O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes afirmou, em entrevista ao jornal norte-americano The Washington Post, que não há possibilidade de recuar nas investigações e julgamentos relacionados à tentativa de golpe de Estado atribuída ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A reportagem descreveu o magistrado como “o juiz que se recusa a ceder à vontade de Trump”, em referência às pressões políticas e às sanções impostas pelos Estados Unidos.
Segundo Moraes, a determinação de manter o processo segue independente do impacto internacional. “Não há a menor chance de recuarmos nem um milímetro sequer”, disse. O ministro relatou ainda que a decisão de decretar a prisão domiciliar de Bolsonaro ocorreu de maneira imediata, após o descumprimento da ordem judicial que proibia o ex-presidente de usar redes sociais. O episódio aconteceu enquanto Moraes assistia a uma partida do Corinthians.
O ministro destacou que a fragilidade democrática brasileira torna o país mais vigilante em relação a rupturas institucionais. “Eu entendo que, para a cultura norte-americana, é mais difícil entender a fragilidade da democracia, porque nunca houve um golpe lá. Mas o Brasil teve anos de ditadura sob Getúlio Vargas, outros 20 anos de ditadura militar e inumeráveis tentativas de golpe. Quando você é mais atingido por uma doença, você desenvolve anticorpos mais fortes e procura uma vacina preventiva”, afirmou.
Reação às sanções
Moraes também comentou as sanções do governo Donald Trump, que incluem a suspensão de seu visto e a aplicação da Lei Magnitsky, impedindo-o de realizar transações financeiras em instituições ligadas aos Estados Unidos. “É agradável passar por isso? Claro que não é agradável. Todo constitucionalista tem grande admiração pelos Estados Unidos. Mas investigação continuará”, declarou.
De acordo com o ministro, a crise nas relações bilaterais decorre de “narrativas falsas apoiadas por desinformação espalhada nas redes sociais”. Para ele, o Brasil tem atuado para esclarecer as acusações. “Enquanto for necessário, a investigação vai continuar. Faremos a coisa certa: receberemos a acusação, analisaremos a evidência, e quem deve ser condenado, será condenado, e quem deve ser absolvido, será absolvido.”













