A advogada Amanda Partata Mortoza, presa desde 2023 e acusada de envenenar o ex-sogro Leonardo Pereira Alves, de 58 anos, e a mãe dele, Luzia Alves, de 86 anos, foi condenada pela Justiça de Goiás a 6 anos e 2 meses de prisão pelos crimes de perseguição, extorsão e falsidade ideológica praticados contra o ex-namorado.
A sentença foi proferida pelo juiz Luciano Borges da Silva, que também determinou o pagamento de R$ 25 mil por danos morais à vítima. Segundo a decisão, Amanda não aceitou o fim do relacionamento e passou a perseguir o ex-companheiro por meio de mensagens, ligações anônimas e ameaças direcionadas a ele e aos familiares.
Ao analisar o crime de perseguição, o magistrado considerou a existência de motivação torpe. Conforme a sentença, as condutas teriam sido impulsionadas por sentimentos de abandono, frustração, raiva e vingança após o término do namoro.
As penas foram fixadas em 5 anos, 3 meses e 15 dias de reclusão por extorsão, 7 meses de reclusão por perseguição e 3 meses e 15 dias de detenção por falsidade ideológica. Além disso, a condenada deverá pagar multas calculadas com base no salário mínimo vigente à época dos fatos, ocorridos em 2023.
Durante o processo, o ex-namorado relatou à Justiça uma série de episódios de assédio e intimidação. De acordo com as investigações, Amanda teria criado situações para ameaçar a vítima e seus familiares, além de tentar obter vantagem financeira. Em um dos episódios apurados, ela teria exigido R$ 5 mil do ex-companheiro. Também foi apontada uma falsa acusação de assédio contra ele.
Na sentença, o juiz destacou os impactos causados à vítima.
“Todo o transtorno e abalo emocional e psicológico imposto ao ofendido, perturbando sua rotina, suas relações sociais e profissionais, e impingindo-lhe humilhações, temor e traumas”, registrou o magistrado.
Acusação de duplo homicídio
Amanda Partata permanece presa preventivamente e ainda aguarda julgamento pelo caso que ganhou repercussão nacional em 2023. Segundo a investigação da Polícia Civil, ela teria envenenado Leonardo Pereira Alves e Luzia Alves após levar doces para um café na residência da família, em Goiânia.
Laudos periciais apontaram a presença de uma substância altamente tóxica nos alimentos consumidos pelas vítimas. O Ministério Público de Goiás denunciou a advogada por duplo homicídio qualificado e duas tentativas de homicídio.
A investigação concluiu que o crime teria sido motivado pela inconformidade com o término de um breve relacionamento com o filho de Leonardo, que durou cerca de um mês e meio.
Defesa vai recorrer
Em nota, o advogado Rodrigo Faucz, responsável pela defesa de Amanda, afirmou que a sentença não corresponde às provas produzidas durante o processo e informou que recorrerá da decisão.
“A sentença não reflete o conjunto probatório, especialmente o que ocorreu na audiência. As provas válidas do processo apontam para a inexistência dos crimes imputados à Amanda e, portanto, a defesa buscará a reforma da sentença perante o Tribunal de Justiça do Estado de Goiás, requerendo a absolvição”, declarou.













