O Parlamento de Israel aprovou em votação preliminar, na quarta-feira (20), um projeto de lei que dissolve o Knesset e pode levar o país a eleições antecipadas. A votação contou com 110 votos a favor e nenhum contrário, de acordo com informações do canal oficial do Parlamento.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu não participou da votação. Segundo o jornal Yedioth Ahronoth, ele estava em uma reunião sobre segurança naquele momento. O projeto ainda precisa passar por mais duas votações no plenário para se tornar lei, além de passar por uma comissão parlamentar.
A crise política que levou à proposta de dissolução teve origem no rompimento do premiê com partidos ultraortodoxos, aliados tradicionais de sua coalizão. Essas legendas acusaram Netanyahu de descumprir uma promessa de aprovar uma lei que isentaria seus eleitores do serviço militar obrigatório. A falta de apoio para aprovar a medida levou os líderes ultraortodoxos a declarar que não consideram mais o premiê um parceiro confiável.
O presidente da bancada da coalizão, Ofir Katz, defendeu o trabalho do governo e afirmou que “a coalizão cumpriu seu propósito”. Já a oposição comemorou o resultado. O líder do partido Democratas, Yair Golan, classificou a votação como “o começo do fim do pior governo da história de Israel”.
Avanço de projeto sobre antiguidades acende alerta sobre anexação
Paralelamente ao processo de dissolução, o governo avança com um projeto de lei que cria uma Autoridade de Herança para a Judeia e Samaria, nome bíblico da Cisjordânia ocupada. A proposta, patrocinada pelo deputado Amit Halevi (Likud), recebeu uma emenda que inclui também a Faixa de Gaza em seu escopo.
A nova autoridade substituiria a atual gestão militar sobre sítios arqueológicos nos territórios ocupados por um órgão civil vinculado ao Ministério do Patrimônio. O projeto já passou pela primeira leitura no plenário na semana passada, e a comissão de educação trabalha para aprová-lo antes que o processo de dissolução do Parlamento avance.
As Forças Armadas de Israel (IDF) manifestaram oposição ao texto. A major Marta Kramenko, chefe da seção de Infraestrutura e Economia da assessoria jurídica para a Judeia e Samaria, afirmou que a aplicação da lei israelense em Gaza prejudicaria a segurança e poderia ser interpretada internacionalmente como um passo de anexação de fato.
“A aplicação da legislação israelense em território que não está sob controle israelense e a concessão de poderes administrativos a um órgão civil israelense podem prejudicar os elementos militares e de segurança relevantes, criar complexidades significativas e ser vistas na arena internacional como um passo com características de anexação de fato”, declarou Kramenko.
Críticos da medida apontam que o projeto representa uma tentativa de anexação gradual dos territórios palestinos ocupados. Durante a reunião da comissão, o presidente do comitê, deputado Zvi Sukkot (Sionismo Religioso), afirmou que a lei representa “o primeiro passo em direção à extensão da lei israelense” na região.
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