Ana Paula Rezende (PL) reagiu à ação apresentada pelo PDT ao Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) para impedir o seu partido de utilizar a imagem, falas, vídeos e o legado político do ex-governador Iris Rezende Machado em propagandas partidárias e eleitorais. À Tribuna do Planalto, a pré-candidata a vice-governadora classificou a iniciativa como uma tentativa de silenciá-la e impedir que conte a própria história.
“Essa ação também é uma tentativa de me silenciar, já que tentam me impedir de contar a própria história, o que é um absurdo”, afirmou Ana Paula.
A manifestação ocorre após o presidente estadual do PDT, Kowalsky Ribeiro, confirmar à Tribuna que a legenda acionou a Justiça Eleitoral para tentar impedir a associação da trajetória política de Iris Rezende ao projeto eleitoral do PL. Ana Paula deixou o MDB, partido ao qual seus pais foram historicamente ligados, e se filiou ao PL, onde foi apresentada como pré-candidata a vice-governadora na chapa liderada pelo senador Wilder Morais.
Em nota, Ana Paula afirmou ter recebido a iniciativa judicial com “estranheza” e sustentou que a ação desconsidera sua ligação pessoal e política com a trajetória dos pais, o ex-governador Iris Rezende e a ex-deputada federal Dona Iris Araújo.
“Eu recebi essa ação com estranheza, porque ela desconsidera um fato incontestável: a história dos meus pais é a minha história também. Foi com eles que aprendi tudo o que sei. Foi ao lado deles que conheci a política feita de trabalho, presença e respeito pelas pessoas. E é essa política que quero levar adiante”, declarou.
A pré-candidata defendeu que a decisão de se filiar ao PL ocorreu porque encontrou no partido espaço político para defender a continuidade da forma de atuação que atribui aos pais. Segundo Ana Paula, a legenda acolheu não apenas sua trajetória familiar, mas também o projeto político que pretende representar na disputa eleitoral.
“Foi no PL que encontrei espaço, respeito e disposição verdadeira para fazer isso. O partido não apenas abriu as portas para a minha história e para o legado dos meus pais, mas também abraçou esse projeto de dar continuidade a uma forma de fazer política que coloca as pessoas em primeiro lugar”, afirmou.
Ana Paula também associou o legado político que pretende reivindicar à política dos mutirões, uma das principais marcas das administrações de Iris Rezende. Ela citou a participação popular, os programas habitacionais e a oferta de serviços públicos como princípios que pretende levar adiante.
“Uma política que escuta, que está presente e que trabalha para transformar vidas. A política do Mutirão, que valoriza a participação da população junto ao poder público, que entrega casa para quem mais precisa, que garante saúde, educação, que garante dignidade. A disposição para fazer essa política eu só encontrei no PL”, completou.
A ação
O PDT sustenta que a utilização da imagem e da trajetória política de Iris Rezende pelo PL pode levar o eleitorado a associar à legenda valores e posições políticas que, na avaliação do partido, são incompatíveis com a história do ex-governador.
Kowalsky Ribeiro argumenta que Iris construiu sua trajetória no campo democrático e trabalhista, participou do movimento das Diretas Já e manteve relações políticas com partidos e lideranças de centro e centro-esquerda. Para o dirigente, permitir que o PL utilize imagens, vídeos e falas do ex-governador em propaganda partidária ou eleitoral poderia induzir o eleitor a interpretar a legenda como herdeira política de Iris.
“O PDT se insurge contra o PL utilizar a imagem de Iris Rezende, utilizar a força de Iris Rezende com essa vinculação popular e trabalhista, levando o eleitor a acreditar que o PL é um partido democrático e que defende os ideais de Iris Rezende”, afirmou Kowalsky à Tribuna.
A iniciativa provocou reação na Câmara Municipal de Goiânia. O vereador Coronel Urzêda (PL) classificou como “vileza” a tentativa de impedir Ana Paula de associar sua atuação política à história dos pais. Sem mencionar inicialmente o partido responsável pela ação, o parlamentar questionou como a filha de Iris Rezende e Dona Iris poderia ser impedida de reivindicar a própria origem familiar e política.
“Vai associar a imagem a quem, então? Vai ter que mudar o nome?”, questionou Urzêda durante discurso no plenário.
O TRE-GO ainda não analisou o mérito do pedido apresentado pelo PDT.
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