A possibilidade de a Prefeitura de Goiânia intervir nas avenidas T-10, no Setor Bueno, e Mangalô, na região Noroeste, gerou reação política nesta terça-feira (23) na Câmara Municipal. Vereadores manifestaram resistência diante da hipótese de transformar a Avenida Mangalô, no Setor Morada do Sol, em mão única, medida que, segundo eles, ameaça a sobrevivência do comércio local.
O secretário municipal de Engenharia de Trânsito, Tarcísio Abreu, informou que a revitalização da Avenida 85 será entregue em outubro, com sinalização renovada, adequações geométricas, implantação de abrigos de ônibus modelo CMTC-3 e sincronização semafórica de onda verde.
Já para a T-10, que concentra um dos maiores índices de congestionamento da cidade, o estudo técnico propõe a criação de um sistema binário com a T-55, além de revisão de estacionamentos e alargamento de pontos críticos.
O vereador Coronel Urzêda (PL) criticou a proposta para as avenidas no Setor Bueno e sugeriu que a secretaria implantasse um projeto de teste para validar a mudança. Markim Goyá (PRD) sugeriu o período de 30 dias e foi elogiado por Urzêda. Já Anselmo Pereira (MDB) divergiu da ideia e disse que a população não merece teste e defendeu estudos técnicos robustos para que não gere prejuízos para comerciantes.
“Na frente das máquinas”
Na sessão plenária, Pedro Azulão Jr. (MDB) fez um discurso inflamado contra o boato de que a Avenida Mangalô também poderá virar mão única a partir de 2025. O parlamentar relatou que comerciantes estariam “desesperados”, cogitando vender ou transferir seus negócios.
“Eu não quero ser pai da criança, quero diálogo com o prefeito, com o Tarcísio, mas se for preciso vou montar barraca e ficar na frente das máquinas para impedir isso”, afirmou. “Não matem o comércio da Mangalô. São famílias que vivem disso”.
A fala de Azulão foi apoiada por Geverson Abel (Republicanos), Igor Franco (MDB) e Daniela da Gilka (PRTB). Abel destacou que a região Noroeste já sofre com carências estruturais e que qualquer mudança no fluxo da Mangalô agravaria o cenário. “Ali é geração de emprego e renda. Não podemos deixar que fechem portas e deixem famílias sem sustento”, disse.
Segundo os vereadores, a insegurança causada pelo tema tem travado investimentos de empresários da região, que aguardam definições da Prefeitura. Azulão reforçou que não se trata de disputa política, mas de “clamor popular”.
A Secretaria Municipal de Engenharia de Trânsito (SET) afirmou que existem estudos em andamento para a Avenida Mangalô, mas que serão apresentados apenas no próximo ano “com base em critérios técnicos de segurança e mobilidade”.
Em relação a T-10, a pasta argumentou que os estudos foram validados pela gestão municipal e que o projeto prevê a implantação de um binário entre a T-10 e a T-55, com mudanças de sentido em trechos específicos da via. A proposta integra o Programa de Desobstrução de Vias Arteriais e tem como objetivo principal ampliar a fluidez viária e reduzir os conflitos de tráfego, especialmente nos cruzamentos com a Avenida 85 e com a Avenida T-3.
Matéria atualizada às 15h para incluir resposta da SET.












