Uma visita técnica realizada pelo Tribunal de Justiça do Estado de Goiás ao Centro de Atendimento Socioeducativo (Caser), em Anápolis, colocou em pauta a necessidade de aprimorar o atendimento em saúde mental de adolescentes que cumprem medidas socioeducativas no estado.
A agenda contou com a presença de representantes do Judiciário, incluindo o juiz auxiliar da Presidência, Reinaldo de Oliveira Dutra, e o corregedor-geral da Justiça, Marcus da Costa Ferreira. A iniciativa teve como foco acompanhar o funcionamento da unidade, ouvir profissionais e levantar demandas para o fortalecimento da rede de atenção psicossocial.
Durante o encontro, foi realizada uma roda de conversa com equipes que atuam diretamente no atendimento aos adolescentes. O objetivo foi identificar dificuldades práticas e discutir possíveis soluções conjuntas envolvendo diferentes órgãos, como Executivo, Ministério Público e Defensoria Pública.
De acordo com os relatos apresentados, um dos principais desafios está relacionado ao perfil dos jovens atendidos. Muitos chegam à unidade com histórico de uso de drogas e apresentam quadros que exigem acompanhamento em saúde mental, incluindo situações de abstinência. Atualmente, cerca de 45 adolescentes estão acolhidos no local, com suporte de uma equipe multiprofissional.
Outro ponto discutido foi a necessidade de ampliar a integração com a rede externa de atendimento, especialmente com os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e estruturas especializadas. A avaliação é de que o fortalecimento dessa rede pode evitar agravamentos e reduzir a necessidade de medidas mais restritivas.
A superintendência do sistema socioeducativo destacou que a qualificação das equipes e a ampliação dos serviços são fundamentais para garantir um atendimento mais adequado e humanizado. Já representantes do Ministério Público apontaram que, embora existam avanços, ainda há lacunas no atendimento, principalmente em casos mais complexos.
Durante a visita, a comitiva também conheceu projetos desenvolvidos na unidade voltados à ressocialização dos adolescentes, como oficinas de tecelagem, bordado e atividades em horta e biblioteca. As ações buscam oferecer qualificação e novas perspectivas aos jovens.
As informações coletadas devem subsidiar novas medidas e articulações institucionais para aprimorar o atendimento no sistema socioeducativo em Goiás.














