A empresária e agropecuarista Flávia Teles deixou as fileiras emedebistas e se filiou ao PSDB com o peso político de quem carrega a memória de Maguito Vilela, mas tenta se apresentar como mais do que a viúva do ex-governador e ex-prefeito de Aparecida. No partido do ex-governador Marconi Perillo, ela afirma que a decisão não foi tomada contra o MDB nem contra Daniel Vilela.
Cotada nos bastidores para a vice de Marconi na disputa ao Governo de Goiás, Flávia nega que este seja seu projeto neste momento. Diz que o foco está na construção de uma candidatura à Câmara Federal, com ênfase em saúde, educação, proteção às mulheres e políticas sociais.
Na entrevista exclusiva à Tribuna do Planalto, ela também respondeu sobre o aparente contrassenso de se filiar ao partido de um antigo adversário de Maguito. Para Flávia, a política não pode ser tratada como “ringue”. De acordo com ela, Maguito e Marconi sempre se respeitaram.
A pré-candidata ainda criticou a gestão de Rogério Cruz em Goiânia. Flávia afirma que o ex-prefeito não conseguiu cumprir o plano construído por ela e Maguito para a capital. “O resultado da gestão não foi bom e isso foi comprovado nas urnas na eleição seguinte”, disse.
A senhora entrou no PSDB depois de uma vida política associada ao MDB de Maguito Vilela. O que pesou mais nessa decisão?
Eu tenho muito respeito pela história do MDB e pela trajetória do Maguito dentro do partido. Eu entrei no PSDB porque encontrei espaço para construir, para somar e para defender aquilo que eu acredito. Não foi uma decisão contra ninguém. Foi uma decisão a favor daquilo em que eu acredito dentro de um partido que me deu esse espaço.
O nome da senhora tem sido cogitado para a vice de Marconi. Como vê isso e qual seu principal projeto para as eleições de 2026?
Eu fico honrada com o reconhecimento do grupo político do PSDB, mas hoje o meu foco está totalmente na construção de um projeto para a Câmara Federal. Quero representar pessoas que muitas vezes não conseguem ser ouvidas, principalmente nas áreas da saúde, educação e proteção às mulheres. Política, para mim, não é sobre cargo. É sobre utilidade e serviço público.
O convite de Marconi Perillo foi para disputar a Câmara ou para ocupar papel mais amplo no projeto do PSDB?
O convite foi para participar de um projeto político que pensa Goiás para frente, que entende que Goiás pode mais do que foi apresentado nos últimos anos. O Marconi sempre deixou muito claro que queria que eu tivesse voz, participação e espaço para defender minhas pautas.
Por que a Câmara dos Deputados?
A Câmara Federal é onde muitas decisões importantes acontecem, principalmente sobre saúde pública, proteção às mulheres, programas sociais e educação. Meu objetivo principal é ter condição real de lutar por pautas que impactam diretamente a vida das pessoas, nas quais eu acreditei e às quais me dediquei enquanto estivemos à frente da Prefeitura de Aparecida de Goiânia.
Se a senhora não será a vice, qual perfil defende para acompanhar Marconi?
A escolha precisa ser baseada em capacidade, equilíbrio e compromisso com Goiás. Mais importante do que composição política é ter alguém preparado, sensível e disposto a ajudar a construir soluções.
O PSDB vê na senhora uma candidata competitiva ou uma ponte com o eleitorado que guarda memória afetiva de Maguito?
Existe um respeito muito grande pelo PSDB e pelo próprio Marconi pela minha trajetória, pela minha forma de me posicionar e pelo trabalho social que desenvolvi. Eu não entrei na política para ser apenas uma lembrança de uma história bonita que vivi ao lado do Maguito. Entrei porque acredito que ainda posso contribuir, com a minha própria voz.
Maguito foi adversário de Marconi por muitos anos. Não há contrassenso?
Foi exatamente o Maguito que me deu exemplos de que isso não é um contrassenso. Ele nunca encarou a política como um ringue. Maguito e Marconi sempre se respeitaram, e tenho certeza de que Maguito sabia reconhecer o legado do Marconi, assim como Marconi reconhece o legado do Maguito.
A senhora pretende fazer campanha mais em Goiânia e Aparecida ou buscará base própria no interior?
Minha história política naturalmente passa por Aparecida e Goiânia, mas eu quero conversar com Goiás inteiro. Saúde precária, violência contra a mulher, dificuldade na educação e falta de oportunidades acontecem em todas as regiões.
O que ficou pelo caminho depois da morte de Maguito?
Ficou um sentimento de interrupção de um projeto bonito que, sem dúvidas, fez falta para Goiânia. O Maguito tinha uma forma muito própria de governar, ouvindo, acolhendo e estando presente. Acho que muita gente sentiu falta disso.
A gestão Rogério Cruz honrou o projeto escolhido pelo eleitor em 2020?
A gestão Rogério Cruz precisava honrar mais do que um projeto, honrar a população de Goiânia. O resultado da gestão não foi bom e isso foi comprovado nas urnas na eleição seguinte. Eu respeito a pessoa do Rogério, assim como sua família, mas, infelizmente, ele não conseguiu cumprir o plano que Maguito e eu tínhamos para Goiânia.
O grupo de Maguito errou ao não acompanhar mais de perto a transição para Rogério Cruz?
Perder o Maguito daquela forma foi algo muito duro para mim. Depois que ele faleceu, eu não tinha cabeça para pensar na política e não posso responder pelos outros. Eu não tinha alternativa naquele momento a não ser me afastar.
Como está hoje sua relação pessoal e política com Daniel Vilela?
Eu respeito muito o meu enteado Daniel. Apesar de seguirmos caminhos políticos distintos, isso não nos torna adversários.
A senhora considera Daniel herdeiro político de Maguito?
Se tem uma coisa que aprendi com o Maguito foi que legado é muito maior do que sobrenome. Maguito teve um legado maravilhoso para as pessoas, para o aparecidense, para o povo goiano. O legado na política sempre deve ser para as pessoas.
A senhora aceita ser apresentada como “viúva de Maguito”?
Eu tenho muito orgulho da minha história com o Maguito, e isso sempre fará parte da minha vida. Mas eu também sou uma mulher com posicionamentos, ideias, experiências e causas próprias. Uma coisa não anula a outra.
Goiás ainda trata mulheres na política como herdeiras, esposas, vices ou figuras de apoio. Como escapar dessa moldura?
A política precisa de mulheres corajosas. Mulher não pode ser tratada como peça decorativa na política. Nós temos capacidade de liderar, formular projetos, defender pautas importantes e ocupar espaço de verdade. E ocupar espaço de verdade não é apenas aparecer na foto. É ter voz, opinião, coragem e participar das decisões.
Eleita, quais serão suas principais bandeiras?
Dar voz aos invisíveis. Quero falar sobre saúde, proteção às mulheres, educação e dignidade. Quero olhar principalmente para mulheres, crianças, jovens e idosos, que muitas vezes não são o assunto da vez no Congresso Nacional. Essas pessoas precisam estar no centro das prioridades da política. E, para mim, isso começa por Goiás.













