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Clima de “guerra” antecede a decisão entre Remo x Goiás


Herivelto Nunes Por Herivelto Nunes em 23/11/2025 - 00:17

Torcida do Remo arrasta multidões

Remo e Goiás decidem neste domingo quem sobe para a elite do futebol brasileiro. Um ambiente de muita hostilidade envolve a partida, por isso, os órgãos de segurança do Pará estão atentos para evitar problemas de maior gravidade.  O Goiás depende somente de suas forças, enquanto o Clube do Remo tem que vencer o adversário e torcer por outros resultados. A decisão movimenta a cidade de Belém, que recebe a COP 30, evento mundial do meio ambiente. O Jogo será realizado no estádio Mangueirão, que tem capacidade superior a 40 mil torcedores e estará totalmente lotado para a decisão.

Um verdadeiro “ambiente de guerra” antecede a partida. Parte da imprensa em Goiânia e em Belém, que deveria informar, promover o jogo e a paz, se incumbiu de fazer provocações de lado a lado, incentivando a hostilidade entre torcedores. Remo e Goiás já se enfrentaram em 12 oportunidades, o time paraense tem ampla vantagem no retrospecto. Foram 7 vitórias do Leão, duas vitórias do Goiás e 3 empates. No último jogo realizado na Serrinha, o time azulino saiu na frente, mas o Goiás empatou no final com Anselmo Ramon.

Torcida presente

Mesmo com o risco de enfrentar atos de violência, cerca de 1.500 torcedores do time esmeraldino deverão marcar presença no estádio. Torcedores do Goiás já estão de malas prontas para prestigiar o alviverde na decisão de domingo. Apesar dos preços de passagem e hospedagem nada convidativos, o torcedor do Goiás quer ver seu time do coração de perto, confiante que voltará para Goiânia com o Verdão na primeira divisão.  Não existem mais ingressos disponíveis para o grande jogo. O Goiás é o quarto colocado com 61 pontos, o Remo é o sexto, com 59.

No time esmeraldino o técnico Fábio Carille terá à sua disposição o mesmo time da vitória contra o Novorizontino no último domingo. O atacante Jajá, que saiu contundido ainda no primeiro tempo da partida, está recuperado e deve ser titular no jogo decisivo de domingo. Tanto Fábio Carille como Guto Ferreira, são treinadores experientes em jogos com essa característica. Carille é o atual campeão da segunda divisão com o Santos Futebol Clube. O técnico do Remo é conhecido como o “Rei do Acesso”, apelido que ganhou após quatro acessos à Série A.

Sonho azul, obrigação verde

Desde o início da competição a torcida azulina sonha com a possibilidade de ver o Clube do Remo na série A do campeonato brasileiro. Enquanto para o Remo o acesso é um sonho, para o Goiás, é uma obrigação. O alviverde já está em sua segunda participação na segunda divisão e a torcida não aceita mais um ano na série B, principalmente porque o time passou todo o primeiro turno entre o primeiro e segundo lugar, caindo inexplicavelmente de produção no segundo turno.

Domingo o Mangueirão estará totalmente tomado pela fanática torcida do Leão. Ao Goiás, será destinado 1.500 ingressos, mas a maioria do estádio estará colorido com as cores azuis do Clube do Remo. Vai ser uma tarde dramática, principalmente para os apaixonados pelo time de Belém, que depende de outros resultados. O Goiás sobe com uma vitória, mas se empatar sofrerá o mesmo drama do adversário, torcendo por tropeços dos concorrentes.

Ex-Paysandu, Esli Garcia deve compor o banco de reservas do Goiás neste domingo. O venezuelano tem 22 jogos com a camisa esmeraldina, marcou apenas dois gols e tem uma assistência. Média de 39 minutos em campo por jogo, muito menos do que conseguiu no Papão, onde se queixava de subutilização.  No Goiás, comenta-se que Esli Garcia não é dedicado nos treinamentos, por isso não se firmou como titular.

O Remo estará desfalcado dos uruguaios Diego Hernandes e Nico Ferreira. Com isso, Dodô pode entrar no time titular desde o início. O atleta ganhou a atenção de Guto Ferreira por ter melhorado de rendimento nos treinos. Giovani Pavani e Marrony também são personagens importantes para o treinador azulino, enquanto o artilheiro Pedro Rocha volta para jogar do lado esquerdo do ataque do Leão. 

Atlético, o “salvador” 

Sem nenhuma pretensão no campeonato brasileiro da série B, o Atlético Goianiense enfrenta a Chapecoense domingo às 16h30 na Arena Condá. Enquanto seu adversário luta desesperadamente por uma vitória para conquistar o acesso à elite do futebol brasileiro, o Dragão apenas cumpre tabela. Mas pode ser o “salvador” para quem ainda luta por uma das vagas, como é o caso de Goiás e Clube do Remo. Se o Goiás empatar em Belém, pode subir com um tropeço da Chapecoense. Se o Remo ganhar do Goiás, só subirá se a Chapecoense não vencer o Atlético. 

Adson Batista, presidente do Atlético Goianiense, foi categórico ao afirmar que o Dragão não recebeu nenhuma proposta de ajuda financeira para vencer a Chapecoense. “Não fomos procurados e não aceitamos esse tipo de negócio”, afirmou Adson. Segundo ele, “mala branca” é proibida no futebol brasileiro e o Atlético não vai se submeter a irregularidades para ajudar ninguém. “Quem quiser subir para a série A que o faça em campo, o Atlético não tem nada com isso”, disse o presidente.

 

CURTAS

>>> Transporte, hospedagem, alimentação e ingresso são os altos custos para os torcedores do Goiás que se deslocarão para assistir o jogo em Belém, nesse período de COP 30.

>>> Só a passagem aérea de Goiânia a Belém está custando R$ 4,6 mil. A aventura de ver o Goiás buscar o acesso, representará o desembolso  de aproximadamente R$ 7 a R$ 8 mil.

>>> O volante Ralf, de 42 anos, se despediu do Vila Nova na partida da última quarta-feira contra o Volta Redonda. Ralf jogou três temporadas com a camisa vilanovense e não chegou a um acordo para continuar.

>>> O técnico do Remo, Guto Ferreira, tem quatro acessos em sua carreira. Subiu com a Ponte Preta em 2014, o Bahia em 2016, o Internacional em 2017 e o Sport, em 2019.

>>> Fábio Carille, por sua vez, foi campeão brasileiro da série B ano passado, devolvendo o Santos para a elite do futebol brasileiro. Carille tem ainda o título de campeão brasileiro da série A em 2017 pelo Corinthians e três campeonatos paulistas.

>>> A imprensa esportiva tem o papel de divulgar as diversas modalidades esportivas de sua região, em especial o futebol, a maior paixão do povo brasileiro. Não cabe à jornalista o papel de torcedor, muito menos o de alimentar a rivalidade entre as torcidas.

>>> Quem andou praticando esse antijornalismo, em Goiânia e em Belém, que repensem suas atitudes e promovam o jogo, a paz em campo e fora dele.

 

Herivelto Nunes

Herivelto Nunes é Jornalista, com Pós Graduação em Gestão de Pessoas, Liderança e Coaching

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