberal e terá outros partidos que poderão lançar o seu nome, é o caso do PSD com o Ratinho Júnior, do Novo com Romeu Zema, e poderá ser o caso do próprio Tarcísio dentro do Republicanos; não sei se ele, se for candidato à Presidência, deixa o partido. Mas o que se espera é que nós possamos ter alguém que represente um governo menos burocrático, que possa discutir a Reforma Tributária, que possa valorizar a classe empresarial; precisamos voltar a produzir. Nós andamos hoje em alguns estados e notamos o poder de compra diminuindo, muitas empresas fechando. Isso é muito ruim para o Brasil e se dá muito em virtude da insegurança jurídica de todos os problemas que temos enfrentado e um governo que não representa o que acreditamos para o Brasil, um país com menos estado e voltado realmente à produção.

Sua filiação ao PSD se deu diretamente com Gilberto Kassab ou o presidente regional do partido, senador Vanderlan Cardoso, participou de alguma etapa do processo?

As conversas iniciais foram com o senador Vanderlan. E posteriormente nós tivemos um diálogo com o presidente Kassab, até dentro daquilo que eu coloquei com relação a três pontos principais para minha filiação, que seria apoiar Caiado para presidente, apoiar Daniel Vilela para governador e a minha candidatura ao Senado.

Mas Vanderlan também pleiteia essa vaga pelo partido. Como seria esse arranjo?

São duas vagas, o partido pode lançar dois nomes. Embora eu acredite que Vanderlan poderia ser um bom nome para vice Daniel. Mas eu vou trabalhar no sentido de consolidar o meu nome na base do governador Ronaldo Caiado. Eu, assim como Gracinha Caiado, entendo que duas candidaturas seriam mais importantes para que possamos ganhar as eleições, diferentemente do que aconteceu na eleição passada; quando o governo, mesmo com a sua força, com a maioria dos prefeitos, não conseguiu eleger o senador, exatamente em virtude de várias candidaturas e a divisão desse voto. Eu, assim como Gracinha, defendo apenas duas candidaturas. Já deixo aqui manifestado que eu estarei com ela, apoiarei ela para senadora, em virtude do trabalho que ela tem feito, que é muito relevante. Se o governo hoje tem uma aprovação alta e talvez a segurança seja o principal ponto, mas não tenho dúvida do valor do trabalho da Gracinha, que elogiei mesmo sendo adversário do governador Ronaldo Caiadona eleição passada. Acredito que ela terá todas as condições de ser eleita e manifesto meu apoio a Gracinha para o Senado.

A minha torcida é para que Vanderlan seja escolhido como candidato a vice-governador. Embora nesse momento, nosso foco seja a chapa de deputado federal e deputado estadual.

Mas como que seria esse arranjo? Gustavo Mendanha candidato ao Senado com o apoio do governo e Vanderlan candidato a senador em outra chapa?

Não. A minha torcida é para que Vanderlan seja escolhido como candidato a vice-governador. Se ele for vice, não vai disputar reeleição. Embora nesse momento, nosso foco seja a chapa de deputado federal e deputado estadual. Até meados de dezembro, janeiro, fevereiro, provavelmente o nosso foco vai ser esse. E depois vamos lutar para que o partido, pelo tamanho, pela composição, por tudo aquilo que pode oferecer para a chapa, tenha Vanderlan como vice-governador.

O nome do senhor não está disponível para vice-governador?

Eu sou alguém do grupo que está pronto para disputar qualquer função que me coloquem. Neste momento, meu foco é o Senado; lá na frente, se houver o entendimento que meu nome possa ser um facilitador para a eleição do Daniel, eu não teria dificuldade, embora meu coração esteja em Brasília, em não só participar das eleições, mas estando no Senado, além de defender tudo aquilo que acredito – liberdade econômica, família, defender princípios e valores no Senado, o que eu sempre fiz ao longo da minha vida -, também discutir algo que é importante para o brasileiro, principalmente aqueles mais simples: nós precisamos retomar uma agenda de desenvolvimento econômico, da redução do preço da cesta básica, da redução de impostos para que possamos, ao invés de ter empresas fechando, tenhamos novamente as empresas abrindo; defender as mulheres, as crianças. O meu foco de fato é disputar o Senado Federal, mas se me chamarem para disputar a vice, não teria dificuldade. Mas a minha preferência é disputar a eleição de senador.

Disputaria para deputado federal?

Não, eu já tomei a decisão de disputar a eleição do Senado, até porque minha cidade já tem nomes para apresentar. Eu não disputarei mandato de deputado federal nem de deputado estadual. Meu foco é a eleição do senado.

O PSD saiu dividido da eleição de 2024. Como vê o futuro do partido?

Eu acho que houve alguns erros estratégicos; duas candidaturas majoritárias em Goiânia e Senador Canedo prejudicaram consideravelmente. Eu acho que deveria ter focado em uma. Naquele momento eu não estava no partido e trabalhei para que Vanderlan pudesse apoiar o Sandro Mabel, que é um amigo que ajudei inclusive na construção da candidatura. Não foi possível. Acho que o Vanderlan teve um equívoco, um erro de estratégia. Mas o momento agora é outro, de construir, de convergir, de fortalecer o partido, principalmente para as eleições proporcionais. Eu acho que esse também foi um erro; não temos nem um vereador do PSD na capital; em Aparecida de Goiânia não foi eleito nenhum vereador. Agora, com a recontagem de votos, o vereador do PSD subiu. Nós precisamos, e essa também é uma missão do presidente Kassab, fazer chapas que possam eleger amanhã um número significativo de deputados federais e deputados estaduais.

Mas é uma missão dada pelo Kassab ou pelo Vanderlan?

Uma missão que o presidente Kassab me deu na minha filiação, de contribuir para que o partido possa fazer deputados federais e deputados estaduais.

Quem sabe um dia exista um amadurecimento   integrantes do PL em Goiás e possamos trabalhar em convergência, principalmente naquilo que nos une, que é a família.

No sentido contrário, há rumores de que o PSD venha a perder quadros importantes, como o próprio Francisco Jr. Há alguma movimentação nesse sentido no partido?

Eu li a entrevista do Francisco, figura que respeito muito, um amigo até, alguém que, ao longo da sua vida e sua história, fez trabalhos relevantes, seja no legislativo, seja no executivo, nos espaços importantes que ele ocupou no município e agora no estado. Eu acho que o momento é esse, de convergir, de dialogar e dar condições para que, seja o Francisco ou outros quadros, não deixem o partido e que a gente possa buscar outros nomes para realmente fortalecer essas chapas federais.

Nos últimos anos o senhor trocou de partido três vezes, saiu do MDB e se filiou ao Patriota para disputar o governo de Goiás em 2022, se aproximou do governador Ronaldo e saiu do Patriota, voltou para o MDB, e agora se filiou ao PSD. A motivação da troca de partidos foi exclusivamente eleitoral ou o senhor se identifica com essas legendas?

Todos os três partidos a que eu estive filiado têm um perfil muito parecido. São todos partidos de centro-direita, todos com ideais muito próximos do meu, partidos mais voltados aos problemas do povo. O MDB é um partido histórico, lutou pela redemocratização do país; Patriota, um partido que inclusive já acabou, mas o nome já diz, tem muito a ver comigo; o PSD eu confesso que sempre quis estar próximo ao presidente Kassab, uma das figuras mais inteligentes que conheço do ponto de vista político, alguém que admiro, e ele também tem essa questão, é alguém que milita no campo de centro-direita, tem participado das grandes discussões importantes do país, está do outro lado de um dos grandes governadores que esse país tem, que é o Tarcísio. Deixei o MDB naquele momento para disputar a eleição; não tinha condição de disputar a eleição de governador dentro do MDB, tendo em vista que o MDB seria vice do Caiado. Voltei para o partido até para fazer um gesto para o Daniel, pela nossa relação de amizade, mas sabia que no MDB não teria condição de disputar um mandato majoritário, seja a vice ou ao Senado. Dialogando com ele e com o governador, surgiu essa oportunidade de estar no PSD e fui para ajudar não só o PSD, mas também para trazer o PSD para base de governo. Espero que isso possa se consolidar, porque fortalece muito a candidatura do Daniel para governador.

Antes de se filiar ao Patriota, o senhor buscou filiação no PL, e sempre se posicionou ao lado de Bolsonaro. O senhor se considera um bolsonarista?

Eu tenho muita consonância com Bolsonaro, não sou próximo a ele, mas sou alguém que me identifico muito com valores e princípios que ele trabalha. Gostaria de ser mais próximo, infelizmente, em Goiás, os políticos que o representam não trabalham para a união da direita, pelo contrário. Minha mulher se filiou ao PL e foi massacrada publicamente por alguns agentes do PL. Eu tenho muita identidade, o evangelho, sou conservador, sou liberal de conceito, e me considero uma pessoa muito próxima a todos os ideais que o ex-presidente Bolsonaro carrega.

E a filiação da sua esposa, Mayara Mendanha, ao PL, foi uma estratégia eleitoral?

Ela sempre se identificou com a Michelle Bolsonaro, sempre teve essa identidade. Infelizmente, se filiou ao partido, uma mulher, alguém poderia representar e ajudar muito o partido, mas não houve nunca um convite para o diálogo, pelo contrário. Ela deixou o PL e se filiou junto comigo no PSD. Mas quem sabe um dia exista um amadurecimento por parte dos integrantes do PL em Goiás e possamos trabalhar em convergência, principalmente naquilo que nos une, que é a luta pela família, pela liberdade econômica e por um país mais justo.

Logo que se aproximou do governo Caiado, o senhor deu entrevistas falando que não iria compor o governo, mas se tornou vice-presidente da CelgPar, seu irmão, Danilo Mendanha, também tem cargo no governo. O que fez o senhor mudar de ideia?

Os recorrentes convites que existiram até para assumir uma secretaria e eu disse que talvez para mim não seria interessante, mas hoje faço parte do melhor governo do estado de Goiás, o mais aprovado, que tem transformado a vida dos goianos e que tem trazido esperança para parte dos brasileiros. Exatamente o que queremos, levar esse modelo de governança para o país, para que a gente possa mudar a realidade dos brasileiros.

 

 

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