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“Bando de menina”: Nikolas Ferreira associa aborto a feminismo e culpa mulheres por “sexo desregrado”

Deputado não apresentou dados para sustentar a afirmação e defendeu impedir a interrupção da gravidez até mesmo nos casos de estupro


Por Carlos Nathan Sampaio em 25/08/2026 - 10:36

“Bando de menina” Nikolas Ferreira associa aborto a feminismo e culpa mulheres por “sexo desregrado”
(Foto: Reprodução)

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), candidato à reeleição, afirmou que jovens influenciadas pelo feminismo estariam mantendo relações sexuais “desregradas” e recorrendo ao aborto diante de uma gravidez. A declaração foi dada ao programa “Política em Minutos”, da LeoDiasTV em parceria com a PlatôBR, em entrevista exibida na sexta-feira (21) e cujos trechos repercutiram novamente nesta segunda-feira (24).

“Sabe o que está acontecendo, na verdade? É um bando de menina que foi influenciada por feministas para poder ter sexo desregrado. Quando tem um filho, quer abortar”, declarou.

Nikolas também usou o jogador Neymar como exemplo para sustentar seu raciocínio. “Eu nunca vi e duvido uma pessoa que foi engravidada pelo Neymar abortar”, afirmou. Questionado pelo jornalista Caio Barbieri sobre a existência de dados que comprovassem a suposta influência feminista, o parlamentar não apresentou levantamentos. Em vez disso, citou músicas e letras de funk que, segundo ele, estimulam a sexualização.

Na mesma resposta, o deputado ainda reclamou de ser classificado como machista quando diz considerar o futebol feminino menos interessante que o masculino. A argumentação desviou da pergunta sobre dados e transformou um tema de saúde pública, violência sexual e direitos reprodutivos em uma condenação moral do comportamento feminino.

Ao concentrar a responsabilidade nas mulheres, Nikolas não mencionou a participação masculina na gravidez nem apresentou evidências de que o feminismo seja responsável por abortos. A comparação com Neymar também substituiu informações verificáveis por uma suposição envolvendo a fama e a condição financeira do jogador.

O parlamentar declarou ser contrário ao aborto “sob qualquer circunstância”. Quando questionado especificamente sobre uma gestação decorrente de estupro, reconheceu que a violência representa uma “dor inimaginável”, mas manteve a posição. Para ele, a vítima deveria levar a gravidez adiante e poderia entregar a criança para adoção após o nascimento.

A posição defendida pelo deputado é mais restritiva que a legislação brasileira atual. Conforme o Ministério da Saúde, a interrupção da gravidez é permitida quando ela resulta de estupro, inclusive estupro de vulnerável, quando existe risco à vida da gestante e nos casos de anencefalia fetal.

Nikolas foi o deputado federal mais votado do país em 2022, com 1,47 milhão de votos, segundo a Câmara dos Deputados. O alcance político e digital do parlamentar amplia a repercussão de declarações que, neste caso, generalizam o comportamento de mulheres sem qualquer base estatística apresentada.

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