O ex-deputado estadual Luis Cesar Bueno é um dos pré-candidatos do PT ao governo de Goiás e afirma que colocou seu nome à disposição diante da falta de opções dentro do partido para a disputa majoritária. Segundo ele, lideranças petistas que atualmente ocupam cargos no Legislativo tendem a permanecer na disputa proporcional. Na entrevista, Luis Cesar diz não ter conhecimento de eventual preferência da direção nacional pelo nome da deputada federal Adriana Accorsi e afirma que temas como alianças com o PSB, o PSDB ou uma eventual aproximação com o ex-governador José Eliton “não estão na pauta” do partido em Goiás. Ele também destaca que o PT ainda passará por um processo interno de definição, que inclui reuniões, prévias e debates entre filiados. Atualmente, segundo o ex-deputado, estão colocados como pré-candidatos o jornalista Cláudio Curado, o advogado Valério Luiz Filho, o vereador Edward Madureira e o próprio Luis Cesar.
A deputada Adriana Accorsi e Olavo Noleto estiveram com o ex-governador José Éliton, conversando sobre uma composição. Essa possibilidade está superada ou ainda está em discussão dentro do PT?
A reunião que definiu candidaturas foi essa que eu relatei para você, da executiva do partido com esses pré-candidatos, Cláudio Curado, Edward Madureira, Luis Cesar Bueno e Valério Luís. É o que oficialmente está colocado à mesa. Até então, foram ventilações, hipóteses que foram colocadas. Não houve posição oficial do partido em relação a isso.
Mas ainda há possibilidade dessa composição com José Eliton avançar?
Eu não participei. Ele foi governador, mas isso tem que ser colocado na direção do partido. E é importante dizer que o PT tem um ritual de prévias. Quando tem divergência, os filiados são convocados a votar e tomar a decisão. Depois tem um encontro de delegados e tem a pré-convenção, ou seja, é um ritual longo, é um regimento interno muito democrático, o do Partido dos Trabalhadores. Eu acredito que, tão logo encerre esse período da desincompatibilização partidária e o processo de filiação aos partidos, que termine a janela, vamos ter que partir para o calendário interno do PT. Reunião da executiva, reunião do diretório, prévias, se tiver prévias, – se o partido for fazer aliança fora do PT, tem que consultar as prévias. Vamos fazer uma aliança com a Aava, Santiago, tem que ter prévias para definir se apoia ou não. Vamos fazer uma aliança com o PSDB, tem que ter prévias.
Existem decisões que são tomadas a nível nacional, pelo próprio presidente Lula, e que o diretório regional apenas acata?
Até então, não tem nenhum comunicado. As conversas existem, o presidente Lula, o presidente (do PT) Edinho Silva estão conversando a nível de Brasil e eu sei que constantemente a nossa presidenta é ouvida. Às vezes o que ela ouve hoje, ela não traz para o diretório porque na hora seguinte ou no dia seguinte, o cenário muda.
Na sua opinião, como o nome da Aava Santiago é recebido dentro do PT para ser representante do partido na disputa para governo?
Como candidata a governadora é um nome que nós poderemos debater e apoiar com certeza. Isso após um debate interno no PT. É um bom nome. Existe uma abertura para uma aliança com o PSB da presidenta Aava Santiago? Sim, muito. É um nome que tem respaldo dentro do PT.
“A diferença minha das outras candidaturas é que eu não quero ficar discutindo apenas a pauta das minorias. Eu quero discutir também a pauta das maiorias e mostrar o que nosso governo fez para as maiorias desse país”
Em relação a uma eventual aliança de PT e PSDB, nesse caso o PT apoiaria Marconi Perillo ao governo?
Vamos analisar todas as possibilidades: apoiar o Daniel Vilela? Difícil. Apoiar Marconi? Existem debates, mas não está na mesa, não está na pauta. Apoiar Aava? Pode ser, há debates acontecendo, mas ainda não temos uma posição. Lançar uma candidatura própria? Qual desses nomes que estão aqui? É um processo que está em andamento.
O PT nacional quer ampliar o arco de aliança e tem conversado com o PSDB.
Isso é fato e no Brasil todo.
Em Goiás, o PSDB tem candidato ao governo. O debate que existe é no sentido de o PT apoiar o PSDB?
Eu acho que você poderia perguntar isso para o Marconi Perillo. Eu não dou conta de responder essa pergunta.
Mas depende do PT aceitar apoiar o Marconi. O PT apoiaria o Marconi?
Esse assunto não está na pauta. Eu não vou colocar um assunto na pauta sendo que ele não está. Eu não posso fazer isso. Se a presidenta do partido tem essa informação, ela não trouxe para o partido ainda. Aliás, ela tem dito o contrário, que não tem. Lá em Brasília, eles estão com o mapa do Brasil mexendo as pedras. Às vezes alguma ideia para Goiás acontece, mas duas horas depois ela cai. A gente não pode entrar nesse debate ou colocar isso na pauta.
A grande prioridade do PT é a formação de um palanque para o Lula em Goiás?
Isso é fato. Pode ser com o PSDB? Eles estão conversando nacionalmente. Pode ser com a Aava? Sim, pode. Pode ser com o Daniel? O MDB é da base do governo Lula. Eles conversam sobre todas as possibilidades. Aqui em Goiás, nenhuma dessas possibilidades está na pauta, na mesa, proposta concreta hoje na direção do partido. Se entrar na pauta nós vamos discutir.
A opção que tem melhor receptividade pelo partido é a composição com Aava Santiago?
É um bom cenário, até porque o partido da presidenta Aava é o partido do vice-presidente da República (Geraldo Alckmin). É fácil e bom para nós. Mas ainda não está na pauta.
Alckmin participa dessas discussões?
Nacionalmente, sim.
Além da formação do palanque para Lula, quais as prioridades do PT local para a eleição deste ano?
Montar uma chapa boa para deputado federal. Estamos rodando os municípios, porque temos que ter uma chapa que represente as várias regiões do estado e queremos ampliar para pelo menos três ou quatro as vagas de deputado federal. Temos nomes expressivos, como os dois deputados atuais (Rubens Otoni e Adriana Accorsi); Delúbio Soares; dependendo da conjuntura, se vier candidato a federal, o professor Edward; temos nomes no Entorno de Brasília, são nomes representativos. Estamos montando uma chapa de deputado federal bastante expressiva, e montar também uma chapa para deputado estadual. Temos hoje três deputados estaduais e, na eleição passada, faltaram em torno de 100 votos para fazer o quarto, que seria o vereador Fabrício Rosa. Hoje, acho que tranquilamente a nossa chapa elege cinco estaduais. E se nós consolidarmos os três federais, podemos fazer seis estaduais. Nós fizemos isso na eleição de 2006, quando fizemos uma aliança com o PSB, na época capitaneado pelo ex-deputado Barbosa Neto. O PT elegeu quatro; o PC do B, 1; e o PSB o outro. Fizemos seis deputados naquela época. Acredito que a pauta nossa interna, que a direção do partido está trabalhando, é nesse sentido.
“Eu só coloquei meu nome à disposição para uma disputa ao governo de Goiás, diante da ausência de nomes. Os quadros do PT que estão no parlamento querem continuar no parlamento”
Delúbio Soares sai candidato a deputado federal?
Delúbio é candidato a deputado federal, está rodando todo esse estado, está sendo muito bem aceito pelas lideranças do PT. Vai realmente, na minha opinião, ter uma votação expressiva. Assim como Rubens, assim como Adriana Accorsi, assim como Edward e os outros companheiros. A nossa chapa será uma chapa bem votada.
A direita se dividiu em Goiás entre Daniel Vilela e Wilder Morais, e provavelmente teremos pelo menos quatro candidatos ao governo. Qual a análise que o senhor faz desse cenário para a eleição?
A direita está extremamente dividida. Ela se divide no grupo do Daniel, com o (Ronaldo) Caiado e Wilder e o grupo do Wilder se divide em dois, uma parte do PL acompanha a candidatura dele, a outra parte do PL acompanha a candidatura do Daniel. E tem também Marconi, que reivindica estar nesse campo, apesar de ele ter uma postura de centro, os movimentos dele são para tentar buscar o voto bolsonarista. A água limpa, unida, sem divergência está no campo da esquerda. Se a gente faz uma frente com o PSB, temos todo o palanque do Lula, ou seja, 42,23% cento dos votos, 1,553 milhão votos de partida, ligando o carro. Se a gente ganha mais 7 mil votos na campanha, isso comparado a 2022, bate no primeiro turno aqui em Goiás, com mais de 50% votos para o presidente Lula. O campo do presidente Lula está integrado, unido e tem serviço em Goiás. As grandes obras de Goiás, as obras de infraestrutura não foram feitas pelo governo Caiado junto com Daniel Vilela. Mostra uma obra de envergadura que o governo do estado fez? Eu vou mostrar as nossas. Nós duplicamos a BR-153 até São Paulo e estamos duplicando agora até chegar em Palmas, passando por Goiás. Fizemos a BR-040 totalmente pavimentada, saindo de Luziânia, Brasília, chegando até no estado do Mato Grosso. Estamos fazendo a 413, que vai ligar Rio Verde a Itumbiara, e já está bem adiantada. Fizemos a 060, de Goiânia até Jataí, que era chamada Rodovia da Morte, está pronta, obra feita nos governos do PT, que anunciou no PAC os recursos para o anel viário de Goiânia; fizemos o eixo Norte-Sul do transporte rodoviário de Goiânia. O BRT de Goiânia foi feito com um recurso do governo federal, assim como todas as plataformas do Eixo Anhanguera, que o Caiado diz que são recursos do estado; são recursos do governo federal; fizemos o Hospital das Clínicas de Goiás, um hospital referência, são recursos do governo federal; a principal obra de distribuição de infraestrutura do Brasil, que pega Goiás de Norte a Sul e Sudoeste, a Ferrovia Norte Sul, obra feita pelo governo federal. O saneamento da grande Goiânia, a Saneago captou os recursos do PAC do governo federal, a Universidade Federal de Jataí, Universidade Federal de Catalão, o Campus avançado da Universidade Federal de Cidade Ocidental, são recursos do governo federal. Chama o governo Caiado para debater conosco quem fez as obras de infraestrutura em Goiás.
No cálculo que fez, Lula teria mais de 50% de votos do campo da esquerda em Goiás, mas em qualquer pesquisa feita, Goiás aparece como um dos estados mais conservadores do país. De onde viriam esses votos?
Os números não dizem isso. Pega o resultado das eleições no segundo turno, 41,23%, 1,553 milhão de votos. Uma população que elege prefeito de esquerda em quatro eleições, duas com Paulo Garcia, uma com Pedro Wilson e outra com Darci Accorsi, e elege o prefeito da segunda maior cidade, que é Anápolis, duas vezes. Falta de debate e a imprensa embarca nessa onda que Goiás é um estado conservador. Eu estava num debate ainda há pouco com um produtor rural e ele veio questionar o bolsa família e eu falei: vamos questionar o plano safra, o que garante a produção agrícola. No governo Bolsonaro eram R$323 bilhões; hoje, são R$605 bilhões. O governo Lula dobrou a capacidade de investimento no agro no Brasil e principalmente em Goiás. Ele quer questionar o Bolsa Família, mas não quer questionar o Plano Safra. Eu estou preparado para esse debate, quero discutir com o setor produtivo. Quero mostrar o que nosso governo fez para o setor produtivo. A diferença minha das outras candidaturas é que eu não quero ficar discutindo apenas a pauta das minorias. Eu quero também discutir a pauta das maiorias e mostrar o que nosso governo fez para as maiorias desse país.
Caso não seja o candidato ao governo, vai disputar a eleição para deputado?
Não. Depois de seis mandatos, eu cumpri minha missão no parlamento. Eu só coloquei meu nome à disposição para uma disputa ao governo de Goiás diante da ausência de nomes. Os quadros do PT que estão no parlamento querem continuar no parlamento. Apesar de o presidente Lula constantemente fazer um apelo para que, nessas eleições, não podemos entregar o país para o fascismo, para aqueles que queriam dar um golpe de estado e matar o presidente da República eleito e os ministros do STF. Esse é um governo de terror. Diante dessa ausência de nomes, eu coloquei meu nome à disposição. Caso nós consigamos ter uma candidatura com envergadura, com representatividade, eu faço questão de apoiar. Meu nome está à disposição, mas eu não estou disposto a ir para a disputa. Eu vou participar do debate, porque entendo que nós não podemos perder essa eleição para o fascismo.
Disputaria um cargo majoritário, vice ou senado?
Eu topo disputar, aceito a indicação para o Senado, porque consigo fazer esse debate numa disputa ao Senado, carregando, dando suporte às candidaturas de deputado estadual e deputado federal, mas candidatura proporcional não, candidatura de deputado federal e estadual eu não vou entrar nessa disputa.















