Foram oito dias de combate até que as últimas frentes do incêndio que atingiu a Área de Proteção Ambiental (APA) Serra Geral de Goiás, no Nordeste goiano, fossem controladas. O fogo deixou aproximadamente 14,1 mil hectares atingidos e mobilizou mais de 120 pessoas.
O fim da operação de combate foi informado pelo Gabinete de Ações Integradas do Estado de Goiás. A ocorrência começou no dia 10 de agosto e exigiu atuação contínua das equipes até terça-feira (18).
Para se ter ideia da dimensão do incêndio, a APA Serra Geral possui aproximadamente 70 mil hectares. A área de influência estimada do fogo equivale, portanto, a cerca de 20,2% de toda a unidade.
A maior parte da área atingida fica dentro do Parque Estadual de Terra Ronca (Peter). Segundo as estimativas, cerca de 80% dos 14,1 mil hectares afetados estão no parque, o equivalente a aproximadamente 11.288 hectares. O Peter possui cerca de 57 mil hectares. Os outros 20%, aproximadamente 2,8 mil hectares, ficam na Reserva Extrativista Recanto das Araras de Terra Ronca. A reserva possui cerca de 12,3 mil hectares.
Combate chegou a reunir 55 pessoas ao mesmo tempo
A extensão do incêndio e as características da região tornaram o trabalho complexo. As equipes precisaram atuar simultaneamente em serras, encostas, locais de difícil acesso e pontos próximos a comunidades e rodovias. Houve frentes de combate nas regiões da Angélica, Morro Redondo, Palmeiras e Serra Geral.
Mais de 120 pessoas participaram da operação em sistema de revezamento entre os dias 11 e 18 de agosto. A média foi de aproximadamente 38 combatentes por dia, mas houve momentos em que até 55 bombeiros e brigadistas estavam simultaneamente em campo.
Participaram dos trabalhos equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás (CBMGO), da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), do PrevFogo/Ibama e do ICMBio, além de brigadistas voluntários mobilizados na região.
O último foco, na região de Morro Redondo, foi declarado debelado na terça-feira (18).
Quem provocou o incêndio?
Essa é uma questão que ainda está sendo apurada. Durante o combate, equipes de fiscalização ambiental realizaram vistorias, levantamentos e diligências para identificar as circunstâncias e a origem dos incêndios.
O trabalho resultou em notificações administrativas e na abertura de procedimentos de apuração e inquéritos. Segundo o Gabinete de Ações Integradas, Semad e Ibama continuam responsáveis pelas apurações para identificar eventuais responsáveis e adotar as medidas legais e administrativas cabíveis.
Mesmo com as frentes ativas já suprimidas, as equipes continuarão acompanhando a região. O trabalho entra agora na fase de monitoramento, principalmente para localizar pontos quentes e evitar possíveis reignições.
O alerta para o restante de Goiás também continua. O Gabinete de Ações Integradas pede máxima cautela no uso do fogo durante a estiagem e afirma que as condições climáticas associadas ao El Niño aumentam significativamente o risco de ocorrência e propagação de incêndios florestais.
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