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Em Goiás, distribuidora de energia regional atende 83 mil habitantes de nove municípios

Concessionária criada nos anos 1940 mantém operação própria em dez municípios do médio norte goiano


Lucas de Godoi Por Lucas de Godoi em 02/01/2026 - 07:20

A Companhia Hidroelétrica São Patrício atende municípios como Ceres, Uruana e Rialma (Foto: Divulgação / Chesp)

Enquanto a Equatorial Energia Goiás domina a maior parte do território goiano, dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) mostram que uma concessionária regional responde pelo fornecimento de energia em nove municípios e um povoado do Vale do São Patrício, atendendo 41.005 unidades consumidoras, recorte pouco conhecido no estado.

Pouca gente percebe, mas nem toda a energia distribuída em Goiás passa pelas redes da principal concessionária. No médio norte do estado, uma empresa de perfil histórico e atuação regional mantém uma concessão própria de distribuição de energia elétrica, herdada do processo de ocupação do interior goiano no século XX.

Trata-se da Companhia Hidroelétrica São Patrício (CHESP), concessionária que atua em Carmo do Rio Verde, Ceres, Ipiranga de Goiás, Nova Glória, Rialma, Rianápolis, Santa Isabel, Uruana, São Patrício e na região do povoado de Monte Castelo, em Jaraguá. Juntas, essas localidades concentram cerca de 83 mil habitantes, segundo estimativas populacionais mais recentes do IBGE.

Os dados da ANEEL indicam que a CHESP opera em um universo bastante distinto do restante do estado, com concessão ativa sobre uma área de 3.394 km², com estrutura administrativa própria e atendimento direto ao consumidor.

Goiás possui 246 municípios e população estimada em 7,42 milhões de habitantes em 2025. Do total, 237 cidades são atendidas pela principal concessionária do estado e outros 9, além de parte de um povoado, é coberto pela empresa regional.

História

Fundada em 1949, a CHESP nasceu de uma mobilização de pioneiros do Vale do São Patrício durante a implantação da Colônia Agrícola Nacional de Goiás (CANG). Com o crescimento da região e a ausência de energia elétrica regular, lideranças locais, sob coordenação do engenheiro Roland Von Ockel Martin, viabilizaram a construção da então Usina Hidrelétrica São Patrício, no Rio das Almas, inaugurada em 1955.

A usina chegou a ser a segunda maior do estado à época e marcou o início da atuação da companhia no setor elétrico. Hoje, a CHESP não opera mais a geração — a concessão foi transferida para outra empresa do mesmo grupo —, mas permanece responsável pela distribuição de energia, mantendo escritórios comerciais nos municípios atendidos e sede administrativa em Ceres.

Em 2015, a concessão foi prorrogada até julho de 2045, conforme termo aditivo ao contrato firmado com a União, garantindo a continuidade do serviço público em uma região historicamente atendida pela companhia.

Baixas quedas de energia

Dados da ANEEL eferente a novembro de 2025, levantados pela Tribuna do Planalto, indica que a área de concessão da CHESP, dividida em cinco conjuntos elétricos e com 41.005 unidades consumidoras, registra interrupções de curta duração ao longo do mês, com patamar considerado baixo nos indicadores regulatórios do setor elétrico.

Em Uruana, a média foi de cerca de 13 minutos sem energia mensal. Em Rialma, o tempo ficou próximo de 20 minutos, enquanto Jardim Paulista registrou aproximadamente 37 minutos.

Mesmo nos conjuntos com maior carga, os números seguem controlados, caso de Rianápolis que teve média de 46 minutos sem fornecimento por mês, e Carmo do Rio Verde, o maior índice da concessão, chegou a cerca de 1 hora e 33 minutos mensais.

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