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Associação do MP sai em defesa de promotora após investigação contra filho vir à tona

Associação Goiana do Ministério Público divulga nota em defesa da promotora Leila Maria de Oliveira após investigação citada em reportagem


Redação Tribuna do Planalto Por Redação Tribuna do Planalto em 12/03/2026 - 07:03

Entidade afirma que promotora não pode ser responsabilizada por atos atribuídos ao filho e critica vazamento de investigação (Foto: Reprodução)

A Associação Goiana do Ministério Público (AGMP) divulgou nota pública nesta quinta-feira (12) em defesa da promotora de Justiça Leila Maria de Oliveira, após a divulgação de reportagem que relaciona o nome da integrante do Ministério Público de Goiás a uma investigação contra o filho sobre suposto esquema de estelionato envolvendo a compra e revenda de gado no estado.

A manifestação ocorre depois de reportagem publicada pelo portal Metrópoles apontar que o empresário Gabriel Fucciolo de Oliveira Brandão, de 26 anos, filho da promotora, é investigado pela Polícia Civil de Goiás sob suspeita de aplicar o chamado “golpe do gado”.

Segundo a apuração do veículo, o investigado teria comprado animais de pecuaristas com cheques sem fundos ou sustados, causando prejuízo estimado em mais de R$ 3 milhões e movimentando cerca de R$ 4 milhões em revendas. Parte dos animais teria sido levada para uma fazenda localizada no município de Varjão, vinculada à família.

Repúdio e esclarecimento

Em nota, a AGMP afirmou que causa “perplexidade” o fato de um suposto ilícito ainda em apuração envolvendo um familiar maior e capaz da promotora ser utilizado, segundo a entidade, como forma de atingir a reputação da integrante do Ministério Público. A associação ressaltou que a promotora Leila Maria de Oliveira possui reputação ilibada e atuação reconhecida no estado.

A entidade também citou o princípio constitucional da pessoalidade da pena, previsto no artigo 5º, inciso XLV, da Constituição Federal, segundo o qual ninguém pode ser responsabilizado penalmente por atos de terceiros. Para a AGMP, eventual tentativa de associar a promotora às condutas atribuídas ao filho contraria esse princípio jurídico.

Outro ponto levantado pela associação é a possibilidade de irregularidade no vazamento de informações sobre a investigação. De acordo com a entidade, a divulgação seletiva de elementos de um procedimento ainda em fase inicial, e cuja ação penal depende de representação da vítima, pode, em tese, configurar crime previsto na Lei de Abuso de Autoridade.

Por fim, a AGMP afirmou que a promotora continuará exercendo suas funções com independência e que a entidade adotará as providências cabíveis caso sejam identificadas violações às garantias legais dos membros do Ministério Público. Enquanto isso, a Polícia Civil segue com as investigações para apurar as responsabilidades no caso.

Embates

A promotora Leila Maria de Oliveira esteve no centro de embates institucionais com o governo de Goiás. Em 2025, recomendações expedidas por ela sobre a gestão do Fundo Estadual de Infraestrutura (Fundeinfra) provocaram reação pública do governador Ronaldo Caiado, que acusou a promotora de agir com “motivação política” e de tentar intimidar a administração estadual.

Na ocasião, entidades nacionais do Ministério Público e membros do próprio MP-GO saíram em defesa da promotora, reforçando a independência funcional da instituição.

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Redação Tribuna do Planalto

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