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Conitec abre consulta pública sobre PrEP injetável que pode ampliar prevenção do HIV no SUS

Conitec abre consulta pública sobre PrEP injetável de longa duração que pode ampliar prevenção ao HIV no SUS


Fábio Prado Por Fábio Prado em 20/08/2026 - 17:35

Conitec abre consulta pública sobre PrEP injetável que pode ampliar prevenção do HIV no SUS - Foto: Divulgação GSK/Unsplash
Conitec abre consulta pública sobre PrEP injetável que pode ampliar prevenção do HIV no SUS - Foto: Divulgação GSK/Unsplash

Medicamento cabotegravir é aplicado a cada dois meses e dispensa uso diário de comprimidos. Comissão deu parecer inicial favorável à incorporação e sociedade pode participar até 31 de agosto.

Uma injeção a cada dois meses pode se tornar uma nova opção de prevenção do HIV oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) abriu a Consulta Pública nº 76 para avaliar a incorporação do cabotegravir de longa ação como Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP).

A consulta ficará aberta até 31 de agosto e permite que pacientes, profissionais de saúde, pesquisadores, organizações da sociedade civil e qualquer pessoa interessada apresentem opiniões, experiências, críticas, sugestões e evidências sobre a chegada da nova tecnologia ao SUS.

O momento é particularmente importante porque a Conitec já emitiu recomendação inicial favorável à incorporação. O parecer foi definido durante a 154ª Reunião Ordinária da comissão, realizada entre 5 e 7 de agosto. A consulta pública é uma das etapas que antecedem a recomendação final sobre a oferta da tecnologia pelo SUS.

Mais do que a avaliação de um novo medicamento, a discussão coloca em pauta uma mudança importante na prevenção do HIV: ampliar as possibilidades de escolha. Hoje, a principal modalidade de PrEP disponível no SUS utiliza tenofovir e emtricitabina em comprimidos. Com o cabotegravir, a proteção pode ser mantida com aplicações periódicas, reduzindo a dependência da tomada diária de medicamentos.

O que é o cabotegravir e como funciona

O cabotegravir é um medicamento antirretroviral de longa ação utilizado para prevenir a infecção pelo HIV em pessoas que não vivem com o vírus e apresentam risco aumentado de adquiri-lo . Ele pertence à classe dos inibidores da integrase e bloqueia uma enzima utilizada pelo HIV para integrar seu material genético ao DNA das células humanas. Ao impedir essa etapa fundamental do ciclo do vírus, o medicamento evita o estabelecimento da infecção.

A principal diferença em relação à PrEP oral está na forma e na frequência de utilização. O cabotegravir é administrado por injeção intramuscular. São duas aplicações iniciais com intervalo de quatro semanas e, depois, uma dose de manutenção a cada oito semanas . O medicamento, comercializado como Apretude, tem registro na Anvisa desde junho de 2023 para prevenção do HIV em adultos e adolescentes com mais de 12 anos e peso mínimo de 35 quilos.

Por que a PrEP injetável faz diferença

A PrEP oral já é uma estratégia altamente eficaz de prevenção. O desafio, entretanto, não está apenas na capacidade do medicamento de proteger contra o HIV, mas em conseguir utilizá-lo conforme recomendado . Dados do Ministério da Saúde mostram que 55% dos usuários descontinuaram o uso da PrEP oral, com taxas ainda maiores entre os mais jovens: 68% para menores de 18 anos.

Os estudos considerados na avaliação da Conitec apontaram superioridade do cabotegravir em relação à PrEP oral com tenofovir e emtricitabina. No conjunto das pesquisas analisadas, houve redução adicional do risco de infecção pelo HIV entre 66% e 91%, dependendo da população estudada. Segundo o relatório, parte importante desse resultado pode ser explicada pela menor dependência da adesão diária, já que a formulação injetável mantém concentrações do medicamento por períodos prolongados.

Isso não significa que a PrEP oral deixará de existir ou que uma estratégia seja adequada para todas as pessoas. A discussão sobre novas tecnologias de prevenção passa justamente pela possibilidade de oferecer diferentes opções para diferentes necessidades.

Quem está incluído na proposta analisada pela Conitec

A solicitação apresentada à Conitec pela GlaxoSmithKline Brasil contempla o cabotegravir como PrEP para homens que fazem sexo com homens (HSH) e mulheres trans entre 15 e 30 anos, com peso igual ou superior a 35 quilos, considerados grupos com maior vulnerabilidade à infecção pelo HIV . O próprio relatório chama atenção para o fato de que o protocolo brasileiro de PrEP contempla uma população elegível mais ampla. Essa diferença torna a participação da sociedade civil na consulta pública ainda mais relevante, inclusive para o debate sobre quais pessoas poderão efetivamente ter acesso à tecnologia caso ela seja incorporada.

Impacto financeiro e contexto

O custo elevado foi um dos pontos de atenção durante a apreciação inicial da Conitec. A análise de impacto orçamentário estimou que a incorporação pode representar entre R$ 612,9 milhões e R$ 961,5 milhões ao longo de cinco anos . Embora os integrantes tenham reconhecido os benefícios da PrEP injetável, especialmente para alcançar pessoas em maior vulnerabilidade, o custo levou à discussão sobre uma possível incorporação condicionada à redução de preços e a futuras reavaliações diante da chegada de novas tecnologias.

A discussão acontece poucos dias depois de o cabotegravir ganhar destaque durante a 26ª Conferência Internacional de Aids (AIDS 2026), realizada entre 26 e 31 de julho, no Rio de Janeiro. Foi durante o evento que o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou que o governo havia chegado a um acordo para aquisição do cabotegravir e que a proposta seria submetida à Conitec. Na ocasião, o Ministério da Saúde sinalizou a intenção de disponibilizar a tecnologia no SUS ainda em 2026, caso o processo seja concluído favoravelmente.

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