O Brasil vive uma epidemia de obesidade. Segundo o Atlas Mundial da Obesidade 2025 da Federação Mundial da Obesidade, cerca de 31% da população adulta do país tem obesidade — o equivalente a um em cada três brasileiros — e 68% apresentam algum grau de excesso de peso. Entre 2006 e 2023, a proporção de adultos com obesidade no país dobrou, passando de 11,8% para 24,3%.
Em 2019, aproximadamente 41 milhões de brasileiros adultos estavam obesos, e mais de 96 milhões apresentavam sobrepeso. Em 2024, o número chegou a 9 milhões de pessoas com obesidade, agravado por fatores como o sedentarismo e o aumento do consumo de alimentos calóricos após a pandemia de Covid-19. As projeções indicam que, até 2044, 48% da população adulta poderá estar obesa.
A endocrinologista Sandra Campos, do hospital Unique, afirma que o cenário é desafiador. “Vivemos em um ambiente que favorece o ganho de peso. Há excesso de alimentos ultraprocessados, sedentarismo, estresse, pouco sono e desigualdade social. O resultado é um aumento significativo da obesidade e impacto importante na saúde pública”, diz.
Causas e impactos
A médica explica que o aumento da obesidade no Brasil está ligado a múltiplos fatores, como sedentarismo, alimentação inadequada, estresse, má qualidade do sono e envelhecimento. Segundo ela, a genética pode aumentar a predisposição, mas não é determinante. “O envelhecimento desacelera o metabolismo e favorece o acúmulo de gordura. É essencial associar dieta equilibrada e exercício de força para preservar a massa muscular”, ressalta.
O excesso de peso eleva o risco de doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes tipo 2, hipertensão, doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer. Também impacta a saúde mental e contribui para mortes prematuras por AVC e problemas cardíacos.
Prevenção e tratamentos
De acordo com Sandra Campos, prevenir a obesidade exige mudanças de rotina e políticas públicas eficazes. “O ideal é priorizar alimentos frescos, reduzir o consumo de ultraprocessados, manter rotina de atividade física e dormir bem”, orienta. A médica também destaca que a obesidade deve ser tratada como uma doença crônica, com acompanhamento profissional.
Ela aponta que há novos medicamentos, como semaglutida e tirzepatida, que podem ajudar na perda de peso e no controle de doenças associadas. Para casos graves, a cirurgia bariátrica é indicada como tratamento eficaz e duradouro. “O ideal é individualizar o tratamento de acordo com cada paciente”, explica.
Uso de medicamentos
A endocrinologista alerta para o uso indiscriminado das chamadas canetas emagrecedoras, frequentemente falsificadas ou vendidas sem controle. “O uso sem prescrição médica é extremamente perigoso e pode causar efeitos adversos graves, como pancreatite”, alerta.
Essas canetas, que contêm substâncias como semaglutida e liraglutida, devem ser utilizadas apenas sob orientação médica e integradas a um plano de alimentação e exercícios. O uso inadequado e sem acompanhamento pode gerar riscos à saúde e reganho rápido de peso.
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