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Tarcísio de Freitas defende rotulação de PCC e CV como terroristas: “oportunidade”

Governador vê possível cooperação internacional no combate ao crime organizado, enquanto discussão levanta questionamentos sobre impactos jurídicos e diplomáticos para o Brasil


Por Carlos Nathan Sampaio em 12/03/2026 - 10:31

Tarcísio de Freitas defende rotulação de PCC e CV como terroristas oportunidade
(Foto: Reprodução)

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta quarta-feira (11) que considera uma “oportunidade” a possibilidade de os Estados Unidos classificarem as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A declaração foi feita após uma agenda oficial, em meio a discussões provocadas por falas do presidente norte-americano, Donald Trump, que indicou avaliar a medida.

Segundo Tarcísio, uma eventual classificação poderia abrir caminho para maior cooperação internacional no combate ao crime organizado. Para o governador, se o governo norte-americano tratar essas facções como organizações terroristas, isso poderia facilitar o compartilhamento de informações de inteligência, ampliar recursos e fortalecer estratégias conjuntas de repressão ao crime transnacional.

O governo dos Estados Unidos ainda não oficializou qualquer decisão sobre o tema. Em nota enviada à imprensa, o Departamento de Estado afirmou que organizações criminosas brasileiras, incluindo o PCC e o CV, são vistas como ameaças significativas à segurança regional por estarem envolvidas com tráfico de drogas, violência e operações criminosas que ultrapassam fronteiras. No entanto, o órgão não confirmou se haverá a designação formal como grupos terroristas.

No Brasil, o governo federal acompanha o assunto com cautela. De acordo com informações divulgadas pela CNN Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva orientou sua equipe a tratar o tema prioritariamente no campo diplomático, evitando reações precipitadas enquanto não houver decisão oficial por parte dos Estados Unidos.

A possibilidade de classificar facções brasileiras como terroristas também levanta questões delicadas. Uma rotulação desse tipo pode ampliar a atuação de autoridades estrangeiras em investigações e sanções financeiras ligadas ao combate ao terrorismo, o que pode gerar debates sobre soberania nacional e sobre a forma como crimes organizados brasileiros são tratados no cenário internacional. Além disso, a distinção entre crime organizado e terrorismo envolve diferentes instrumentos jurídicos e políticos, o que poderia alterar a dinâmica de cooperação entre os países e a forma como essas organizações são combatidas dentro e fora do Brasil.

Nesse cenário, a discussão permanece em aberto e tende a evoluir à medida que o governo norte-americano avance ou não com a proposta. Enquanto isso, autoridades brasileiras acompanham os desdobramentos atentos aos possíveis impactos para a política de segurança e para as relações diplomáticas entre os dois países.

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