O campeonato brasileiro de 2026 bateu recordes, iniciando com mais de 150 jogadores estrangeiros, consolidando por aqui a presença de atletas de outras nacionalidades. Uruguaios, argentinos, paraguaios, colombianos, equatorianos e até venezuelanos lideram a presença de gringos atuando em clubes como Grêmio, Fluminense, Flamengo, Botafogo, São Paulo e Internacional. Até nos clubes considerados de nível intermediário, como Goiás, Atlético e Vila Nova, eles estão presentes. Além de jogadores, técnicos de outros países, principalmente de Portugal, estão presentes no mercado do futebol brasileiro.
O que há de mal nisto? Teoricamente nada, na prática, pode justificar o mau momento do futebol brasileiro, a inexistência de craques e o baixo nível apresentado pela seleção brasileira nos últimos anos. As equipes não conseguem mais formar craques, como já aconteceu na base de todos os clubes do Brasil. Quando estouram a idade na base, acabam desistindo do sonho de se tornar um grande jogador profissional porque não encontram espaço na equipe principal onde iniciou a carreira, muitas vezes ainda criança. Perde o atleta que desperdiçou muitos anos de sua vida se dedicando a um sonho que não se realiza e perde muito mais o clube formador, que investiu no atleta da base e não recebeu a contrapartida.
Os argentinos lideraram as estatísticas no campeonato brasileiro de 2025, com 47 jogadores atuando no Brasil, seguido do Uruguai com 27, a Colômbia com 19, o Equador com 8, Portugal com 7, Chile e Venezuela com 6, a Espanha com 4, Itália e Peru com 2 jogadores. Angola, Argélia, Bélgica, Dinamarca, Gana, Holanda e RD Congo enviaram um jogador cada ao futebol breasileiro. Após a mudança na regra sobre o limite de estrangeiros, o campeonato brasileiro passou a ter mais gringos. De 2023 para 2024, a competição registrou um aumento de 26 jogadores. No ano passado, 149 atletas foram utilizados pelas equipes da série A. Em 2026, até o momento entraram em campo mais de 150 estrangeiros, número que pode ser ultrapassado com atletas que ainda não entraram na competição.
Os clubes podem ter quantos jogadores de outras nacionalidades quiserem nos respectivos elencos, no entanto, só poderão relacionar até nove jogadores estrangeiros por partida, ou seja, praticamente um time completo. A regra foi alterada em 2024. Em épocas passadas, o jogador no Brasil precisava seguir uma hierarquia para vestir a camisa da seleção brasileira. Tinha que se destacar no seu clube, de preferência ser campeão, ser atacante, ser artilheiro, e só então almejar uma transferência internacional.
Atualmente, os papéis se inverteram. O jovem se destaca nas categorias de base de seu clube, faz algumas boas partidas na equipe principal e já é contratado por equipes dos grandes centros do futebol mundial, como Espanha, França e Inglaterra. Depois aparecem nas convocações da seleção brasileira como meros desconhecidos da torcida e da imprensa nacional. Por isso não sabemos mais qual a formação do selecionado canarinho, como sabíamos em copas do mundo do passado. Os jogadores chegam na seleção brasileira sem a motivação de estar representando seu país. Aos 20 anos, já ficaram milionários e conquistaram tudo que um atleta profissional sonhava para o final de sua carreira. Ser convocado para vestir a “amarelinha” não empolga mais ninguém, pelo contrário, às vezes atrapalha seus planos de jogar nos grandes campeonatos internacionais.
Estrangeiros no futebol goiano
No futebol goiano, Goiás e Atlético contrataram, em maior número, jogadores oriundos do futebol sul-americano, com destaque para argentinos, uruguaios e colombianos. Nenhum se destacou por aqui. Os clubes buscam reforçar seus elencos com atletas de fora para competições nacionais e estaduais. O Goiás tem forte presença de jogadores de outros países, como Esli Garcia, Facundo Barceló e Gonzalo Freitas. Desses, apenas Esli Garcia ainda tem contrato com o time esmeraldino até o final desta temporada. O Dragão também fez muitas apostas em estrangeiros, como o argentino Ezequiel Ham e o colombiano Kevin Ramirez, ambos já desligados do elenco atleticano.
Não há registro no futebol goiano de nenhum estrangeiro que se destacou por aqui. O contrato de trabalho para jogador de outro país obedece critérios e normas específicas, por isso, além da adaptação não ser fácil, ainda existem complicações na regularização dos atletas. Essa modalidade de contratação precisa ser melhor avaliada, principalmente em clubes de menor poder aquisitivo, como os goianos. Os melhores jogadores de outros países são cooptados pelos grandes clubes do futebol brasileiro. Sobram aqueles de menor potencial técnico e deste nível, temos de sobra por aqui. Melhor seria se os clubes valorizassem mais suas bases, oferecendo oportunidades no time principal e descobrindo novos talentos para suprir os elencos e até mesmo para fazer grandes negócios. Não há outro caminho, a não ser conquistar o certificado de Clube Formador junto à CBF e investir na formação de novos talentos.
Técnico brasileiro em baixa

Pela primeira vez na história das Copas, o Brasil não terá nenhum técnico na Copa do Mundo. Nem mesmo a seleção brasileiro será comandada por um técnico brasileiro. O italiano Carlo Ancelotti foi contratado por uma pequena fortuna para tentar recuperar o prestígio do futebol do Brasil, que conquistou sua última Copa do Mundo em 1994, nos Estados Unidos. Pelo trabalho realizado até aqui, parece que não vai muito longe na competição. O time não evoluiu em relação aos treinadores anteriores, Ancelotti ainda não definiu quem serão os convocados para a Copa. Ao contrário da França, que tem a seleção conhecida por todos os franceses há muito tempo. Com um salário de R$ 5 milhões/mês e regalias como casa em condomínio de luxo, passagens de ida e volta para a Europa, grande equipe de auxiliares e veículo à sua disposição enquanto estiver no Brasil, Ancelotti tem entregado pouco em relação ao investimento realizado pela CBF.

Nos clubes, os técnicos estrangeiros também ocupam grande espaço. Os treinadores brasileiros não evoluíram, não surgem revelações, enquanto isso, os treinadores de outros países, especialmente os portugueses, vão aproveitando as oportunidades, como é o caso de Abel Ferreira há mais de cinco anos dirigindo o Palmeiras. Por aqui, o Goiás foi na onda, contratou Armando Evangelista, da prateleira intermediária do futebol de Portugal. Evangelista chegou com quatro auxiliares, sendo um preparador físico, um preparador de goleiros, um fisiologista e um assistente técnico. Pouco acrescentou e foi demitido meses depois.
CURTAS
* Mesmo não jogando um grande futebol, o Goiás ampliou sua invencibilidade na temporada, ao empatar em Londrina em 2 a 2 na última quarta-feira. Agora são 19 jogos sem derrota, com 12 vitórias e 7 empates.
* A seleção da França ultrapassa a Espanha e lidera o ranking da Fifa, enquanto o Brasil cai para a sexta colocação. As vitórias do selecionado francês contra o Brasil e Colômbia elevou a França ao topo do ranking, posição que não ocupava desde 2018.
* Em sua habitual entrevista após as partidas, Adson Batista culpou parte da imprensa mais uma vez pelo momento ruim do Atlético na Série B. Disse que tem jornalistas que só reconhecem Goiás e Vila como times de futebol profissional em Goiânia e são prejudiciais ao Atlético.
* Mas não explicou porque o Dragão vive uma prolongada fase negativa, com contratações de qualidade duvidosa, troca de técnicos e remontagem de elenco no meio de temporada. É má gestão ou culpa da imprensa?
* O técnico do Atlético, Eduardo Souza, reconheceu os erros do time na derrota para o Náutico e cobrou reação da equipe na competição. “Era um jogo que tínhamos que vencer, saímos daqui frustrados com a derrota”, disse o treinador.
***O presidente atleticano tem pouca paciência com resultados negativos e convenhamos, a contratação do atual comandante técnico não foi a melhor escolha para o time campineiro. O Atlético merece e precisa de um técnico do tamanho do clube e Eduardo Souza não é esse nome.
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