A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro da primeira caneta genérica de semaglutida do Brasil, ampliando a oferta de medicamentos que utilizam o mesmo princípio ativo presente no Ozempic. O novo medicamento será produzido pela farmacêutica EMS e tem indicação aprovada para o tratamento de adultos com diabetes mellitus tipo 2 insuficientemente controlado.
A Anvisa também autorizou um medicamento similar, chamado Semaclique, registrado pela Germed. Os dois produtos utilizam semaglutida obtida por síntese química e são administrados por meio de injeção subcutânea uma vez por semana.
Para que serve o novo genérico?
Apesar de a semaglutida ter ficado popularmente conhecida por seu efeito na perda de peso, a indicação aprovada para a nova versão genérica é o tratamento do diabetes tipo 2. O medicamento poderá ser utilizado como complemento à dieta e à prática de exercícios físicos.
A utilização pode ocorrer em monoterapia, quando a metformina não é considerada apropriada devido à intolerância ou contraindicação do paciente, ou em associação com outros medicamentos utilizados no tratamento do diabetes.
A semaglutida pertence à classe dos agonistas do receptor de GLP-1. Entre seus efeitos estão o estímulo à produção de insulina e a atuação em mecanismos relacionados à saciedade.
Qual a diferença entre genérico e similar?
O genérico aprovado pela Anvisa não possui nome comercial, como determina a legislação para essa categoria de medicamento. Já o Semaclique, da Germed, foi registrado como medicamento similar e, portanto, possui marca própria.
As novas canetas serão disponibilizadas em apresentações de 1,5 ml ou 3 ml, preenchidas e descartáveis, com agulhas incluídas. A aplicação é semanal.
Já dá para comprar?
A aprovação da Anvisa não significa que as novas canetas já estejam imediatamente disponíveis nas farmácias. Até o momento, não foram divulgadas oficialmente as datas de início da comercialização nem os preços dos novos produtos.
Há, porém, uma expectativa de ampliação da concorrência no mercado brasileiro após o fim da patente da semaglutida. A Anvisa já vinha aumentando o número de registros de medicamentos com o princípio ativo. Em julho, a agência autorizou cinco novas canetas de semaglutida sintética: Owozy, Seemasun, Zempneo, Semavy e Orsema.
Antes disso, em maio, havia sido aprovado o Ozivy, também da EMS, primeira caneta de semaglutida sintética análoga ao Ozempic autorizada no país.
Venda exige receita retida
Outro ponto importante é que a compra desses medicamentos não é livre. Desde junho de 2025, medicamentos agonistas do receptor de GLP-1 estão submetidos a regras mais rígidas de prescrição no Brasil.
A venda nas farmácias e drogarias exige receita médica em duas vias, e uma delas fica retida no estabelecimento. A Anvisa adotou a medida diante dos riscos relacionados ao uso desses medicamentos sem acompanhamento adequado.
A orientação, portanto, é que a semaglutida seja utilizada somente dentro das indicações aprovadas e com acompanhamento de profissional de saúde.
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