A Prefeitura de Goiânia publicou o edital que inaugura o novo modelo de seleção de diretores escolares na rede municipal da capital. Agora, os candidatos terão de apresentar um Plano de Gestão estruturado na metodologia 5W2H, sigla em inglês que organiza metas em perguntas básicas sobre o que fazer, por que, onde, quando, quem, como e quanto custará. Em abril, a Tribuna do Planalto mostrou que mais de 100 escolas estavam sem diretores e secretários por falta de eleição.
A presença de termos estrangeiros em documentos oficiais chama a atenção, mas o debate central é a mudança do rito de escolha, que deixa para trás as eleições diretas nas escolas e passa a medir desempenho a partir de critérios definidos pela Secretaria Municipal de Educação.
O edital é consequência direta da lei aprovada em junho, com maioria da base do prefeito Sandro Mabel (UB), que ampliou o poder do Paço sobre a gestão escolar. Até então, a escolha dos diretores era feita majoritariamente pela comunidade escolar, em votação direta. A nova legislação consolidou a seleção por processo seletivo, em que a SME define os parâmetros e avalia planos de ação.
Oposição e entidades educacionais entendem que a medida gera enfraquecimento da gestão democrática, alegando risco de perseguição política e burocratização da escolha. Governistas, por sua vez, argumentam que a mudança permitirá maior profissionalização da gestão, com diretores cobrados por resultados concretos e alinhamento à política educacional do município.
Repercussão política
Durante a tramitação da matéria na Câmara Municipal, a gestão lidou com resistências do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego) e com críticas de vereadores ligados à educação.
Professor Edward (PT) disse que a proposta “enfraquece a democracia nas escolas ao retirar da comunidade escolar o poder de destituir diretores por meio de assembleia” e classificou a mudança como “um retrocesso”. Do mesmo partido, Fabrício Rosa acusou o Executivo de tentar “apadrinhar” diretores e de impedir que pais e mães participem da gestão escolar.
Na época, a vereadora Aava Santiago (PSDB) também criticou a condução da pauta pelo Paço. “A gestão está repetindo padrões da anterior e, em alguns casos, piorando. Se tem uma coisa que o Rogério não fazia, e isso o Sandro faz, é destratar trabalhador”, afirmou.
Na defesa do projeto, o vereador Oseias Varão (PL) declarou que a medida “estabelece metas claras e resultados entregues”, algo que, segundo ele, “fortalece a gestão educacional da cidade”.
O vereador Welligton Bessa (DC), ex-secretário de Educação e novo líder do prefeito na Câmara, votou favorável à mudança.
O que muda
O edital determina que os candidatos apresentem planos com diagnóstico da realidade escolar, objetivos estratégicos e propostas de intervenção. A avaliação será feita em quatro dimensões: visão sistêmica e estratégica, liderança pedagógica, gestão administrativa-financeira e gestão de pessoas e clima educacional.
Para orientar o trabalho, a SME apresentou um estudo de caso fictício que reúne problemas comuns às escolas: baixos índices de aprendizagem, evasão, infraestrutura precária e fragilidade no vínculo com a comunidade. A partir dele, os concorrentes devem demonstrar capacidade de formular metas claras e mensuráveis, com cronograma, responsáveis e custos.
Metodologia importante
A metodologia 5W2H, citada no edital em inglês, é uma ferramenta já usada em diferentes setores no Brasil, de empresas privadas a secretarias estaduais de Saúde e Educação.
No setor público, a 5W2H aparece em planos de combate à dengue, protocolos de hospitais e até em formações para gestores escolares. A lógica é simplificar a gestão, ligando diagnóstico, metas e orçamento.
A reportagem questionou a assessoria de imprensa da pasta sobre a escolha da metodologia, mas ainda não teve retorno.














