O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (UB), tem entre as prioridades imediatas da gestão selar o destino do plano de saúde dos servidores municipais e também modernizar o GoiâniaPrev, pautas que interessam diretamente o funcionalismo público. Conforme afirmou à Tribuna, o Imas foi recebido com mais de R$ 2,5 bilhões em dívidas, que, após auditorias e acertos, ainda estão em aberto cerca de R$ 220 milhões.
Apesar do avanço, o instituto ainda demanda mudanças estruturais para melhorar o atendimento aos usuários e deixar de ser uma fonte permanente de crise administrativa. Por isso, Mabel articula pessoalmente, junto ao Tribunal de Contas dos Municípios (TCM-GO), a liberação da homologação da licitação que terceiriza a gestão da estrutura. Na sequência, pretende encaminhar à Câmara Municipal um projeto de lei para aumentar as contribuições e limitar o número de dependentes.
Na entrevista à Tribuna do Planalto, o prefeito fala sobre o passivo financeiro herdado da gestão anterior e apresenta os planos para a segunda metade do mandato. Na área de infraestrutura, aposta que Goiânia se transformará em um canteiro de obras, com a execução de mais de R$ 1 bilhão em recursos de empréstimos, além de ao menos outros R$ 2 bilhões provenientes de superávit orçamentário.
Por Andréia Bahia e Lucas de Godoi
TRIBUNA DO PLANALTO – O senhor assumiu a Prefeitura dizendo que tinha encontrado cerca de R$ 3 bilhões em dívidas. Como está esse cenário um ano e meio depois? Ainda está administrando um processo de recuperação ou essa crise ficou para trás?
SANDRO MABEL – Não, temos muita dívida. No Imas (Instituto Municipal de Assistência à Saúde dos Servidores de Goiânia), por exemplo, tínhamos R$ 2,5 bilhões só de tributos federais para pagar. Nós renegociamos todos, baixamos para R$ 300 milhões, praticamente, para pagar em dez anos, depois de uma negociação exaustiva de oito meses. Fizemos uma negociação grande com os fornecedores; uma boa parte não vamos pagar, fornecedor que não consegue comprovar o que foi prestado. Tem uma oficina que emitia uma nota de R$ 500 mil por mês, todo mês, sequencialmente, e depois emitia mais algumas notas, que eu suponho que fossem os serviços que ela tinha feito; mas tinha R$ 500 mil redondo todo mês. Como R$ 500 mil redondo? Estou dando isso só como exemplo. Na Saúde, tínhamos quase R$ 1 bilhão de coisas para trás. Só de dinheiro que veio do SUS, R$ 120 milhões, que a Prefeitura botou dentro do caixa único e não pagou os fornecedores do SUS. Nós estamos pagando aos poucos, mas o SUS está nos cobrando, quer receber de volta esse dinheiro e que ainda paguemos o fornecedor. Eu falei: Espera aí, eu não posso devolver e pagar. Posso pagar. Mas são R$ 120 milhões. Tinha R$ 200 e poucos milhões de crédito consignado com bancos, que a Prefeitura recebeu do funcionário, botou no caixa único e não pagou. São coisas que foram feitas. Hoje, a gente já conhece todos os passivos que existem. Só de anestesistas, são R$ 68 milhões para trás, coisa de muitos meses; oncologia, temos quase R$ 80 milhões para pagar; no Imas, temos R$ 250 milhões para pagar. Nós já pagamos uns R$ 20 milhões, R$ 30 milhões, mas temos ainda R$ 220 milhões para pagar. Coisa que não tinha sido empenhada, não tinha nada, passou como contas a pagar de R$ 5 milhões e pouco e estavam cobrando R$ 250 milhões. Nós decretamos calamidade financeira, além da Saúde, a calamidade financeira, que permitiu que nós fizéssemos uma série de negociações. O que nós temos pago, estamos pagando com 30%, 40% de desconto, parcelando em 20 vezes sem juros. Ainda tem muita conta para pagar, muitos ingressaram na Justiça. Nós temos de reclamações trabalhistas na Comurg, R$ 1,2 bilhão.
E como ficou o passivo da Comurg? O senhor renegociou a dívida com a Fazenda Nacional de R$ 2,5 bilhões, que caiu para R$ 300 milhões e foi parcelada. O passivo trabalhista, como tem sido pago e como o senhor pretende liquidar?
O passivo trabalhista nós estamos discutindo. Trocamos todos os advogados, porque o
corpo de advogados, que era de 40 e poucos advogados, eram associados a advogados de sindicatos. Os acordos que aconteciam eram todos que o corpo jurídico da Comurg homologava junto com o sindicato. Era prejuízo para nós para tudo quanto é lado.
Nós tínhamos R$ 1,2 bilhão, mas já entramos com um monte de ação. Tem ações coletivas lá de 1.500 pessoas e tem papel de 200; as outras 1.300 não têm papel, só estão na causa junto, mas não tem papel de ninguém. Tem advogados que assinavam procuração pelos funcionários; tinha acertos de rachadinha e só de acerto de rachadinha nós tivemos quase R$ 23 milhões. A gente vem driblando esse passivo todos os dias e entendemos hoje que o nosso passivo trabalhista na Comurg desce de R$ 1,2 bilhão para aproximadamente R$ 400 milhões, porque a gente está defendendo e fazendo rescisória, contratando outro pessoal e passamos a instruir os processos. Tem processo completamente sem pé nem cabeça, só que, como os advogados eram sócios de uma turma e da outra, ganhavam os honorários, ganhava tudo, repartia e a Comurg ia pagando. O aterro sanitário é a mesma coisa, tem problema de medição de máquina da Comurg. O diário de bordo das máquinas dizia que a máquina só trabalhava um turno e eles faturavam dois turnos completos, como se tivesse trabalhado oito horas em um turno e oito horas no outro, e que tinha trabalhado todos os dias do mês. Trinta dias por mês, incluindo o mês de fevereiro, que tem 28, trabalhava 30 também. Vinha a fatura e pagavam-se essas faturas. Nós temos mandado para a polícia um monte de coisa, para o Ministério Público, e vai tirando da frente. Com esse tipo de fornecedor a gente não negocia. A gente briga com ele. Já disse para ele que não vai pagar, ele que ingresse na Justiça. Muitos ingressam e, quando ingressam, a gente entra com uma queixa criminal também.Os anestesistas perguntam: Vamos dar desconto por quê? Porque vocês não deviam ter anestesiado todos esses meses sem receber. Isso vocês têm que absorver como prejuízo. Eu não vou pagar para vocês.
No caso dos anestesiologistas, eles não tinham contrato?
No Imas inteirinho não tinha um contrato. Era tudo pago por indenização, todo mundo.
Sobre o Imas, o senhor afirmou que pode vir a fechá-lo. Ainda é essa a decisão do senhor?
A Unimed de São Paulo fechou. A Unimed de São Paulo paga mais de R$ 100 mil para o presidente, tem não sei quantos diretores capacitados e tudo mais. Nosso Imas não tem, não. O presidente ganha R$ 15 mil. E, como a gente apertou, não tem de onde tirar, porque tinha o cara que ganhava R$ 15 mil e o que ganhava mais R$ 100 mil por fora. Esses apertos para todos os lados é que fazem os bezerros gritar. É bezerro que não desmamou. Essas coisas, no Imas, não temos capacidade de gerenciamento. Não temos dinheiro para contratar, não tem estatuto que permita contratar, não temos capacidade desse gerenciamento. Tem funcionário que paga R$ 1,30 por mês e tem dez da família, cada um paga R$ 1,30. É uma conta que não fecha. Vai um projeto para a Câmara, modificando essa forma de cobrança, mas eu só mando se aprovarem a empresa contratada para nos ajudar. A empresa tem quase um milhão de vidas; eles sabem como negociar hospitais, como negociar pacotes. Lá, o cara ia para o hospital, o hospital ia fazendo exame, tudo por indenização, fazia 40, 50 exames. Hoje, não; tem um pacotinho de R$ 200 com a consulta embutida e mais cinco exames. Se for aumentando, a regulação nossa faz. Nós equilibramos o Imas, mas estamos atendendo mal, com o pouco dinheiro que tem não dá para atender bem.
O TCM inviabilizou a contratação dessa empresa de gestão e o senhor esteve lá para discutir isso. O que ficou decidido? O Tribunal vai rever a cautelar que impediu a assinatura com a empresa de gestão?
Nós mostramos o que é a empresa, como funciona, por que não temos condição de tocar; mostramos tudo isso e dissemos para eles o seguinte: A sentença do Imas é de vocês. Se vocês mantiverem a cautelar, nós fechamos o Imas na semana que vem.
A gente não tem o que fazer. Eu estou atendendo o funcionário mal. Então, eu vou pegar o dinheiro que gasto no Imas, chegar para o funcionário e falar: Cada um tem tantos reais aqui; procura o seu plano de saúde ou nós vamos ajudar a organizar o plano de saúde para eles. E pronto, resolve esse assunto. Porque não tem como também o contribuinte ficar pagando R$ 30 milhões por mês para tocar o Imas do jeito que tocava.
E fatura quanto hoje, das contribuições e da parte que a Prefeitura paga?
R$ 16 milhões.
Esses R$ 14 milhões vão sair do bolso de quem?
Não precisa de R$ 14 milhões. Nós achamos que o Imas, com R$ 23 milhões, R$ 24 milhões, a gente toca ele. A Prefeitura vai entrar com uma parte desse excedente e o beneficiário vai entrar com a outra. Não tem como eu ter um dependente pagando R$ 1,30.
A grande mudança vai ser cobrar mais dos dependentes?
Limitar o número de dependentes, cobrar um pouco mais dos dependentes, principalmente dos agregados, vamos chamar assim. Porque hoje, você pode colocar avô e avó. A faixa etária acima de 50 anos é absurda, é quase 70%. Porque todas as vidas que os outros planos não querem vão para lá. Oncologia consome cinco meses e meio de arrecadação do Imas.
Qual a expectativa com o projeto do Imas na Câmara? O senhor tem base consolidada entre 25 e 27 vereadores. Esse projeto do Imas passaria tranquilamente na Casa?
Nós estamos mandando para o Tribunal de Contas; o Tribunal de Contas dando ok, a gente manda o projeto para a Câmara. Se a Câmara não passar, fecha na semana seguinte.
A bola está com o Tribunal porque precisa aprovar a contratação da empresa gestora?
Se aprovar, a gente manda o projeto para a Câmara. A empresa entra, a gente começa a melhorar o sistema e manda o projeto para a Câmara para fazer o cálculo atuarial e cobrar dentro do cálculo atuarial, que vai ser muito mais barato que qualquer plano de saúde, pelo que nós simulamos. Se a Câmara também não aprovar, não tem que fechar.
O senhor acabou de aprovar na Câmara projetos importantes, como o empréstimo de R$ 310 milhões e pretende fazer mais operações, como a de R$ 500 milhões para a agenda de clima. Qual é o limite de endividamento seguro para Goiânia?
O Tesouro Nacional permite você endividar 150% da sua receita líquida de um ano. Goiânia teria uma capacidade de endividamento de R$ 13 bilhões.O endividamento hoje de Goiânia, o que nós pagamos e o que nós pegamos é R$ 2 bilhões. Teríamos R$ 10 bilhões e pouco para endividar. Mas é mais do que isso que pode endividar, porque o endividamento líquido de Goiânia, que é o endividamento menos o que tem de meios para pagar, é R$ 400 milhões. Por isso que fizemos os superávits no ano passado e neste ano. O endividamento hoje é R$ 300 e poucos milhões, ou seja, é 3,9%. Não tem nenhum perigo de comprometimento. Esses investimentos são para fazer algumas coisas extras, como o Puama (Programa Urbano Ambiental Macambira Anicuns), para o qual nós pegamos R$ 300 milhões. É um programa ambiental grande e de muito longo prazo para pagar. Temos que dar continuidade a um projeto que começou, fez uma primeira etapa que demorou 35 anos para concluir, e agora, estamos na segunda etapa do Puama. Eu penso em fazer muito diferente do que ele foi feito.
O que entra de obras dentro desse empréstimo?
Tudo, desapropriação, parque, praças, correção de algumas coisas, plantar árvore e outras coisas mais. O que comeu muito o dinheiro do Puama foram as desapropriações. Nós não vamos fazer mais desapropriações. O Puama tem 24 quilômetros e nós vamos abrir uma trilha de 24 quilômetros, vamos abrir o Puama inteirinho, e toda a cidade vai poder se beneficiar do Puama. A trilha será de cinco metros, de três metros, aí o técnico vai definir. A cidade toda vai poder andar. Eu vou fazer uma maratona, uma meia maratona, uma maratona inteira, vai e volta dentro do Puama. Mantendo toda a estrutura do Puama, nós vamos tomar conta daquele programa, porque tudo que desapropriamos está sendo invadido; vem sendo invadido ao longo dos anos. É um dinheiro que queimamos e jogamos fora. Para você tomar conta, que nem a Transamazônica, precisa ter um meio de circulação lá dentro. Fizeram a Transamazônica, nós vamos fazer um negócio desse. Depois, conforme esteja perto de bairros ou de alguma centralidade que seja importante ter uma praça, ter um equipamento público para as crianças brincarem, um lago, por alguma razão, tudo que puder ser feito, nós vamos fazer com uma parte desse financiamento. Eu não vou gastar nem 1%, pelo menos não pretendo gastar nem 1%, em desapropriação.
Dá tempo de gastar todo esse dinheiro – dos empréstimos e do superávit – no mandato?
Eu não penso no mandato, eu penso na cidade. Quando assumi, mandei ver os projetos que tinham prontos para ver o que eu poderia aproveitar. Sabe quantos tinha? Nenhum. Não tinha um projeto para fazer uma casinha de sabiá aqui na Prefeitura. Eu vou gastar R$ 100 milhões só em projetos, projetos que eu não vou realizar no meu mandato, muitos deles, projetos que são importantes para a cidade. Vamos fazer várias passagens na Perimetral Norte para aliviar o trânsito dos cruzamentos. Fazer quatro delas. Eu pretendo entregar no meu mandato, se eu não conseguir, o projeto está pronto. Eu vou fazer uma série de intervenções na Marginal Cascavel, na drenagem do Cascavel. Nós estamos fazendo os projetos e começando a licitação. Eu devo ter já, colocando na praça até o mês de outubro, mais ou menos umas 50 obras que estão sendo licitadas. Só UPA são oito. Os projetos de três já estão prontos, já estão indo para licitação; uma já está licitada, a segunda está indo para licitação também. Nós vamos ter 30 UBSs que já começaram.
E qual o prazo de construção dessas UPAs?
São 14 meses, devem ficar prontas em março, abril do ano da eleição. Mas elas vão ser feitas; elas precisam ser feitas. Se meu mandato ficar no primeiro, eu vou ter deixado um legado nisso daqui. Nós temos muitas grotas em Goiânia, muitos riachinhos e tem pontes de ligação entre bairros, pontes pequenas. Nós já levantamos setenta e tantas pontes e estamos fazendo projeto de sessenta e tantas pontes. Leste-Oeste, tem aquele monte de segmentação. Vamos passar a Leste-Oeste inteira, lá do Cerrado, encostando em Trindade, até Senador Canedo. Nós vamos fazer, já começou e vários trechos estão sendo licitados. Eu não vou ficar esperando, vou passando onde dá para passar, vou tirando, botando ponte, desapropriando, passando o trator onde é nosso e está invadido e vamos embora. Aquela ponte da Castelo Branco com a Leste-Oeste, aquele monumento está condenado e eles querem que faça a demolição dela. Eu quero salvar a obra. Eu não quero derrubar uma obra, já pensou o transtorno que é uma obra daquela? Então, nós estamos trabalhando. Mandei refazer os projetos, fui lá pessoalmente, domingo passado estava lá, medindo com a trena, porque eu vou lá e olho. Nas laterais dela está prevista uma pista de cinco metros, que seria um carro estacionado e outro passando. Cinco metros passam dois carros. Eu abri essas laterais para poder passar dois carros. Então, elas vão ter seis metros e vinte para poder passar dois carros sem o estacionamento. É que a lateral não é lugar de estacionar. Como os semáforos estão todos sincronizados na Castelo Branco, colocar mais um semáforo não faz diferença nenhuma. Em 90, 120 dias nós estamos com aquilo andando. A Leste-Oeste, quando chega na Pecuária, está parada.
A área é da União. Tem que fazer uma desapropriação.
Não quero nem saber. Eu já falei para a União que nós vamos ocupar a área dela. A União entende que aquela área é inservível. A União dá isso para a gente. Às vezes, é um processo para ser feito, mas a gente assina um documento com a União e começa a fazer a obra e vem, posteriormente, a regularização daquilo ali. A União quer regularizar. Eu tenho que passar dentro do Negrão de Lima, naquela favela que tem lá no setor. Aquilo ali tem que negociar para fazer, mas eu consigo passar uma via.
Então, vou fazer um binário. Eu passo uma por fora e outra por dentro, e vou negociando, para retirar as casas, aquele monte de barracos lá. Vou tirando eles fora e vou desmanchando, mas eu já passei uma via. A segunda eu vou passar quando? Não sei, mas vou passar. Enquanto isso, eu estou fazendo um viaduto ali na Independência. É tudo para andar. Eu tenho aquele buraco ali na BR-153, ainda na Leste-Oeste. Ele é estreito, mas ele passa debaixo. Ele vai continuar passando. Nós vamos fazer um viaduto. Estou acertando com o Dnit como é que vai fazer, mas até eu fazer o projeto, aprovar, o Dnit deixar, passaram três anos. Então, vai passar pelo buraco. A Leste-Oeste vai andar de ponta a ponta. Aquela baixada ali do Vera Cruz, ela vem duplicada, daqui a pouco afunila, passa aquela pontinha que alarga, vira e mexe, sobe, anda um quilômetro subindo numa pista simples, chega lá em cima, tem uma via que vai para cá, outra que mistura para cá e tal. Vou regularizar aquilo tudo, duplicar tudo e duplicar aquela ponte. Eu vou passar também. Ah, tem um cara que tem uma chacrinha, que ele pulou dentro da coisa; eu derrubo a cerca dele e vamos embora, que está dentro da nossa área, o que é invasão.
A Saúde continua liderando em reclamações, mesmo o senhor tendo assumido a pasta um mês antes. O que precisa acontecer para essa melhora no atendimento ser sentida lá na ponta pelo cidadão? As oito UPAs e as UBSs que o senhor tem construído ficam prontas daqui a dois anos. É daqui a dois anos que o cidadão vai ter essa percepção de melhora?
Não. As UBSs ficam prontas muito antes disso. Mas o que nós pretendemos ter é uma saúde progressivamente crescente. Nós trocamos os raios X de todos os lugares, nós trocamos o mobiliário, melhorando o atendimento, colocando computador novo para o cara poder ter uma ficha dele que sirva para vários lugares. Nós colocamos serviço pediátrico e tudo mais. Você não vê mais mulher reclamando de menino no final de semana, que não tem onde levar. A grande maioria das nossas unidades, é 24 horas, sete dias por semana, serviço pediátrico. Nas 11 unidades nossas funciona assim. Isso descentralizou esse problema. Remédio, nós temos 86% dos remédios. Por que não temos 100%? Porque a gente compra e o cara não entrega. Nós começamos a multar, a negativar esse pessoal, começamos a fazer isso para o cara levar a licitação a sério.
Porque o cara está acostumado, eu não sei o que ele fazia, conseguia manipular o preço, vendia e conseguia entregar de alguma forma, pelo menos um pedaço. Isso daí hoje não tem mais. O cara tem que entregar o que ele vendeu. Tem uns fornecedores mal-acostumados, e nós metemos a polícia em cima deles, estamos multando, executando, fazendo uma série de coisas. Mas falta o remédio, e eu tenho que abrir outro processo. Isso vem diminuindo. Cada dia vem diminuindo a falta, porque começaram a vir empresas sérias. Nós já temos indústria que está topando fazer licitação para nós. Nenhuma indústria licita para prefeitura nenhuma, porque sabe que tem rolo, que não tem jeito, que eles perdem tempo de vir aqui, depois a gente não paga e outras coisas mais. Nós estamos tentando tirar essa imagem. Inclusive, eu fiz com a Caixa Econômica a carta de fiança bancária. Uma indústria farmacêutica ganha uma licitação e damos uma carta de fiança bancária para ele. Se não pagar no vencimento, ele recebe da Caixa Econômica, porque eu tenho um dinheiro grande na Caixa Econômica que lastreia essas cartas. É tudo uma construção novamente de um processo, essa construção leva tempo, mas a gente já consegue sentir até na Saúde, que as pessoas estão melhor atendidas. Agora, Saúde é uma insatisfação desde de sempre. E quem reclama de Saúde? Por exemplo, eu tenho meu plano de saúde e vamos dizer que eu não conhecia as unidades de saúde, como muita gente que tem plano de saúde não vai nas nossas unidades de saúde. Mas a pessoa que trabalha com ela, o parente dela, qualquer coisa que vai na unidade de saúde, diz: aqui está uma porcaria. Qual é a impressão que vai dar? Uma porcaria. Até que essa imagem reverta não é fácil. E nessas unidades velhas que nós temos, não vai reverter nunca. Porque está mofado mesmo. A gente troca o móvel novo numa casa velha. Agora, lançamos o Pafus (Programa de Autonomia Financeira das Unidades de Saúde). Dia 10 vamos botar R$ 10 milhões no Pafus, mais de R$ 100 mil para cada unidade de saúde nossa. Vai chegar lá, e eu não quero ver nenhum banheiro quebrado, não quero ver nenhuma porta quebrada, eu não quero bebedouro sem água gelada. Essas coisas básicas que dão um acolhimento. Eu não quero cadeira furada, eu não quero colchão furado, eu não quero roupa de cama estragada. Isso aí eles compram com o próprio Pafus e conseguem fazer. Eu não quero chegar na unidade e ter mato: a Comurg não vem cortar. Não é a Comurg mais; é o dinheiro da unidade. O dinheiro vai para uma conta do Conselho de Saúde. O Conselho de Saúde define, gasta e paga.
Estão dizendo que o senhor está formando a base do Mabel ao apoiar deputados estaduais que ajudaram com o decreto de calamidade, além de ter compromisso com deputados federais que destinaram recursos e a turma da Câmara que o senhor prometeu apoiar, a exemplo do seu líder, Wellington Bessa. Essa base do Mabel vai ficar de que tamanho? Já está visando o processo eleitoral de 2028?
Mas não é a base do Mabel, não. É uma gratidão do Mabel. Porque, realmente, como eu deixo de apoiar a Flávia Morais, que já colocou mais de R$ 40 milhões para mim aqui; o senador, Vanderlan (Cardoso), o Adriano do Baldy, o Glaustin (da Fokus), são muitos que colocaram; logicamente, temos os que colocaram muito – o (Jorge) Kajuru, por exemplo, colocou R$ 60 milhões para nós, mas o Vanderlan colocou R$ 40 milhões.
O Kajuru não é candidato, o Vanderlan é candidato e eu não posso virar as costas para ele. Os deputados estaduais são a mesma coisa e os vereadores são companheiros meus. Eu acho ruim sair candidato – gente, agora que nós estamos ficando amigos, vocês vão sair candidatos, vamos embora tocar mais uns anos aqui. Mas eles têm esse sonho e vamos deixar todo mundo sonhar. É uma base que não é um compromisso que eu tenho. É um compromisso que eles já fizeram por mim antes de eu fazer com eles. Está na fora de eu fazer a minha parte também. Ir com eles, andar, fazer reuniões, colocar parte do nosso pessoal para apoiar e ajudar a viabilizar essas pessoas. Deputado estadual vai ter uns 400 candidatos, 500. Estar ajudando meia dúzia não é uma grande coisa. Mas a gente tem uma força política e vamos utilizar essa força política que nós temos para ajudar quem nos ajuda.














