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Bom Jesus da Lapa: romeiros chegam ao Parque de Terra Ronca em busca de milagres

Festa católica acontece entre 1º e 6 de agosto no Peter, que fica nos municípios de São Domingos e Guarani de Goiás. Estimativa é de que mais de quatro mil pessoas passem pelo local


Redação Tribuna do Planalto Por Redação Tribuna do Planalto em 04/08/2025 - 15:21

Bom Jesus da Lapa
Romaria de Bom Jesus da Lapa existe há quase 100 anos e reúne peregrinos no nordeste goiano e estados próximos (Foto: Semad)

O Parque Estadual da Terra Ronca (Peter), unidade de conservação administrada pela Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), está recebendo milhares de pessoas entre os dias 1º e 6 de agosto durante a tradicional romaria de Bom Jesus da Lapa. A celebração, que acontece há 96 anos, tem como ponto alto os dias 5 e 6, quando ocorrerão missas, cavalgadas, casamentos e batizados.

O momento mais aguardado será a missa em frente à gruta que abriga o santuário e onde goteja a água considerada milagrosa. Antes, as celebrações ocorriam dentro da caverna, mas, devido ao grande número de participantes e à presença de idosos, o altar foi transferido para o gramado em frente à gruta. No local, será montada uma grande estrutura com palco, tendas e barracas de palha onde serão vendidos alimentos e onde os visitantes poderão se reunir com amigos e familiares.

A maioria dos fiéis costuma vir de municípios do nordeste goiano e de estados vizinhos, como Bahia e Tocantins. Os que fazem o percurso a pé devem chegar no fim de semana, enquanto as cavalgadas estão previstas para começar na sexta-feira. Municípios como São Domingos, Guarani de Goiás, Arraias (TO), Poço e povoados da região organizam comitivas para o evento. Romeiros de Iaciara, por exemplo, percorrem cerca de 104 km até o parque; a partir de São Domingos, são 40 km.

No dia 5, uma missa será celebrada no povoado de São João. No dia seguinte, a celebração principal ocorre no próprio parque. A estimativa é de que mais de quatro mil pessoas passem pelo local durante os seis dias de evento.

Devoção
Ao final do trajeto, depois de atravessar as barracas com comidas típicas como arroz carreteiro, feijão tropeiro, galinha caipira, milho e espetinhos, os fiéis chegam à gruta. Um altar com imagens sacras será preparado para receber as orações. Em uma gruta menor, os devotos depositam objetos simbólicos de fé: muletas, partes do corpo em cera, cadeiras de rodas – cada item representa um pedido de milagre ou uma graça alcançada.

Ali perto, estalactites pingam uma água considerada milagrosa. Fiéis se organizam em pequenos grupos para acessar a passarela e molhar as mãos. Alguns lavam o rosto, outros umedecem feridas ou recolhem a água em garrafas para levar para casa.

Rivaldo Vieira de Souza, servidor da Semad que atua no Peter, explica que a romaria teve início com moradores de Correntina (BA), que buscavam reproduzir a celebração de Bom Jesus da Lapa da Bahia. “Depois que a imagem santa foi instalada na gruta, começaram a surgir testemunhos de pessoas atendidas em suas preces”, conta.

Filho de pais devotos, Rivaldo foi batizado no local há 30 anos e tem sua própria história de fé: “Em 2001, eu tinha uma sensação estranha na garganta, como se fosse um caroço, e às vezes cuspia sangue. Um otorrino em Brasília não conseguiu diagnosticar. Fiz uma promessa e fui curado. Saí do povoado a pé, rezei dez Ave-Marias e cinco Pai-Nossos ao chegar. Hoje estou bem”.

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Redação Tribuna do Planalto

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