Skip to content

Elias Vaz descarta candidatura de José Eliton e diz que tema não está em debate no PSB

Em entrevista exclusiva, o presidente estadual do PSB em Goiás, Elias Vaz, comenta os bastidores da filiação da vereadora Aava Santiago ao partido, analisa o cenário político para as eleições de 2026 e defende a construção de alianças no campo democrático.


Andréia Bahia Por Andréia Bahia em 10/01/2026 - 12:00

Elias Vaz descarta qualquer discussão interna sobre uma eventual candidatura de José Eliton ao governo de Goiás. (Imagem: Reprodução)

Em entrevista exclusiva, o presidente estadual do PSB em Goiás, Elias Vaz, comenta os bastidores da filiação da vereadora Aava Santiago ao partido, analisa o cenário político para as eleições de 2026 e defende a construção de alianças no campo democrático. Vaz descarta qualquer discussão interna sobre uma eventual candidatura de José Eliton ao governo de Goiás, afirma que o tema não está na pauta da legenda e sustenta que o partido só lançará candidaturas majoritárias onde houver viabilidade eleitoral. Na conversa, ele também fala sobre a relação com o MDB de Daniel Vilela, afasta qualquer possibilidade de aliança com o PL e reforça que a prioridade do PSB será fortalecer as chapas proporcionais para deputado federal e estadual.

Como se deu a filiação da vereadora Aava Santiago ao PSB?
A primeira conversa que a Aava teve foi com a Tábata Amaral. Eu já havia feito o convite a ela e, uns dois meses atrás, estivemos com João Campos, presidente nacional, e ele fez o convite, foi quando eu falei que se ela viesse, eu estaria disposto a abrir mão da presidência, que não teria problema nenhum. Desde essa época, a gente vem construindo isso, mantendo várias conversas; ela foi tentando construir isso, analisando, e agora tomou a decisão. Por algum tempo a gente estava com essa expectativa.

Aava diz que não houve ruptura com o PSDB e com Marconi Perillo. Essa condição foi discutida na filiação dela ao PSB?
Uma coisa são as posições individuais de cada um, até pelo histórico que cada pessoa tem e ela tem um histórico, tem uma gratidão pelo Marconi que a gente respeita. Mas na questão partidária, o que nós vamos levar em conta é a formação da chapa, aquilo que for mais interessante para formarmos a chapa de estadual e de federal – principalmente – é o que vai nortear o partido. Nós temos acordo sobre isso e estamos trabalhando em cima dessa expectativa, sabendo que tem nuances: a posição dela, dentro do partido tem algumas posições, mas ela se comprometeu a tomar a decisão que for a melhor, até porque ela também depende da melhor posição com relação à questão da construção da chapa.

Na sua opinião, a aliança com Daniel Vilela continua sendo a mais oportuna para o PSB?
Continua, essa é a visão que eu tenho, que as melhores condições para montar a chapa é apoiar o Daniel. Essa é a minha visão, é a que estou defendendo. Mas é claro, isso vai ter uma discussão interna, uma discussão coletiva e o partido vai ter maturidade para decidir isso de forma coletiva, acima de tudo. É o compromisso que todos nós temos.

As alternativas do PSB hoje seriam a aliança com o MDB, repetir a histórica aliança com o PT ou até mesmo com o PSDB, considerando a proximidade de Aava com o PSDB?
Essas são as alternativas, a única alternativa definida é que não vamos caminhar com o PL, a gente não apoia uma candidatura do PL. Se o PL lançar uma candidatura para governo do estado, a gente não apoia. Temos essa posição de não apoiar. Mas o partido em Goiás tem liberdade para construir o caminho que seja estrategicamente melhor para eleger deputado federal e estadual.

O governador Ronaldo Caiado tem declarado interesse em ter o PL na chapa majoritária do grupo.
É muito difícil isso acontecer, até pelos últimos acontecimentos que estamos vendo, o calendário eleitoral do Wilder Morais. Eu acho muito difícil ele abrir mão de ser candidato a governador. Acho que é uma tentativa deles, mas que a tendência é o PL lançar a candidatura realmente.

O deputado federal Gustavo Gayer também manifestou interesse em ocupar a vaga de senador na chapa governista. E se o PL vier a participar da aliança de Daniel Vilela?
Eu lhe garanto que nós não apoiaremos de forma alguma a candidatura ao Senado do PL.

O PL participar da chapa de Daniel Vilela não impediria o PSB de compor aliança com o MDB?
Essa seria uma discussão nova, não foi feita dentro do partido. A gente precisa respeitar, inclusive a vinda da Aava, a posição dela, ver o que ela pensa. É óbvio que a gente vai fazer isso com muita conversa, muita discussão, mas não tem nada definido por enquanto. O partido apoiar o Daniel é uma especulação porque não temos essa decisão tomada. Eu tenho uma posição individual, tenho defendido isso publicamente, mas isso não quer dizer que vai ser a posição do partido. O Carlos Cabral também tem defendido isso publicamente, é um deputado que defende a candidatura do Daniel e não esconde de ninguém, mas é claro, vamos resolver isso coletivamente, com discussão, vendo qual o melhor caminho para o partido. E é esse o compromisso da Aava, de fazer isso de forma conjunta. Eu tenho certeza que o espírito da Aava, que vai assumir a presidência, é de discutir e o nosso também tem que ser o de discutir, conversar e, com muito diálogo, procurar o melhor caminho.

Há outra especulação de que o José Eliton retornaria ao PSB para ser o candidato a governador, com o apoio do PT. Como vê essa possibilidade?
Não tem nenhuma discussão sobre isso e eu até falei sobre isso com o pessoal do diretório nacional. Eu sou membro da executiva nacional do partido, fui eleito no último congresso, e a orientação do partido é só lançar candidaturas ao governo do estado, onde realmente haja chance eleitoral, que não é o caso do José Eliton em Goiás. A gente sabe que é muito difícil a viabilidade eleitoral de uma candidatura. Não existe essa discussão no partido, pelo menos formalmente. Se alguém está conversando não é em nome do partido. Não tem esse diálogo. Eu até perguntei para Aava se tinha tido conversa sobre esse assunto, de lançar a candidatura de José Eliton. Isso não existe. José Eliton saiu do partido quando o Jorge Kajuru se filiou. Kajuru continua sendo membro do partido, então, não sei se ele está querendo voltar atrás. É bem-vindo, se filiar. Agora, um projeto de lançamento de candidatura estadual, acho muito difícil.

A Aava tem o projeto de ser governadora do Estado no futuro. Há a possibilidade de o PSB lançar a Aava nesse momento?
Não, a Aava é pré-candidata a deputada federal. Esse é o projeto dela. Ela vem com essa determinação. Uma das prioridades nossas hoje, a prioridade a que eu vou me dedicar, que vou tentar ajudar assim como ela presidente, é formar essa chapa para federal.

A principal prioridade do PSB é ampliar a bancada de deputado federal?
No nosso caso é ampliar. É claro, temos o senador Kajuru, e se ele quiser continuar, o partido vai dar todo o respaldo para ele ser candidato a senador. É uma decisão pessoal dele, ele já é senador, mas se quiser ser candidato a federal, o partido vai respeitar. A prioridade do partido é eleger a bancada federal e senadores. Isso é uma prioridade nacional do partido hoje, eleger principalmente deputado federal, porque com a cláusula de barreira, há um processo em curso, e muitos partidos vão ficar pelo caminho. O PSB tem feito um esforço para continuar como um partido de centro-esquerda, com nomes nacionais importantes, como o próprio Geraldo Alckmin, que é o vice-presidente da República, João Campos, que é uma promessa para um futuro próximo, está liderando as pesquisas em Pernambuco. É um partido que tem acumulado uma posição política, uma força política nacional, mas que é importante ter boa bancada de deputado federal até para ter peso político no futuro.

A bancada do PSB tem 15 deputados e em 2026 o corte da cláusula de barreira é de 13 deputados federais. O PSB corre risco de não atingir?
Nessa eleição, não. Mas o limite vai chegar a 5% dos votos nacionais, é um valor expressivo. Eu acho, uma opinião pessoal, que o PDT e o PSDB são partidos que não sobrevivem.

A federação não veio para resolver esse problema?
Sim, mas vai ter que federar ou vai ter que se fundir; essas duas coisas que vão acontecendo.

Como está a discussão da federação com o Cidadania?
Teve uma reviravolta no Cidadania e eu não sei como é que ficou isso, se quem assumiu o partido tem a mesma posição. Eu realmente confesso que não vi o desdobramento disso. Até então, o Cidadania aqui em Goiás era o partido que o PSB tinha uma certa conversa, e com o PDT também, mas eu acho que isso deu uma esfriada. Com o Cidadania estava bem intenso, estava bem acertado para as duas direções, mas parece que houve uma mudança na direção do Cidadania.

Quais são os pontos de convergência que vê entre o PSB e o MDB de Daniel Vilela, que está coligado ao União Brasil, um partido de direita, considerando que o PSB é um partido de Centro-esquerda?
Você tem toda razão, mas o que acontece no espectro da luta política brasileira e no mundo é o isolamento da ultradireita – que não é nem isolar a direita, tanto é que Lula tem essa visão. O União Brasil como o MDB participam do governo do Lula, têm ministérios. O União Brasil desembarcou agora por uma questão circunstancial, mas o MDB participa efetivamente, com ministérios inclusive importantes, dos Transportes e das Cidades. Eu entendo que a lógica política que temos que ter hoje, e o PSB tem essa estratégia política, é de fazer uma aliança no campo democrático. E inegavelmente, o Daniel representa e tem uma posição histórica democrática, no estado e no próprio MDB de Goiás. Todas as figuras do MDB de Goiás, Maguito Vilela, Iris Rezende, são figuras históricas do ponto de vista da luta democrática brasileira. E o Daniel herda um pouco isso. O próprio histórico dele é um histórico democrático. Por isso que a estratégia que eu defendo, e tenho dito isso inclusive para o pessoal do PT, é que a gente precisa fazer uma aliança no campo mais largo, que é no campo democrático, não no campo da esquerda; pode ser com uma pessoa que é de direita, mas que seja democrática. É isso que tenho defendido, que é uma estratégia nacional, o PSB tem essa posição numa estratégia nacional, e aqui a gente estaria replicando essa estratégia para tentar isolar a ultradireita. Essa é a visão que eu tenho. É possível? Aqui tem uma nuance óbvia que tem prejudicado um pouco essa situação, que é o fato do governador Caiado ter esse projeto a nível de eleição presidencial e muitas vezes assumir posições até estranhas à história dele. Exemplo disso é o dia 8 de janeiro mesmo; ele foi uma pessoa que assumiu uma posição pública de defender a democracia, ofereceu até as forças policiais de Goiás para defender a democracia. Acho que ele está tentando dialogar com essa ultradireita para tentar capitalizar voto. Eu acho que não tem funcionado, até porque eu acho que ele não é confiável nesse aspecto, porque as pessoas sabem que o histórico dele não é esse. O histórico dele nunca foi de ser ultradireita, ele sempre foi uma pessoa de direita, mas não de ultradireita. Sempre foi uma pessoa democrática, inclusive do ponto de vista das relações do debate. No Congresso ele tem histórico de reconhecimento em relação a isso, mas tem essa nuance, um aspecto muito particular de Goiás, porque Caiado tem um projeto nacional, precisa demarcar (seu espaço) em relação ao atual governo e acaba, muitas vezes, fazendo declarações, que, na minha opinião, fogem inclusive ao histórico dele. Mas eu não tenho dúvida sobre o que representa Daniel Vilela; ele representa convergência do ponto de vista democrático. A relação dele mesmo com a esquerda sempre foi uma relação democrática. Quando o pai dele foi prefeito de Aparecida, todos os partidos participavam da administração, e sempre foi assim. A relação histórica sempre foi uma relação democrática e acho que ele representa isso.

Nessa discussão nacional, Geraldo Alckmin pode continuar como vice na chapa de Lula em 2026?
Eu acho que Alckmin tem tudo para continuar como vice. Primeiro porque ele foi governador de um estado que tem peso, foi governador por 16 anos, não foi um mandato, são quatro mandatos, do estado mais importante do país. Ele tem um peso eleitoral indiscutivelmente. Ele ter participado da chapa em 2022, com certeza foi importante para ter pouca diferença que teve. São Paulo foi fundamental para a vitória do presidente Lula. Ele vem desempenhando um papel de protagonismo, não é um vice qualquer, é ministro da Indústria e do Comércio; nas etapas mais difíceis que o país tem enfrentado, o vice-presidente tem assumido um papel de muita relevância, e acho que o presidente Lula reconhece isso. É público, o presidente Lula tem um carinho muito especial pelo vice-presidente e eu acho que tem tudo para ele continuar na chapa, continuar sendo vice-presidente da República.

Seu projeto para 2026 é disputar a eleição para deputado federal?
Não, eu vou discutir isso, vou conversar isso com a Aava inclusive, quero conversar com os companheiros, com o Carlos Cabral, com o Kajuru, vou conversar internamente; ver se eu sou candidato e a quê. Uma decisão que eu não tomei ainda. Hoje eu já recebi ligações de gente querendo vir para o partido em função da Aava. Eu acho que isso vai dar uma oxigenada legal e a gente pode ter umas chapas tanto federal como estadual muito boas. Vamos verificar essa possibilidade, qual o melhor caminho, porque eu tenho uma questão pessoal, mas também tem que analisar a viabilidade, analisar os interesses partidários para ver qual o melhor caminho para trilhar.

Para compor com algum partido, o PSB pode pleitear vice ou alguma vaga na chapa majoritária?
Não, nós queremos pleitear é formação de chapa, de forma muito transparente, nós queremos ajuda na formação chapa para estadual e federal. Esse vai ser o principal ponto, porque a nossa estratégia é essa. Claro que, se o Kajuru quiser continuar como senador, como candidato, é claro que vamos colocar isso como elemento, até porque hoje é permitido. O PSB não abre mão, se o Kajuru quiser, vai ser candidato; penso que a Aava também tem essa posição, o partido tem essa posição, mas tirando isso, nossa meta é eleger federal ou estadual.

A chapa não vai precisar abrir vaga para uma candidatura ao senado do Kajuru?
O partido não vai abrir mão de lançar candidato, se o Kajuru quiser ser; ele tem respaldo nacional, tem respaldo local, a Aava gosta muito dele, o Carlos Cabral, todo mundo tem um grande respeito por ele. A decisão é pessoal. Ele parece que tem uma dúvida se ele continua ou não. A decisão é dele.

Ele está bem de saúde?
Tem melhorado, mas é uma decisão que ele não tomou ainda.

Pesquisa