O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), planeja manter sob sua relatoria o inquérito que apura se o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, teria cometido tráfico de influência no governo federal. O magistrado sinalizou a pessoas próximas que tende a rejeitar o pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para que a investigação seja enviada à primeira instância.
A apuração envolve supostas tratativas feitas por Lulinha junto ao Ministério da Saúde com o objetivo de obter aval para a comercialização de Cannabis medicinal no Brasil. Segundo a Polícia Federal (PF), o empresário teria usado a condição de filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para tentar conseguir êxito na negociação.
A PGR sustenta que, como não existem autoridades com foro especial explicitamente envolvidas nas suspeitas, não haveria justificativa para a permanência do caso no Supremo. Mendonça, porém, considera que ainda é cedo para chegar a essa conclusão. O ministro avalia que conversas interceptadas pela PF ainda podem indicar a participação de pessoas com foro privilegiado.
De acordo com a investigação, menções a autoridades com foro estariam presentes em conversas mantidas pela empresária Roberta Luchsinger, próxima de Lulinha e de Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, com interlocutores envolvidos nas negociações.
Pessoas próximas a Mendonça demonstraram perplexidade com o pedido apresentado pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet. O motivo é que, em julho, a própria PGR havia se manifestado favoravelmente ao livre sorteio da relatoria do caso no STF. Auxiliares do ministro também desconfiam de uma tentativa de afastá-lo da condução das investigações, em razão do rigor adotado por ele em casos como o do Banco Master e o das fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A decisão de Mendonça pode influenciar outra investigação contra Lulinha que tramita no Supremo, sob a relatoria do ministro Flávio Dino. Essa apuração também trata de negócios supostamente ilícitos entre o empresário e o governo federal, mas ainda não foram divulgados detalhes sobre o conteúdo específico do processo. O entorno de Dino avalia que ele poderá manter o caso na corte caso Mendonça rejeite o envio de sua investigação à primeira instância, buscando uniformidade no tratamento dos processos.
A defesa de Lulinha nega qualquer irregularidade e afirma que existe interesse político por trás do inquérito. O presidente Lula, por sua vez, declarou que o filho não terá privilégios e precisará provar sua inocência.
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, representante do empresário, também criticou os vazamentos de informações, classificados por ele como seletivos, descontextualizados e criminosos. “Estamos diante da triste e nefasta instrumentalização do sistema de justiça ou de parte dele, a serviço de interesses políticos e eleitorais”, afirmou.
Roberta Luchsinger declarou nas redes sociais que criminalizar relações de amizade afronta princípios do Estado democrático de Direito. Ela também disse ser doloroso ver seu nome e o de pessoas próximas atingidos por acusações e narrativas que, segundo ela, desconsideram os fatos.












