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Wilder Morais e o desafio de reconstruir a direita democrática: um neropolino de coração no novo tabuleiro político de Goiás

É inegável que, em determinado momento, aproximar-se do bolsonarismo foi um movimento estratégico para Wilder


Rodrigo Zani Por Rodrigo Zani em 18/11/2025 - 14:46

Wilder Morais
Embora nascido em Taquaral, Wilder Morais se tornou, há muito tempo, um neropolino de coração

A trajetória do empresário e engenheiro Wilder Morais é uma das mais peculiares e estratégicas da política goiana recente. Sua entrada na vida pública ocorreu simultaneamente como primeiro suplente do então senador Demóstenes Torres e como secretário de Estado no governo de Marconi Perillo, período em que ganhou projeção, confiança política e reputação de gestor técnico e eficiente.

A cassação de Demóstenes — que, para muitos analistas e, para mim, teve caráter muito mais político que técnico — representou uma ruptura profunda no cenário político brasileiro e goiano. Goiás e o Brasil, ao meu ver, perderam naquele momento um dos senadores mais preparados do Congresso. Demóstenes presidiu a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e foi autor de projetos estruturantes, cujos efeitos ainda reverberam na vida dos brasileiros. Hoje, consolidado como um dos maiores juristas do país, é plausível imaginar que, não fosse sua cassação, poderia ter se tornado um dos principais líderes da direita nacional.

Nesse contexto conturbado, foi Wilder Morais quem assumiu a cadeira de senador titular. E mostrou, desde o início, que não seria um ocupante de transição: firmou protagonismo, ampliou sua rede política e consolidou presença nacional.

Posteriormente, Wilder disputou a reeleição dentro de uma aliança com Ronaldo Caiado. Embora não tenha se eleito, desempenhou papel crucial na articulação política da chapa que levou Caiado à vitória ainda no primeiro turno. No primeiro mandato do governador, Wilder ampliou sua relevância política, sendo um dos principais nomes externos ao governo com capacidade real de influência.

Embora nascido em Taquaral, Wilder Morais se tornou, há muito tempo, um neropolino de coração. Sua presença na cidade é constante e próxima. Sua conhecida Fazenda Orca, localizada em Nerópolis, funciona como centro de convivência, articulação política e grandes eventos abertos ao público. Ali, Wilder recebe amigos, lideranças, produtores rurais e moradores da região.

Além disso, tornou-se figura frequente nas ruas e na tradicional feira do centro aos domingos — o que reforça o sentimento de identificação de muitos neropolinos com sua figura. Não é exagero dizer que ele se enraizou na cidade mais profundamente do que muitos políticos locais.

É inegável que, em determinado momento, aproximar-se do bolsonarismo foi um movimento estratégico para Wilder. A aposta funcionou eleitoralmente: elegeu-se senador pelo PL, vencendo nomes até então favoritos como Marconi Perillo e Delegado Waldir.

Mas aqui faço um parêntese pessoal: sempre me opus ao bolsonarismo radical. Considero esse movimento político ultrapassado, radicalizado e incapaz de oferecer soluções reais para os desafios do Brasil. Ainda assim, reconheço valores na direita democrática brasileira, valores que considero essenciais: educação técnica, geração de empregos, equilíbrio fiscal, segurança pública e fortalecimento da economia.

E justamente por isso acredito que Wilder Morais tem hoje uma responsabilidade histórica: contribuir para que a direita retome seu caminho legítimo, pragmático e construtivo.

Se atuar de forma técnica — e Wilder é técnico — e se conduzir com estratégia política adequada, ele pode ajudar a promover um projeto de direita moderna, baseada em resultados e políticas públicas reais para Goiás e para o Brasil.

Dentro do PL, Wilder tornou-se peça central. Hoje, praticamente há consenso na sigla de que será o candidato ao governo de Goiás. O partido rejeita alianças com a base governista — que terá Daniel Vilela como figura principal, apoiado por Ronaldo Caiado — e tampouco almeja composição com o PSDB de Marconi Perillo.

Curiosamente, Wilder conhece ambos os grupos por dentro: foi secretário tanto de Marconi quanto de Caiado, o que lhe dá uma leitura precisa das forças políticas que estruturam o estado.

A candidatura de Wilder Morais tem potencial para mudar o equilíbrio do tabuleiro político goiano. Ele já demonstrou habilidade estratégica, dispõe de estrutura sólida para campanha e deve contar com uma chapa altamente competitiva. Trata-se de uma candidatura real, forte e perigosa para quem a subestimar — e que pode redefinir a política do estado.

Se Wilder for eleito governador, Goiás poderá ver, com todo respeito a Taquaral, um neropolino de coração no Palácio das Esmeraldas. Nerópolis, que já viu Nono do Amaral e Edwaldo Borges ocuparem cadeiras na Assembleia Legislativa, pode enfim experimentar ter um representante afetivo — se não de nascimento, certamente de identidade — no mais alto cargo do estado.

E isso, para a história política goiana e para quem acredita na renovação da direita democrática, pode significar muito.

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Rodrigo Zani

É Secretário de Formação Política da União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar do Brasil - UNICAFES

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