Um método inovador capaz de detectar riscos oncológicos a partir da análise da cera de ouvido foi desenvolvido na Universidade Federal de Goiás (UFG). A pesquisa é fruto do doutorado em Química de João Marcos Gonçalves Barbosa, que recebeu menção honrosa no Prêmio Capes de Tese 2025.
O trabalho intitulado Desenvolvimento e Aplicação de Diagnóstico de Risco Oncológico via Análise de Metabólitos Orgânicos Voláteis em Cerúmen foi orientado pelo professor Nelson Roberto Antoniosi Filho e integra o chamado Projeto Cerúmen, do Instituto de Química da UFG.
Diagnóstico precoce e acessível
De acordo com Barbosa, o tempo é um fator crucial no combate ao câncer. Quanto mais cedo a doença é diagnosticada, maiores são as chances de sucesso no tratamento. O desafio, principalmente em países em desenvolvimento, é a falta de métodos acessíveis e de alta precisão. Foi a partir dessa necessidade que surgiu a ideia de usar o cerúmen como biomatriz para análises clínicas.
A inovação está no fato de que a cera de ouvido, embora pouco explorada em estudos médicos, funciona como um “depósito” de informações metabólicas. Nela, ficam armazenados metabólitos orgânicos voláteis que carregam possíveis marcadores tumorais. Com a técnica criada, é possível identificar sinais iniciais de risco oncológico de forma simples, não invasiva e de baixo custo — características que podem viabilizar sua aplicação futura no Sistema Único de Saúde (SUS).
Reconhecimento científico
O projeto chamou a atenção da comunidade acadêmica por sua originalidade e relevância social. Além da inovação metodológica, a tese foi construída com apoio de uma rede multidisciplinar que envolveu químicos, médicos, bioquímicos e estatísticos, o que garantiu a robustez científica.
Todos os capítulos do estudo foram publicados em revistas especializadas, fortalecendo sua validação. A proposta também abre portas para diagnósticos de outras doenças metabólicas e até neurodegenerativas, ampliando o impacto da descoberta.
Para Barbosa, o reconhecimento no Prêmio Capes é a coroação de anos de dedicação e um incentivo à continuidade das pesquisas. Segundo ele, a UFG prova que, mesmo diante de cortes e dificuldades, é possível produzir ciência inovadora com retorno direto para a sociedade.














