O primeiro dia oficial de campanha ao Governo de Goiás colocou na rua deste domingo (16), estratégias diferentes entre os quatro principais candidatos ao Palácio das Esmeraldas. Daniel Vilela (MDB), Marconi Perillo (PSDB), Wilder Morais (PL) e Luís César Bueno (PT) escolheram locais e palanques que antecipam os caminhos que pretendem explorar até outubro.
Daniel abriu a campanha no Entorno do Distrito Federal ao lado do ex-governador e candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD). Marconi dividiu a agenda entre Rio Verde, terra da vice Jacqueline Zaiden, e Goianésia, município recorrente em suas largadas eleitorais. Wilder começou por Taquaral de Goiás, onde nasceu, antes de seguir para o lançamento de Gustavo Gayer ao Senado em Goiânia. Luís César deixou Goiás para participar, em São Bernardo do Campo, da largada da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Daniel e a continuidade
Governador e candidato à reeleição, Daniel fez a escolha mais ligada à estrutura política que o cerca. Foram cerca de 14 horas de agenda por Águas Lindas, Santo Antônio do Descoberto, Novo Gama, Valparaíso, Cidade Ocidental e Luziânia, sempre acompanhado por Caiado e por lideranças da base governista.
A aposta é transformar a aprovação da gestão iniciada por Caiado em voto para Daniel, ao mesmo tempo em que o governador tenta construir uma identidade própria. Na largada, porém, predominou a mensagem de continuidade. O Entorno foi usado como exemplo das mudanças promovidas pelo governo nos últimos anos e também como território considerado estratégico para liquidar a disputa ainda em outubro.
“Vocês precisam nos ajudar para que, mais uma vez, o Entorno seja decisivo para uma vitória no primeiro turno”, afirmou Daniel durante a passagem pela região.
A presença de Caiado cumpre ainda uma segunda função. Enquanto Daniel tenta herdar o capital político da gestão estadual, o ex-governador usa a estrutura e os aliados em Goiás para impulsionar sua própria candidatura presidencial. Os dois fizeram juntos boa parte da agenda de domingo.
Marconi volta ao território conhecido
Marconi escolheu combinar dois elementos que deverão acompanhar sua campanha: memória política e tentativa de apresentar uma nova versão de seu projeto de governo.
O tucano começou o domingo em Rio Verde, cidade da candidata a vice Jacqueline Zaiden, com participação em um culto na Assembleia de Deus. Depois, esteve em um encontro voltado à terceira idade e seguiu para Goianésia, onde realizou o lançamento oficial da candidatura. A cidade já esteve no roteiro de largada de outras campanhas de Marconi.
No discurso em Goianésia, Marconi falou em recuperação dos serviços públicos, valorização dos servidores, industrialização e políticas para jovens. A coligação adotou o nome “Goiás Pode Muito Mais”, reforçando o contraponto com a gestão atual e a tentativa de recuperar a memória das quatro passagens do tucano pelo governo.
A estratégia tem dois desafios simultâneos. Marconi precisa transformar seu legado em ativo eleitoral sem deixar a campanha restrita ao passado e, ao mesmo tempo, ocupar o espaço de principal adversário de Daniel diante de uma oposição dividida com Wilder.
Wilder começa pela própria história
Wilder fez uma escolha pessoal. Antes de qualquer ato político, voltou a Taquaral, município onde nasceu, e participou de uma missa na Paróquia São Miguel Arcanjo, igreja ligada à infância e à história de sua família.
A largada sinaliza uma das apostas de sua campanha: ampliar a imagem do senador para além do empresário e do político ligado ao bolsonarismo, explorando a trajetória de origem humilde até a construção de uma carreira empresarial.
Depois de Taquaral, Wilder foi para a Praça Tamandaré, em Goiânia, participar do lançamento da candidatura de Gustavo Gayer ao Senado. O ato também contou com Ana Paula Rezende, candidata a vice, e candidatos proporcionais do PL.
Ao dizer que “a nossa chapa é uma só”, Wilder deixou claro outro eixo da estratégia: manter o grupo do PL unido durante a campanha, com Gayer e Oséias Varão ao Senado e a vinculação ao campo bolsonarista.
Luís César nacionaliza a disputa
Luís César Bueno adotou caminho inverso e sequer começou a campanha em Goiás. O candidato do PT foi a São Bernardo do Campo para dividir o primeiro palanque com Lula no lançamento da campanha presidencial.
A escolha traduz a principal aposta petista no Estado: nacionalizar a eleição e tentar transferir para Luís César parte do eleitorado de Lula em Goiás. O próprio candidato já havia afirmado que pretende concentrar na chapa estadual os votos dados ao presidente e chegar ao início de setembro em posição mais competitiva nas pesquisas.
No domingo, voltou a resumir a estratégia ao defender uma campanha conjunta dos “dois Luízes”, associando diretamente sua candidatura à do presidente. Também anunciou foco em redes sociais, grupos de família e campanha corpo a corpo nos próximos 50 dias.
A largada, portanto, apresentou quatro campanhas com problemas diferentes para resolver. Daniel precisa transformar continuidade em identidade própria. Marconi tenta fazer do passado uma ponte para uma nova eleição. Wilder trabalha para juntar sua trajetória pessoal à força do bolsonarismo. Luís César aposta que Lula será suficiente para tirar sua candidatura do segundo pelotão.













